PCdoB pede mais espaço no governo de Rui Costa

Daniel Almeida pediu que o governador dialogue com “mais frequência” com a base e os movimentos sociais e sindicais

Depois de ampliar o número de deputados na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) e ter a possibilidade de crescer também na Câmara dos Deputados, o PCdoB quer ter mais espaço no segundo governo de Rui Costa (PT). No primeiro escalão, os comunistas comandam a Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).  “Pelo resultado eleitoral, o PCdoB acha que tem legitimidade de ampliar os espaços no governo. Não sei se isto está na cabeça do governador. Agora, o PCdoB é um dos poucos partidos que ampliou a bancada estadual e a federal”, afirmou o deputado federal Daniel Almeida, em entrevista à Tribuna. Na Alba, o partido subiu de três para cinco. Antes do pleito, tinha Bobô, Fabrício Falcão e Zó. Além de eleger o trio, a sigla ganhou mais dois parlamentares: Dal e Olivia Santana.

Na Câmara, o PCdoB reelegeu Daniel Almeida e Alice Portugal. Considerado inelegível pela Justiça Eleitoral, Isaac Carvalho recorre da decisão. Caso consiga reverter, vai ocupar a vaga hoje de Leur Lomanto Júnior (DEM) e ampliar o número de cadeiras de sua sigla de duas para três.  Daniel Almeida pediu ainda que Rui Costa dialogue com “mais frequência” com a base e os movimentos sociais e sindicais. “Eu sempre defendi que tivesse mais articulação com os partidos políticos. A gente sempre falou em reunir com mais frequência o Conselho Político e a bancada de deputados. Foi muito pouco frequente. O conselho se reuniu mais para comemoração do que para acompanhar o governo, por isso teve alguns choques na eleição da Assembleia Legislativa e na composição da chapa. Isso [o diálogo] pode ser melhorado”, afirmou.

Sobre as eleições municipais de 2020, Daniel Almeida reiterou que é “natural” a legenda ter candidato à Prefeitura de Salvador, já que em 2016 teve Alice Portugal na disputa pelo Palácio Thomé de Souza. “Todos os partidos vão batalhar para ter prefeituras. E vamos querer ter prefeituras. Acho natural que tenha. Tivemos uma candidatura quando as condições eram desfavoráveis e tivemos um resultado dentro da realidade. O PCdoB não saiu diminuído. As ideias foram fortalecidas tanto que o PCdoB foi um dos partidos mais votados em Salvador”, declarou.

O deputado também falou sobre a criação de um bloco da oposição na Câmara sem a presença do PT. Segundo o Estadão, os petistas ficaram incomodados com o fato de o PCdoB, o PSB e o PDT articularem um bloco no Congresso sem a presença dos Partidos dos Trabalhadores. “Nós estamos conversando sobre a ideia de formar um grupo que tenha uma ação comum na Câmara. Queremos uma bancada que tenha identidade política e programática na oposição a Bolsonaro. E esses partidos têm essas características. A gente sempre junta um, dois ou três para formar um bloco. Os partidos grandes, como o PT, não precisam porque já têm robustez e espaços. O PT tem a maior bancada da Câmara. Se alguém faz essa leitura de exclusão [do PT], isso não existe. Ninguém seria capaz de excluir o PT. O PT tem o maior líder popular [Lula], tem a maior bancada e o maior número de governadores. Então, se está fazendo esse tipo de leitura, está equivocado”, afirmou o baiano. Presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffman afirmou que o país vive uma “a situação bem dramática para qualquer ator ser excluído de um processo” e criticou a possibilidade de o movimento ter o objetivo de dar protagonismo a Ciro Gomes (PDT) na liderança da oposição ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). “Acho que não é isso que nos move, o protagonismo da oposição. Tem que nos mover o que nos concilia, o que temos de mais importante que é a resistência”, afirmou.

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