‘Pela paz e contra a opressão’, diz Daniela Mercury sobre manifestação

Ato contra o candidato Jair Bolsonaro reuniu cerca de 8 mil em Salvador

Flores nas mãos, camisas brancas para lembrar a paz e roxas para homenagear as mulheres. Durante o ato ‘Ele Não’, em Salvador, contra o candidato à presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, crianças brincavam pelas ruas ou assistiam a tudo nos ombros dos pais, enquanto os mais velhos sorriam e desfilavam seus cabelos brancos.

“Esse encontro traz a leveza da paz, do desejo por dias melhores, independentemente de partido político”, definiu a administradora Driele Reis, 30 anos, enquanto carregava a filha Maria Elisa, 2 anos, no ato que aconteceu neste sábado (29) e não teve registro de ocorrências de violência, segundo a Polícia Militar. “Ela é mulher e tem que aprender o que é respeito desde cedo”, completou sorridente.

Também acompanhado dos dois filhos, o analista Max Carvalho, 48, defendeu que era importante a participação dos pequenos Tom, 7, e Xan, 11. “Eles devem começar a entender o movimento político nacional. Vir com eles é uma forma de transmitir uma mensagem de paz, porque quero poder trazer meus filhos pra rua”, justificou.

O movimento que aconteceu em mais de 100 cidades do Brasil e do mundo reuniu cerca de 8 mil pessoas em Salvador, durante a concentração no Campo Grande, segundo informações de policiais militares que faziam a segurança no local. Oficialmente, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) não divulga estimativa de público em protestos.

Assista trecho da apresentação de Daniela Mercury:

O ato da capital baiana contou com a participação da cantora Daniela Mercury e da banda feminina Didá. Entre uma música e outra, Daniela destacou a importância das mulheres nesta eleição – elas são maioria do eleitorado brasileiro: “a gente representa a maioria populacional. Nos respeite. Não aceitamos opressão”. No ato, o grupo levava faixas e cartazes em protesto contra posicionamentos racistas, sexistas e homofóbicos por parte do presidenciável.

(Foto: Evandro Veiga)

Enquanto puxava o trio, a artista afirmou que o movimento vai além da questão partidária. “Essa é uma luta por amor, pela paz, tolerância, contra o racismo e contra a opressão”, defendeu. Em seguida, cantou a música Protesto do Olodum adaptando os versos “e lá vou eu” para “e ele não” para puxar a multidão que seguiu do Campo Grande em direção à orla da Barra, passando pelo Corredor da Vitória e pela Ladeira da Barra.

Caminhando sorridente, balançando sua burca no ritmo da música, a muçulmana Ranya Ferreira, 35, contou orgulhosa que viajou nove horas de Sergipe para a Bahia só para acompanhar o ato. Integrante do Centro Islâmico da Bahia, Ranya estava acompanhada da amiga Jerusa Hawass, 37, também vestida a caráter.

“Viajei durante nove horas só para dizer ‘ele não’, porque sou mulher, porque não sou intolerante e não prego a intolerância religiosa e porque meu papel aqui não é julgar, mas fortalecer as mulheres”, justificou Ranya. “Estamos aqui porque somos minoria. Estamos aqui por mim, por você, por todas as mulheres que se foram. Estamos aqui pra gente não esquecer da nossa história”, completou Jerusa.

(Foto: Evandro Veiga)

Brasil e mundo

Os protestos contra Bolsonaro ocorreram em 40 cidades brasileiras – em14, também aconteceram manifestações a favor -, em estados como Goiás, Minas Gerais, Piauí e São Paulo. Na capital paulista, cerca de 150 mil pessoas participaram da marcha contra o presidenciável. Foram 100 mil em Belo Horizonte e 30 mil em Brasília. No Rio, o ato lotou a Cinelândia. Também houve protestos em mais de 66 cidades no exterior, em países como Estados Unidos, Alemanha, Chile e África do Sul.

Em Brasília, as manifestantes ocuparam três das cinco faixas da pista norte do Eixo Monumental, saindo da altura da Rodoviária do Plano Piloto em direção ao complexo cultural da Funarte, próximo à Torre de TV, zona central da capital do país.

A assistente administrativa Socorro Paiva, uma das participantes do ato em Brasília, vestia uma camiseta colorida, com frases contra o machismo. Para ela, o ato é uma forma de evitar que o país mergulhe no que considera um retrocesso histórico.

“Não podemos compactuar com a intolerância. Quero que meus filhos e netos cresçam em um país sem machismo e homofobia”, afirmou.

Além de palavras de ordem contra Jair Bolsonaro, que ressaltavam a postura do candidato em relação às mulheres, à população negra e ao movimento LGBT, centenas de manifestantes portavam cartazes, camisetas e bandeiras com frases sobre a luta anti-homofobia e antirracismo.

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