‘Meu coração parece que tem agulhas dentro’, diz blogueira agredida pelo ex

Juliana Feroldi chorou em desabafo e disse que não vai mais se manifestar

A maquiagem foi deixada de lado e os cliques de moda ficaram em segundo plano. De “cara lavada”, a blogueira Juliana Feroldi, 35 anos, que acusa o ex-marido, o empresário Francisco Peltier de Queiroz Filho, de abuso psicológico e violência física, voltou a se manifestar no Instagram. Na noite dessa terça-feira (6), ela ficou emocionada ao relatar aos 688 mil seguidores que ainda sofre muito ao lembrar do histórico de agressões.

“Eu vou precisar de um tempo para organizar minha estabilidade emocional de novo. Estou muito triste. Meu coração parece que tem agulhas dentro”, descreve ela, sem conter o choro.

Na rede social, a blogueira também disse que tem vivido momentos difíceis, já que tem sido um grande conflito lidar com o fato de que a pessoa com quem foi casada foi capaz de agredi-la.

“É tudo muito difícil, ter que lidar com aquilo da agressão. Ter que lidar com o conflito de você estar batendo de frente com a pessoa com quem você dormia. Isso está muito confuso na minha cabeça”, completa a paranaense, que mora em Salvador, e quer retomar a rotina de trabalho.

Em novembro do ano passado, Juliana registrou a ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), de Brotas, e o Ministério Público da Bahia (MP-BA) ofereceu denúncia contra o agressor. Na ocasião, ela pediu uma medida protetiva de urgência, o que proibia o ex-marido de se aproximar dela.

Em outro processo, aberto no dia 16 de abril deste ano, aparece uma movimentação no dia 31 de julho, referente a uma medida protetiva baseada na Lei Maria da Penha. Segundo informações do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o processo tramita na 3ª Vara da Justiça pela Paz em Casa e uma nova audiência está prevista para o dia 11 de fevereiro de 2019, às 9h15.

O advogado de Francisco Peltier, Fernando Santana Rocha, explica que não se trata de uma nova solicitação, e sim uma reiteração. Ele nega ainda que seu cliente tenha desrespeitado a medida protetiva, já que Juliana divulgou, essa semana, imagens nas quais aparece sendo agredida pelo ex-marido.

“Esses vídeos publicados por ela, que estão causando estardalhaço, são de novembro do ano passado. Foram, inclusive, a base para o pedido da medida. Ou seja, as imagens ocorreram antes. Ele não desrespeitou a decisão judicial. Não é uma coisa recente e essas imagens estão no próprio processo posto por ela. Agora, a razão pela qual ela está criando esse factóide agora, só ela pode explicar”, comenta a defesa de Peltier.

“Em novembro do ano passado teve o pedido da medida protetiva. Em julho, houve uma audiência onde foi reiterado o pedido dela. Que eu tenha conhecimento, meu cliente nunca desrespeitou a medida protetiva. Meu cliente, inclusive, nem está em Salvador”, complementou Santana Rocha.

Confira o desabafo de Juliana na íntegra:

Relembre o caso
A blogueira Juliana Feroldi fez um longo desabafo publicado em suas redes sociais, entre a noite de segunda-feira (5) e a madrugada dessa terça (6), quando narrou episódios de abuso psicológico e violência física, cometidos, segundo ela, por seu ex-marido, o empresário Francisco Peltier.

Juliana diz que foi vítima de agressão durante os 10 anos de casamento. Com a revelação, a blogueira passou a fazer parte do contingente de baianas que, todos os dias, denunciam violações pelo fato de serem mulheres. Na Bahia, 67 processos de violência contra a mulher são abertos diariamente.

Ela ainda faz parte de outro grupo: mulheres abastadas que estão, aos poucos, quebrando o silêncio. De acordo com especialistas, mulheres de classe mais alta costumam não denunciar violações sofridas por medo de exposição.

“Sempre, nesses 10 anos, existiram conflitos, ameaças, agressões psicológicas, mas nunca havia sido como foi naquela noite. De maneira desumana, sem eu ter para onde correr, para quem pedir socorro”, publicou Juliana.

A primeira agressão física foi em novembro do ano passado. Na época, as câmeras de segurança do prédio onde moravam registraram parte da violência. Nas imagens, divulgadas por Juliana em seu perfil no Instagram, o ex-marido bate na blogueira dentro do elevador. Depois, duas pessoas – uma delas, o filho da blogueira, de acordo com o relato – tentam impedir que a violência continue.

“Nesse momento, ele, após me bater, entrou na casa e começou a agredir meu filho. (…) Eu não consegui entrar em casa para defender meu próprio filho, pois já tinha apanhado tanto que resolvi chamar a polícia. Tive o azar dele escutar eu ligando (sic), veio pela porta da cozinha e quebrou o telefone na minha cabeça, começou a me sufocar. Vini partiu para cima e Lu (secretária aqui de casa). Aí ele me soltou e desceu pelo no elevador”, descreveu, na rede social.

Em seu relato, Juliana conta também que reatou o casamento após as agressões, quando o ex pediu perdão e colocou a culpa na bebida. Um ano depois, porém, uma nova situação de violência doméstica fez com que o relacionamento fosse rompido definitivamente. Segundo a blogueira, a briga foi motivada por ela ter votado em um candidato à Presidência da República diferente do que ele votaria.

