Policiamento é reforçado e ônibus voltam a entrar no Jardim Santo Inácio

Em um áudio que circula no bairro, um homem pede para que os moradores não desçam para o "asfalto"

Os ônibus voltaram a circular até o fim de linha do bairro de Santo Inácio na tarde desta quarta-feira (3). Segundo o Sindicato dos Rodoviários, o transporte voltou ao normal depois que o comando da Polícia Militar da região garantiu que haverá policiamento ostensivo para a segurança de trabalhadores e usuários.

Os coletivos deixaram de circular em todo bairro por conta de um tiroteio na tarde de ontem e boatos de que bandidos iriam atear fogo a veículos na região. O sindicato informou que passou toda a manhã no bairro para negociar com a PM, ver de perto a situação e determinar se havia condição para o retorno da normalidade.

O roteiro incluindo o fim de linha foi liberado ao meio dia. O sindicato afirma, contudo, que vai continuar monitorando a situação da região para conferir se a segurança será de fato mantida.  “Estamos observando a presença da PM no bairro e no momento há uma sensação de relativa segurança”, diz Daniel Mota, diretor de imprensa do órgão.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) nega que tenha havido tiroteio e informa que mesmo assim o policiamento foi reforçado na região dos bairros de Jardim Santo Inácio e Mata Escura, onde fica instalado o Complexo Penitenciário.

Policiamento foi reforçado no bairro, mas rodoviários alegam que ainda não se sentem seguros
(Foto: Marina Silva)

Andando mais
Sem ônibus entrando no bairro, os moradores precisaram se deslocar até o ponto mais próximo que fica a cerca de 1,5 quilômetro ou até a Estação Pirajá. Na região, os moradores temem falar sobre a troca de tiros e sobre os rumores de que haveria queima de coletivos no bairro.

Uma moradora, que preferiu não se identificar, disse que nesta terça, enquanto estava em um coletivo nas proximidades do bairro, passageiros informaram ao motorista sobre a troca de tiros e a ameaça da queima de veículos. Tanto o motorista  quanto o cobrador não se sentiram seguros e resolveram interromper a viagem. A moradora precisou ligar para os familiares.

“Está um inferno desde ontem. Tive que ligar para minha mãe solicitando que ela viesse me pegar. Agora, estou indo do fim de linha até a Estação Pirajá pegar um coletivo”, disse.

Em um áudio que circula no bairro, um homem pede para que os moradores não desçam para o “asfalto” (rua) depois das 21h. “Fechem suas portas porque vai ser guerra. Tampinha (traficante) sustentou guerra pior aqui (Jardim Santo Inácio). A ordem veio da Mata Escura”, dizia o homem.

Tampinha era um dos líderes do tráfico no bairro da Mata Escura. Ele foi morto neste ano durante uma troca de tiros com criminosos de uma facção rival, no bairro de Jardim Santo Inácio. Procurada, a SSP informou que investiga o áudio, mas que, a princípio, não existe indício de veracidade.

Policiamento reforçado
Duas viaturas da Rondas Especiais (Rondesp) Atlântico ficaram na entrada do bairro, na Rua Direta da Santa Inácio, estacionados, na manhã de hoje. Um rodoviário disse ao que mesmo com a presença dos PMs, se sente inseguro de circular na região. “Não só pela gente mas, também, pela vida dos passageiros. Vamos aguardar a posição do Sindicato”, disse. Segundo ele, os coletivos estão estacionando na garagem da Estação Pirajá.

“Há alguns meses queimaram ônibus na entrada de Santo Inácio e diante desses boatos a gente não quer correr o risco de ter outro sinistro ali, menos de 48 horas depois da ocorrência no Pela Porco”, informou o diretor de imprensa do Sindicato dos Rodoviários, Daniel Mota.

Ainda segundo ele, no bairro circulam 21 ônibus, que são distribuídos por três linhas. “Vamos ficar monitorando a situação e, quando a categoria se sentir segura, a gente volta a circular”, acrescentou.

Escolas
Ao total, 580 alunos da escola Escola Municipal Jardim Santo Inácio tiveram as aulas suspensas nesta quarta. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Municipal da Educação (Smed), as aulas foram suspensas nesta quarta-feira para “proteger os alunos, evitando a exposição deles aos riscos gerados pelo clima de insegurança no bairro”. Já a Secretaria da Educação do Estado informou que o Colégio Estadual Célia Mata Pires abriu normalmente, mas registrou baixa frequência.

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