Corpo de doméstica é achado e família contesta motivo da morte

Edna foi obrigada a entrar em carro; filho já teve dedos arrancados pelo tráfico

Desaparecida desde que saiu de casa na manhã do dia 7 de outubro, a doméstica Edna Luiza dos Santos, 54 anos, só foi encontrada sem vida nove dias depois. Na terça-feira (16), familiares que buscavam informações dela em hospitais e prontos-socorros finalmente encerraram a busca no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR), de onde o corpo da doméstica foi liberado para o sepultamento, na tarde desta quarta (17).

De acordo com testemunhas, ela saiu da casa onde mora, no bairro de Pau da Lima, logo no início daquela manhã, no primeiro turno das eleições, e não retornou mais. O caso intriga familiares, que contestam a causa da morte, registrada como decorrente de um atropelamento na região de Canabrava. A informação consta de relatório feito por um médico legista.

A versão, no entanto, é contestada, já que os parentes que fizeram o reconhecimento do corpo da mulher, através de fotos, acreditam que ela tenha sido espancada antes de morrer. Eles afirmam que, nas fotos, Edna parece ter marcas semelhantes às de socos no rosto.

Familiares afirmam que a vítima era mãe de um adolescente de 14 anos que seria alvo de criminosos, por já ter, segundo contam, se envolvido com o tráfico de drogas.

A família diz que ele estava com a mãe na hora que ela foi forçada a entrar num carro e levada até a entrada do bairro de Sete de Abril, onde ficava a sua zona eleitoral. O adolescente teria fugido ao perceber que o carro se aproximava dos dois.

Família acredita que mulher morreu após ter sido espancada por homens que a levaram em um carro (Foto: Reprodução)

Dedos arrancados
O filho da doméstica, segundo um parente, é usuário de drogas, e, há cerca de dois meses, cometeu um delito no bairro onde morava com a mãe e o pai para, possivelmente, “alimentar o vício”. Ele foi punido pelos traficantes e teve dois dedos das mãos arrancados.

“Os homens arrancaram dois dedos porque disseram que ele havia roubado uma bicicleta. Acredito que era para comprar drogas. Ele foi encaminhado para o Hospital do Subúrbio, onde foi atendido”, disse um parente de Edna, que preferiu não se identificar.

Desde que o filho começou a usar drogas, há pelo menos dois anos, Edna não teve mais sossego. Ela tentou orientar o filho, mas sem sucesso.

Ainda segundo o familiar, o adolescente relatou às irmãs que conhecia os homens que levaram sua mãe e que se tratavam de policiais. O jovem, no entanto, não soube justificar a afirmação, já que nenhum deles usava farda ou portada distintivos da polícia.

“Ele ficou nervoso, não soube explicar direito, disse que os homens estavam armados e que ele correu ao perceber a situação. O filho chegou a fugir do local, mas a mãe não conseguiu correr”, conta o parente.

Certidão de óbito
A versão do adolescente deixou a família preocupada, já que não bate com a do médico legista, que afirma que a mulher foi atropelada.

Na certidão, segundo o parente, consta a informação de que o corpo foi encontrado na Avenida Aliomar Baleeiro (Estrada Velha do Aeroporto), próximo a um viaduto do bairro e ao Barradão.

O site procurou a Transalvador que, por meio da assessoria de comunicação, informou que no dia 7 de outubro nenhum acidente com vítimas fatais foi registrado na cidade. A ocorrência mais próxima do local, mas sem vítimas, foi identificada pelo órgão no Jardim Nova Esperança, bairro próximo a Sete de Abril.

Embora a certidão informe um atropelo como a causa da morte de Edna, a Polícia Civil explicou, por meio da assessoria, que o documento não é o laudo da necropsia – registro oficial, concluído após realização de todos os exames realizados por um médico do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

A assessoria da Polícia Civil explicou ainda que o corpo de Edna foi encontrado, sem qualquer documentação, na Via Regional, embaixo do viaduto de Sete de Abril, às 5h34 do domingo de eleições. Além disso, cita que não foi identificado, a princípio, sinais de violência e, portanto, o caso não foi registrado como homicídio.

Conforme o DPT, o laudo da necropsia tem o prazo legal de dez dias até ficar pronto, podendo ser prorrogável por mais dez quando há necessidade de “complementação da perícia”. Ainda segundo o órgão, a certidão de óbito revela a causa “aparente da morte”, e tem como principal função possibilitar o enterro da vítima.

Diante disso, e da natureza dos ferimentos citados pela família, permanece a dúvida sobre o que realmente aconteceu naquele início de manhã de domingo.

“Fiz o reconhecimento por meio de uma foto. O rosto estava muito inchado, com sinais de que ela tinha sido espancada antes de morrer”, acredita o parente.

No dia do desaparecimento, a família chegou a procurar a 10ª Delegacia (Pau da Lima), mas lá, dizem os parentes, foram orientados a procurar pela mulher nos hospitais da cidade. “Fomos em vários, e nada. No (Hospital do) Subúrbio tinha uma vítima com o nome igual ao dela, mas essa (mulher) estava viva”, diz o parente.

Inicialmente, o corpo da vítima chegou ao IMLNR sem identificação, já que os peritos não encontraram documentos com ela – embora tenha saído de casa, segundo o filho, com o título eleitoral.

A identidade de Edna só foi confirmada através de testes com as impressões digitais. O sepultamento ocorreu na tarde desta quarta-feira (17), no Cemitério Quinta dos Lázaros.

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