Otto aponta erros de “alguns dirigentes do PT”

O congressista também avalia que houve um desgaste natural do partido, que comandou o país entre 2003 e 2016

O senador Otto Alencar (PSD) disse que erros de “alguns dirigentes do PT” levaram à derrota de Fernando Haddad (PT) e à vitória de Jair Bolsonaro (PSL) na disputa presidencial. O congressista também avalia que houve um desgaste natural do partido, que comandou o país entre 2003 e 2016. “Os governos dos presidentes Lula e Dilma foram positivos para o povo brasileiro com grandes avanços, mas tudo satura, não é? Como também saturou aqui na Bahia o carlismo. Às vezes, a vontade de mudança é até errada, mas o povo vai lá e muda. Nós esperávamos uma vitória, mas não aconteceu. Nem sempre se ganha tudo. Fizemos um esforço grande na Bahia. A unidade aqui mostrou força”, afirmou, em entrevista à Tribuna. Otto Alencar entende que o apoio de poucos partidos à candidatura do petista “pode ter comprometido a vitória de Haddad”. “Na Bahia, a aliança foi ampla, mas nacionalmente ficou muito restrita. Isso de alguma forma não deu amplitude. Agora, é esperar os próximos passos para depois direcionarmos o nosso comportamento no Congresso Nacional”, pontuou.

Para o senador, um dos erros do PT foi apoiar a ditadura venezuelana de Nicolás Maduro. “Alguns dirigentes do PT tiveram erros nítidos. O PT andou para um radicalismo muito grande. Cometeram equívocos, como ocorreram com outros partidos. Apoiar esse governo [da Venezuela] foi um dos erros grandes de alguns dirigentes do PT. A cabeça foi a presidente do PT, Gleisi [Hoffmann], que defendeu isso como quem defendia um governo altamente positivo. A Venezuela pode chegar a uma inflação de 1 milhão por cento. Bolsonaro cometeu vários erros na campanha e durante a vida dele, com posições radicais contra o negro, os gays e as minorias. Errou para perder a campanha, mas mesmo assim o antipetismo falou mais alto”, ressaltou.

Otto também condenou a corrupção praticada por integrantes do PT e por aliados. “Não estou vinculando o erro ao partido, mas há algumas pessoas do PT. Teve gente que errou. A minha posição não é contra a instituição do PT. Foram muitos erros cometidos por muitos componentes. Reconhecer os erros é virtude, não é defeito. Os acertos do PT foram muitos, mas também teve erros. E o erro tem que ser extirpado”, ressaltou. O congressista diz que concorda com alguns pontos defendidos por Bolsonaro, como a proposta de “menos Brasília e mais Brasil”. “O que ele falou [ante] ontem foi completamente diferente do falou durante a campanha. Ele falou em respeito à democracia e às liberdades. Também falou em diminuir Brasília e aumentar o Brasil, como eu sempre disse. Se ele cumprir isso, ele estará sintonizado com o que penso. Até parece que me plagiou. Se diminuir o tamanho do custo operacional do Estado brasileiro, vai contar com o meu apoio”, salientou.

O senador não acredita que a Bahia será retaliada, apesar de o governador reeleito Rui Costa (PT) ter apoiado Haddad e ter feito dura campanha contra o presidente eleito. “Se ele [Bolsonaro] tiver a burrice política de acumular ódio e mágoa, não vai ser um grande presidente do Brasil. Quem acumula fica escravo. Quem ganha tem que governar para vencedores e vencidos. Estou na aliança com Rui Costa e vou defender a Bahia e o governo como fiz no governo Michel Temer. Ele tentou retaliar e a gente reagiu. Nós nunca fraquejamos e não vamos”, ressaltou Otto.

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