Familiares de jovem espancado fazem protesto na Barra

Manifestantes se concentraram no Farol da Barra e pediram por celeridade na apuração do caso

Familiares e amigos do atendente de telemarketing Walter Fernandes do Santos, 21 anos, fizeram uma manifestação na manhã deste sábado (3) para cobrar agilidade na resolução do caso. O jovem foi espancado por um grupo de cinco homens quando saía do trabalho, na noite do dia 28 de outubro, no bairro do Comércio. A suspeita é de que ele tenha sido vítima de homofobia.

Com faixas e cartazes, os manifestantes cobraram por justiça e pediram celeridade na apuração do caso. O namorado da vítima, Antônio Júnior, contou que Walter segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Estado, em coma induzido.

“O estado de saúde dele ainda é grave. Ele está sedado e reagindo aos poucos aos medicamentos. Hoje faz seis dias que tudo aconteceu e até agora a polícia ainda não nos disse nada. Queremos uma resposta do governador”, disse.

Walter foi espancado quando voltava do trabalho (Foto: Arquivo Pessoal)

Os agressores não levaram os pertences da vítima, por isso, a família não acredita que esse seja um caso de assalto, mas de homofobia. Walter tem o sonho de se tornar publicitário e faria o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo (4).

“Mas isso foi impossibilitado pela falta de segurança. O bairro do Comércio é terra de ninguém à noite e quem estava na rua naquele domingo era quem estava comemorando o resultado das eleições. Queremos uma resposta”, afirmou Antônio.

A ação atraiu a atenção de quem passava pela região e algumas pessoas aproveitaram para registrar o momento em fotos e vídeos. Os pais de Walter e uma das supervisoras dele foram ouvidas pela polícia.

A dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações da Bahia (Sinttel Bahia), Sandra Dias, contou que a organização está recolhendo assinaturas de comerciantes e trabalhadores que atuam no bairro para exigir mais segurança.

“Vamos fazer um abaixo assinado pedindo mais segurança e iluminação pública porque o bairro é muito escuro. Há algum tempo existia até uma base da polícia que ficava naquela região, mas isso se perdeu com o tempo”, disse.

Manifestantes gritaram por ‘justiça’ e ‘homofobia não’ (Foto: Marina Silva)

Ataque
Walter trabalha em uma empresa de telemarketing que fica no início da Ladeira da Montanha. Quando encerra seu expediente, por volta das 21h, normalmente ele segue andando para o ponto de ônibus localizado em frente ao Elevador Lacerda.

No último domingo, algumas horas após o candidato Jair Bolsonaro (PSL) vencer a eleição para Presidente da República, Walter deixou o prédio da empresa e deveria ter chegado em casa, no Uruguai. No entanto, o atendente de telemarketing foi encontrado desmaiado na rua algumas horas depois. Ele foi socorrido e deu entrada no HGE às 22h16.

Crime aconteceu próximo à praça da Mãozinha (Foto: Arquivo)

Uma testemunha, amiga da família, passava de ônibus pouco antes das 22h e viu o momento em que cinco homens atacavam Walter nas imediações do Edifício Citibank, na Avenida Jequitaia, a cerca de 200 metros onde o rapaz foi encontrado desfalecido.

“Ele estava no chão quando ela viu os chutes na cabaça. Até então, ela não sabia que era Walter. Só ontem, no final do dia, que a família recebeu a informação dela dizendo que viu a agressão”, contou o namorado da vítima.

A 3ª Delegacia (Bonfim), responsável pela investigação do caso, solicitou exames periciais na vítima e imagens das câmeras de segurança do local onde Walter foi agredido, para que sejam analisadas.

Na próxima terça-feira (6), amigos e colegas do atendente farão uma manifestação na porta da empresa de telemarketing a partir das 14h. Todos estarão de branco e pedindo por paz e agilidade na investigação.

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