“Ele começou a me chamar de burra, mirou o carro contra o poste e disse que bateria o meu lado. Sim, ele dirige bêbado. Um casal de amigos elogiou meus óculos no almoço, sabem o que ele fez? Quebrou os óculos no meu rosto”, escreveu a blogueira.

Ainda na sequência de postagens, Feroldi diz que decidiu contar sua história para incentivar que outras mulheres não passem por violências parecidas. “Para que vocês não percam uma vida enganadas, sofrendo”, afirmou.

Veja onde buscar ajuda em casos de violência doméstica

  • Cedap (Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa) – Atendimento médico, odontológico, farmacêutico e psicossocial a pessoas vivendo com HIV/AIDS. Endereço: Rua Comendador José Alves Ferreira, nº240 – Fazenda Garcia. Telefone: 3116-8888
  • Cedeca (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan) – Oferece atendimento jurídico e psicossocial a crianças e adolescentes vítimas de violência. Endereço: Rua Gregório de Matos, nº 51, 2º andar – Pelourinho. Telefone: 3321-1543/5196
  • Cras (Centro de Referência de Assistência Social) – Atende famílias em situação de vulnerabilidade social. Telefone: 3115-9917 (coordenação estadual) e 3202-2300 (coordenação municipal)
  • Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social) – Atende pessoas em situação de violência ou de violação de direitos. Telefone: 3115-1568 (Coordenação Estadual) e 3176-4754 (Coordenação Municipal)
  • Creasi (Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso) – Oferece atendimento psicoterapêutico e de reabilitação a idosos. Endereço: Avenida ACM, s/n, Centro de Atenção à Saúde (Cas), Edifício Professor Doutor José Maria de Magalhães Neto – Iguatemi. Telefone: 3270-5730/5750
  • CRLV (Centro de Referência Loreta Valadares) – Promove atenção à mulher em situação de violenta, com atendimento jurídico, psicológico e social. Endereço: Praça Almirante Coelho Neto, nº1 – Barris, em frente a Delegacia do Idoso. Telefone: 3235-4268
  • Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) – Em Salvador, são duas: uma em Brotas, outra em Periperi. São delegacias que recebem denúncias de violência contra a mulher, a partir da Lei Marinha da Penha
  • Deam Brotas – Rua Padre José Filgueiras, s/n – Engenho Velho de Brotas. Telefone: 3116-7000
  • Deam Periperi – Rua Doutor José de Almeida, Praça do Sol, s/n – Periperi. Telefone: 3117-8217
  • Deati (Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso) – Responsável por apurar denúncias de violência contra pessoas idosas. Endereço: Rua do Salete, nº 19 – Barris. Telefone: 3117-6080
  • Derca (Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente) Endereço: Rua Agripino Dórea, nº26 – Pitangueiras de Brotas. Telefone: 3116-2153
  • Delegacias Territoriais – São as delegacias de cada Área Integrada de Segurança Pública. Segundo a Polícia Civil, os estupros que não são cometidos em contextos domésticos devem ser registrados nessas unidades. Em Salvador, existem 16 (http://www.policiacivil.ba.gov.br/capital.html)
  • Disque Denúncia – Serviços de denúncia que funcionam 24 horas por dia. No caso de crianças e adolescentes, o Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos oferece o Disque 100. Já as mulheres são atendidas pelo Disque 180, da Secretaria de Políticas Para Mulheres da Presidência da República
  • Fundação Cidade Mãe – Órgão municipal, presta assistência a crianças em situação de risco. Endereço: Rua Prof. Aloísio de Carvalho – Engenho Velho de Brotas
  • Gedem (Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher do Ministério Público do Estado da Bahia) – Atua na proteção e na defesa dos direitos das mulheres em situação de violência doméstica, familiar e de gênero. Endereço: Avenida Joana Angélica, nº 1312, sala 309 – Nazaré. Telefone: 3103-6407/6406/6424
  • Iperba (Instituto de Perinatologia da Bahia) – Maternidade localizada em Salvador que é referência no serviço de aborto legal no estado. Endereço: Rua Teixeira Barros, nº 72 – Brotas. Telefone: 3116-5215/5216
  • Nudem (Núcleo Especializado na Defesa das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Defensoria Pública do Estado) – Atendimento especializado para orientação jurídica, interposição e acompanhamento de medidas de proteção à mulher. Endereço: Rua Pedro Lessa, nº123 – Canela. Telefone: 3117-6935
  • Secretaria Estadual de Políticas Para Mulheres – Endereço: Alameda dos Eucaliptos, nº 137 – Caminho das Árvores. Telefone: 3117-2815/2816
  • SPM (Superintendência Especial de Políticas para as Mulheres de Salvador) – Endereço: Avenida Sete de Setembro, Edifício Adolpho Basbaum, nº 202, 4º andar, Ladeira de São Bento. Telefone: 2108-7300
  • Serviço Viver – Serviço de atenção a pessoas em situação de violência sexual. Oferece atendimento social, médico, psicológico e acompanhamento jurídico às vítimas de violência sexual e às famílias. Endereço: Avenida Centenário, s/n, térreo do prédio do Instituto Médico Legal (IML) Telefone: 3117-6700
  • 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar – Unidade judiciária especializada no julgamento dos processos envolvendo situações de violência doméstica e familiar contra a mulher, de acordo com a Lei Maria da Penha. Endereço: Rua Conselheiro Spínola, nº 77 – Barris. Telefone: 3328-1195/3329-5038.
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