Haddad encerra campanha e faz promessas ao Nordeste

O petista participou de uma caminhada ontem em Salvador ao lado do governador Rui Costa e de outros petistas e aliados

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, disse acreditar em uma “reviravolta” na eleição deste ano. O último Datafolha aponta que o petista tem hoje 44% dos votos válidos contra 56% de Jair Bolsonaro (PSL). O ex-prefeito de São Paulo desembarcou, ontem, em Salvador, onde participou de uma caminhada do bairro de Ondina até o Farol da Barra, ao lado do governador reeleito Rui Costa (PT). “Está tendo uma grande reviravolta nesta eleição. Começou, na verdade, em São Paulo, cidade que eu governei. Lá, nós já passamos o Bolsonaro. Isto está acontecendo em todas em cidades e tenho certeza que vamos chegar à vitória no domingo”, afirmou, em entrevista à imprensa, antes da caminhada. Haddad voltou a criticar o capitão reformado por não participar dos debates no segundo turno.

“Acho triste meu adversário ter se recusado a participar do debate hoje à noite na Rede Globo. Um grande desrespeito ao povo brasileiro. Isto nunca aconteceu no segundo turno. Espero que o povo brasileiro saiba se fazer respeitar contra uma pessoa que desrespeitou a democracia e o confronto de ideias. Na verdade, o que  a gente não quer é o povo armado, a gente quer que os argumentos sejam apresentados para que as pessoas possam, de livre e espontânea vontade, julgar qual o melhor projeto para o país. Na base da violência, a gente  não vai chegar à lugar nenhum”, declarou.

Haddad prometeu concluir as obras da transposição do Rio São Francisco e retomar o programa Água para Todos. Também afirmou que serão retomadas ações afirmativas que foram “paralisadas pelo golpe”, ao se referir ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “Já levamos o negro para a universidade, agora é a hora de fazer o mesmo no mercado de trabalho. É uma dívida histórica de 400 anos com o povo negro”, defendeu. O ex-prefeito de São Paulo apostou que terá cerca de 70% dos votos válidos na Bahia, já que no primeiro turno conseguiu 60,28%. Em segundo lugar, ficou Bolsonaro com 23,41% e, em seguida, Ciro Gomes (PDT) com 9,41%. Haddad afirmou que com o apoio do pedetista “vai ganhar uns três a quatro pontos” em todo o país. Ressaltou também que sua vitória evita “o pior que é a eleição de uma pessoa que enaltece ditador. Que desrespeita o nordestino, que desrespeita as mulheres e os negros deste país”.

O ato pró-Haddad reuniu lideranças políticas, como o ex-governador da Bahia e senador eleito Jaques Wagner (PT) e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. Também teve a presença de artistas, como a cantora Daniela Mercury. “Se a gente percebe que o país está correndo um perigo de entrar em uma ditadura, tendo uma pessoa com discursos que não são aceitáveis por uma sociedade livre, igualitária e democrática como a brasileira, a gente tem que se manifestar. Você está vendo os artistas fazendo voluntariamente isso, uma coisa que não é normal nas campanhas políticas. Estamos fazendo individualmente, cada um pelos seus ideais, princípios éticos e valores humanos”, disse a artista.

O governador Rui Costa fez questão de ressaltar que, se Haddad for eleito, não fará “um governo do PT”. “Mas de todas as forças democráticas que se uniram nesse segundo turno para assegurar a retomada do crescimento e a geração de emprego para todos, sem preconceitos contra o povo pobre e trabalhador. Haddad gosta da Bahia e do Nordeste, vai trabalhar para garantir a continuidade de obras importantes. Precisamos de paz no país, e só Haddad tem capacidade de garantir isso, com educação e emprego”, disse, em entrevista à Tribuna.

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