Após perder a eleição, Imbassahy reclama de ACM Neto

O tucano disse que trouxe para capital baiana R$ 58 milhões durante o seu mandato: “Vou falar, com muita sinceridade, eu não tive uma ação que pudesse ser correspondente ao que eu fiz"

O deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB) reclamou, ontem, de não receber do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), ajuda na campanha. O tucano, que não conseguiu a reeleição, disse que trouxe para capital baiana R$ 58 milhões durante o seu mandato.  “Vou falar, com muita sinceridade, eu não tive uma ação que pudesse ser correspondente ao que eu fiz. A verdade é essa aí, mas também não vou dizer que foi isso que levou a uma dificuldade. Isso não interessa. Está passado”, disse, em entrevista à rádio Metrópole. Nos bastidores, o comentário é de que ACM Neto não se empenhou tanto na campanha de Imbassahy por alguns motivos. Um deles é porque apoiava o ex-chefe de gabinete da prefeitura de Salvador, João Roma (PRB), que acabou sendo eleito deputado federal. Roma teria ocupado parte das bases eleitorais do tucano.

Além disso, Neto, na eleição de 2014, ajudou Imbassahy na campanha porque queria derrotar Nelson Pelegrino (PT) na disputa pela Câmara dos Deputados. O democrata soteropolitano tentou tirar votos do petista para evitar que fosse seu adversário novamente no pleito de 2016 na briga pela prefeitura de Salvador. Os dois se enfrentaram em 2012 e Neto venceu no segundo turno. Na comparação com o pleito anterior, o tucano perdeu mais de 50 mil votos neste ano.

Ao site da Veja, Imbassahy admitiu que a impopularidade do governo do presidente Michel Temer (MDB) contribuiu para seu fracasso. “Não tenho dúvida de que pode ter contribuído a falta de aceitação popular dele. O governo de reformas sempre tem incompreensões”, afirmou, ao ressaltar que não se arrependia de ter sido ministro da Secretaria de Governo do emedebista. “De forma nenhuma. Cumpri minha tarefa e ajudei o Brasil. Eu ajudei muito a tirar a Dilma e a estabilizar o país. Se algumas pessoas não compreenderam, paciência. Eu fiz até porque foi uma convocação partidária do agrupamento que queria a estabilização do país e a transição em paz”, ressaltou.

Imbassahy disse, ainda, que, se ACM Neto fosse candidato ao governo da Bahia, a oposição teria “de largada um candidato mais competitivo”. “Não tive votos. Tivemos dificuldades com o candidato a presidente e o candidato a governador. Tudo isso somado com outros fatores fez com que nossa bancada tanto na Assembleia quanto na Câmara Federal ficasse bastante reduzida”, declarou. Com a desistência de Neto, o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM), virou o postulante ao Palácio de Ondina. O tucano baiano disse que não ficou abatido após a derrota.  “Procuro agora ter uma presença maior na Bahia até porque como deputado federal, por ter sido líder do PSDB por duas vezes, e ter protagonismo no cenário nacional, acabei ficando distanciado um pouco do nosso estado. Isso pode ter prejudicado um pouco. Vou aproveitar agora para ficar um pouco mais na Bahia, sem perder de vista a perspectiva de contribuir no cenário nacional”, apontou.

Imbassahy minimizou também a derrota do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na corrida presidencial.  “Analisando depois fica até mais fácil. É ser engenheiro de obra pronta. Mas havia um propósito do brasileiro de fazer mudança. E nos últimos dias, antecipando as eleições, essa vontade foi crescendo. Aconteceu essa renovação extraordinária. Eu até achava que a renovação não seria tão grande assim. A renovação foi espetacular”. Para ele, o eleitorado “acertou” ao escolher o “anti-PT, o Jair Bolsonaro” para presidente da República. No entendimento dele, a oposição tem que ser responsável e tem também “obrigação” de ajudar o capitão reformado a governar. O tucano defende que o PSDB apoie de forma “clara” Bolsonaro.

Compartilhar