Otto Alencar reitera apoio a Fernando Haddad

O senador disse ontem que as pesquisas erram e que a disputa presidencial ainda está indefinida

Eleitor declarado de Fernando Haddad (PT), o senador Otto Alencar (PSD) se esquivou, ontem, quando questionado se fará oposição a um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL). Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab já disse que apenas os diretórios do partido na Bahia e de Sergipe, que apoiam o petista, estão em oposição à “ampla maioria” da sigla, que está com o capitão reformado. “Não sei nem se ele [Bolsonaro] vai se eleger. Estou apoiando Haddad. Não posso fazer oposição a um governo que nem se instalou ainda. Também digo que o meu compromisso é com a verdade. Se Haddad não cumprir os compromissos com a Bahia e Brasil, eu vou criticar como critiquei Dilma [Rousseff] e [Michel] Temer. Apesar de votar no Haddad, eu vou aplaudir se Bolsonaro se eleger e encontrar soluções para os problemas da saúde e da educação”, afirmou Otto, em entrevista à Tribuna.

Na Bahia, o PSD apoia o governador Rui Costa (PT). Em Sergipe, o PT apoia a candidatura de Belivaldo Chagas (PSD) contra Valadares Filho (PSB) no segundo turno. Perguntado se a vitória de Bolsonaro teria impacto na gestão baiana, o congressista respondeu: “Não sei. Depende como ele vai tratar a Bahia. Tem que esperar o resultado. Não posso criticar um governo que nem existe ainda”. Otto disse, ainda, que a eleição presidencial está “indefinida”, apesar de Bolsonaro liderar as pesquisas de intenção de votos. Segundo o último levantamento do Datafolha, o militar tem 59% e o petista 41% dos votos válidos.

“[O pleito] está indefinido até porque cada dia da eleição virou uma semana. Todo dia aparece um fato novo que pode mudar. Além disso, os institutos sempre erram. Na Bahia mesmo, houve um erro grosseira nesta eleição. O instituto só acerta no dia da votação, na boca de urna. Então, que tem 43% pode chegar a 50%. E que tem 57% pode cair. Não é uma eleição que está definida”, afirmou.  Ao criticar o erro nas pesquisas na Bahia, Otto Alencar se referiu ao fato de o último Ibope antes da votação apontar empate técnico entre Angelo Coronel (PSD) e Irmão Lázaro (PSC). No dia da eleição, o pessedista garantiu a vaga ao Senado com ampla diferença do social-cristão.

Ainda na entrevista, Otto Alencar repudiou a declaração do deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSL) – filho de Jair Bolsonaro – sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar afirmou que para fechar a Corte “bastava um soldado e um cabo”. “É uma agressão muito grosseria ao Supremo Tribunal Federal. É indevida e feita por deputado que tinha que ter uma linguagem parlamentar. Nem nos momentos mais duro da ditadura, a Corte foi agredida com tanta aspereza e acidez. Isso desqualifica o deputado. Lamento”, condenou. Em meio às críticas sobre o uso do Whatsapp pela campanha de Bolsonaro para divulgar fake news, o senador baiano defendeu a aprovação de seu projeto que pune os crimes cibernéticos. “Há um problema hoje que é na investigação. Para se investigar, precisa ter uma autorização judicial. O meu projeto permite que a autoridade policial investigue imediatamente. Identificou o crime já pode investigar. Investigou, faz o inquérito e manda”, pontuou. Para ele, as notícias falsas “transformam um homem de bem em bandido e vice-versa”.

Assembleia

Otto reiterou que não quer opinar na eleição do novo presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), que acontece em fevereiro do próximo ano. “Quem deve discutir isto é o presidente da Assembleia. Coronel que deve coordenar a sucessão dele com o governador Rui Costa. Essa discussão deve começar quando eles acharem próprio e chamarem os presidentes dos partidos. Eu não vou começar essa discussão. Devem partir deles dois essa discussão”, declarou.

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