Carro é arrombado em estacionamento do shopping da Bahia; prejuízo é de R$ 15 mil

Casal dono do veículo teve malas e trajes de casamento roubados em Salvador

Acompanhado da namorada, o contador Piter Pedreira, 28 anos, chegou em Salvador na sexta-feira (26) à tarde, para ser padrinho de um casamento realizado no domingo (28). Natural de Santa Luz, no Nordeste do estado, ele decidiu aproveitar o tempo livre para almoçar em um restaurante do Shopping da Bahia (antigo Iguatemi).

Quando retornou ao estacionamento D3 do centro comercial, cerca de duas horas depois, foi surpreendido com pertences no chão. Seu carro, um Ford Ka, foi arrombado e rendeu um prejuízo estimado de R$ 15 mil.

Além do arrombamento, Piter teve ainda outras surpresas desagradáveis: as duas malas –  dele e da mulher, que é de Petrolina (PE) –, além de um aparelho de som, jóias e relógios, haviam sido roubados. Os itens estavam no banco traseiro do carro.

Segundo relato de Piter, o carro foi arrombado pela fechadura da lateral esquerda. “Quando retornamos, eu vi uma caixinha de remédio que estava na minha mala caída no chão do estacionamento. Nos aproximamos e vi que a porta estava aberta. Levaram tudo”, disse ele, acrescentando que apenas as caixas de som instaladas na mala escaparam dos arrombadores.

Entre os pertences perdidos, estava o traje que o casal usaria na cerimônia. “Além das coisas de valor, levaram as roupas que a gente usaria na festa. O vestido da minha mulher, jóias, meus relógios, tudo. Me deixaram com a roupa do corpo”, complementou.

As malas, que eram de grande e médio portes, foram levadas do shopping sem que qualquer segurança percebesse a ação. Ao menos, foi o que a direção do centro comercial informou ao contador. “Nós percebemos que nesse andar do estacionamento não havia um segurança. Quando encontramos um, ele disse que ninguém viu nada suspeito”, relatou Piter.

Ele disse ainda que a administração do shopping registrou uma ocorrência interna e pediu que ele procurasse a polícia. As imagens das câmeras de segurança do local, que podem ter registrado o momento do arrombamento, também foram negadas às vítimas.

“Me disseram para solicitar as imagens através da polícia. É uma coisa que eu nunca imaginei que passaria. Quando vimos, chegamos a ficar uns três minutos parados, em frente ao carro, respirando”, relatou o contador, que costuma vir à capital baiana ocasionalmente.

O casal lamentou o fato de ter usado itens emprestados de amigos para comparecer à festa de casamento.

Boletim de ocorrência
Conforme foi orientado pelo shopping, o contador foi até a 16ª Delegacia (Pituba) na manhã de sábado (27), onde registrou queixa e detalhou o ocorrido. Lá, no entanto, ouviu de um escrivão que “talvez não adiantasse registrar, pois dificilmente as malas seriam recuperadas”.

“Foi o que eu ouvi lá. Estou aguardando um retorno, mas não sei como é que vai ser. O shopping me pediu um prazo de 7 a 15 dias, mas se eles não me procurarem, pretendo entrar com uma representação na Justiça”, afirmou Piter, que permaneceu na capital até segunda (29).

De acordo com o registro feito pela Polícia Civil, o casal relatou ter perdido as malas com diversos objetos e, ainda, que solicitaram acesso às imagens das câmeras do Shopping da Bahia. A reportagem procurou a delegada Maria Selma Lima, responsável pelas investigações, mas não obteve retorno.

Por meio da assessoria, o Shopping da Bahia afirmou que “o cliente abriu uma reclamação na Central de Atendimento” e que o centro de compras está “investigando, ao certo, o que aconteceu”.

Parte traseira do veículo (Foto: Reprodução)

Punição
De acordo com o diretor de fiscalização da Superintendência de Defesa do Consumidor (Procon-BA), Iratan Vilas Boas, o shopping necessariamente será responsável pelos danos causados. “Existe a súmula 130 no Superior Tribunal de Justiça que diz que a empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículo ocorridos em seu estacionamento. Além disso, existe o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que diz que o fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa”, disse.

Caso a vítima não consiga comprovar que o prejuízo sofrido realmente gira em torno dos R$ 15 mil, Iratan explica que o juiz responsável pela ação tende a fazer uma estimativa. “Quando nenhuma das partes consegue provar o valor, normalmente o juiz faz uma avaliação. Por exemplo, se eu sou um assalariado, uma pessoa que um recebe salário mínimo, é incomum alegar que eu teria cerca de R$ 40 mil na mala. A Justiça vai presumir. O fato é que o shopping responderá”, concluiu.

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