MP-BA apura ameaça de morte após discussão em colégio de Salvador

Aluna do Colégio São Paulo foi ameaçada de morte em rede social após discussão por política; Ufba também registra caso

Tradicional escola de Salvador, o Colégio São Paulo apura a denúncia de uma estudante ameaçada de morte por um colega – ele prometeu matar vítima com “17 facadas”. O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) enviou um ofício ao colégio pedindo que a instituição analise o caso e tome as “providências que entender cabíveis nos âmbitos administrativo e criminal”.

O site tentou conversar com a mãe da aluna, mas ela preferiu não falar até formalizar a ocorrência em uma delegacia e garantir a proteção da menina.

Aluna tirou print de agressões (Foto: Reprodução)

Um estudante, que criou um perfil fake para perseguir a adolescente, chegou a ameaçar a garota de morte. “Pvta [piveta] se cuide viu. Vou atrás de tacar a p*rra de vc (…). Vai se f*der na minha mão. Bolsonaro vai acabar com vocês feminazi tudo (sic)”, escreveu, em mensagens privadas no Instagram. Em seguida, a jovem publicou, nos stories de seu perfil no Instagram, as ameaças que recebeu. O agressor continuou respondendo.

“Tá postando coisa pq p*rra? Ficou com medo n? Vai morrer viu. Última vez que te aviso quando mais (sic) apoio vc acha que ta ganhando, mais os meninos do grupo estão. Sua ‘oposição’ como você insiste em falar vai lhe custar 17 facadas pra voc morrer que nem aquele mestre de capoeira preto que votou na petralhada”, diz as mensagens, citando, ainda, o músico e mestre de capoeira Moa do Katendê, morto no dia 8 de outubro, após uma discussão política.

Aluna tirou print de agressões (Foto: Reprodução)

O Colégio São Paulo emitiu nota durante o início da noite desta terça-feira (30) e alegou que os fatos se passaram “longe do âmbito da escola”, mas que existe uma investigação em curso já que o colégio não compactua com as agressões e a instituição é norteada por valores como “O Amor, a Solidariedade, o Respeito e a Autonomia”.

A assessoria de comunicação do Colégio informou ainda que não terminou de ouvir todas as partes no caso e por isso nenhuma medida foi tomada. Além disso, o colégio também informou que a diretora “passou pelas salas de aula para conversar com os alunos, reafirmando os valores pregados e praticados pelo Colégio São Paulo”.

Aluna tirou print de agressões (Foto: Reprodução)

O pedido de providências do MP-BA foi assinado pela promotora Milena Teixera, coordenadora do Centro de Apoio Operacional aos Direitos Humanos do MP-BA.

Outro caso
Na Universidade Federal da Bahia (Ufba), um estudante de Medicina Veterinária gravou áudios ameaçando violentar alunas que defenderam uma posição política diferente da sua. Em uma das mensagens, ele diz que o “vermelho” – referindo-se à cor utilizada pela esquerda – será “do sangue” dos órgãos genitais das estudantes.

No áudio, divulgado no aplicativo de mensagens Whatsapp, ele diz ainda que ia “cortar no meio” todas as “petistas, Haddad, Psol. O vermelho vai ser de sangue de x*reca. Vai se arrombar, meu irmão”, declarou o estudante.

Os áudios circulavam entre os alunos até que uma jovem decidiu publicá-los em um grupo que reúne a maioria dos estudantes da escola – são mais de 250 contatos. Diante disso, alguns alunos se revoltaram e começaram a pressionar para que ele se posicionasse.

Após a atitude, o Coletivo Feminista da Escola Veterinária e Zootecnia divulgou uma nota de repúdio às declarações. Segundo o coletivo, o áudio foi postado em um grupo de estudantes homens, após o resultado da eleição.

“Esse indivíduo promove um perigo a todas as mulheres da comunidade e a quem, de forma correta, divulgou o áudio para conhecimento público”, diz a nota. O estudante teria gravado outros áudios ameaçando de morte, em seguida, o colega que teria “vazado” as declarações.

“É importante salientar que atitudes como essa não serão mais toleradas e serão combatidas da mesma forma e que todas as medidas cabíveis serão tomadas buscando a punição de todos os agressores”, completa o coletivo.

Uma estudante do curso que não quis se identificar contou que o jovem já era conhecido por atitudes machistas e homofóbicas.

“A gente já tinha um pé atrás com ele, mas é difícil você conviver com medo. Esse áudio foi uma surpresa porque foi tão agressivo e direto que fiquei com medo da agressividade dele, ou ainda de ele chegar e ameaçar pessoas. Mas (a solução) é tentar ter resistência e bater de frente”, diz.

Segundo ela, algumas das alunas estão pensando em maneiras de formalizar a denúncia contra o estudante, mas ainda não sabem se isso será feito somente na faculdade ou também na polícia. “A gente sempre fica com o pé atrás de ter uma pessoa que vá liderar essa denúncia pelo medo mesmo, mas a gente está se organizando”.

A Ufba emitiu uma nota de repúdio ao episódio de violência na Faculdade de Medicina Veterinária. Segundo a Universidade, o aluno já foi identificado e se retratou junto à instituição. A Reitoria informou que tomará as medidas disciplinares previstas em seu regulamento e completou afirmando que “não transigirá em relação a esse ou quaisquer outros episódios que representem risco à integridade física ou psicológica de membros de sua comunidade, de modo que jamais se fomente um clima de beligerância no ambiente universitário.”

O jornal procurou o jovem apontado como autor das mensagens, mas ele disse que preferia não falar e que se manifestaria por uma nota posteriormente.

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