Doença misteriosa: amostras de pele de pacientes serão coletadas nessa quinta

Equipes da SMS e Sesab confirmam 79 casos da doença; insetos e artrópodes são as suspeitas

Pacientes que apresentam sintomas como vermelhidão e coceira intensa na pele, principalmente braços e pernas, farão novos exames nessa quinta-feira (25), para identificar a doença que atingiu 79 pessoas em Salvador e na região metropolitana. É a segunda fase dos exames realizados em moradores de Patamares, onde os sintomas surgiram. “A gente vai começar a fazer a raspagem de pele dessas pessoas que manifestaram a doença, principalmente na região atingida pelos sintomas”, destacou Jeane Magnavita, da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

Os 79 são o número de casos confirmados na capital. Os outros 11, divulgados pela pasta, continuarão a ser monitorados, mas foram descartados para esse surto específico. Agora, todos os casos estão concentrados em Patamares.

Equipes das secretarias de Saúde do município e do estado se reuniram nesta quarta-feira (24) para apresentar as novidades sobre os casos da doença que ainda não possui um diagnóstico. A suspeita mais forte é que se trate de picadas de mosquitos ou artrópodes.

Principais sintomas são vermelhidão na pele e coceira (Foto: Divulgação)

De acordo com a coordenadora do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), Cristiane Cardoso, apesar das confirmações, os cerca de 40 especialistas que atuam na região apontam que o número de ocorrências deve passar de 100. Ainda segundo ela, até agora foram feitas coleta de sangue e urina de cerca de 13 pacientes que manifestaram os sintomas. “Em casos de surto, como este, a análise da amostragem acontece, geralmente, com essa quantidade de pacientes”, explicou, se referindo ao número de exames realizados.

A Sesab afirmou que a segunda etapa do questionário aplicado aos moradores do condomínio também vai ter início nessa quinta. “Eles já responderam a algumas perguntas, que foram feitas para tentarmos identificar similaridades entre os pacientes. Então, eram perguntas como ‘qual a área do condomínio que você frequentou antes de os sintomas aparecerem’, ‘qual a sensação na pele’, ‘se a pessoa ficou exposta muito tempo em áreas externas’, entre outras”, disse.

Descartados
A coordenadora do Cievs, Cristiane Cardoso, explicou que nem todos os casos de dermatite notificados pela Secretaria Municipal de Saúde ou pela Sesab se encaixam nos sintomas da doença misteriosa. “A gente descartou, por exemplo, o caso de Lauro de Freitas e dos demais bairros de Salvador, porque problema de pele todo mundo tem e estes não se enquadram nas características que estamos investigando. No entanto, os órgãos vão continuar monitorando essas pessoas”, afirmou.

Jeane Magnavita, da Sesab, ressaltou que “os demais casos são isolados, são um em cada bairro, dentro daquela conta de 17 que a secretaria divulgou anteriormente, o que não se enquadra no surto da doença misteriosa”. Ainda segundo ela, a principal suspeita continua sendo picadas de insetos ou até artrópodes, como aranhas e escorpiões, mas as análises continuam em processo de execução, não sendo possível afirmar a causa certa da doença.

Armadilhas
“A partir das respostas dos moradores do condomínio ao questionário elaborado pela SMS e pela Sesab, foram instaladas armadilhas em algumas áreas do complexo residencial e do entorno da região”, afirmou Cristiane.

A Prefeitura também destacou que equipes do Centro de Controle de Zoonoses e da Fiocruz estão trabalhando na “captura de mosquitos Aedes aegypti e albopictus, principais transmissores de arbovírus no Brasil, além de outros de importância médica como carrapatos, pulgas e ácaros”, com o objetivo de investigar as causas da doença.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde confirmou as suspeitas das secretarias e afirmou que a hipótese é que a doença seja causada por algum inseto de difícil visualização. Já a Secretaria Municipal de Saúde confirmou que alguns moradores de Patamares já manifestaram os sintomas mais de uma vez, já que as coceiras e vermelhidão têm duração entre 5 e 6 dias e o surto foi identificado no início de outubro.

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