Vídeo mostra líder do tráfico ostentando arma em festa ‘pancadão’ no Nordeste de Amaralina

Complexo do Nordeste não teve policiamento reforçado como disse a SSP

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) anunciou nesta quinta-feira (27) o reforço do policiamento no complexo do Nordeste de Amaralina, com a chegada à Bahia do traficante Antônio Caíque Santos Correia, 24 anos, um dos integrantes da facção Comando da Paz (CP), preso em São Paulo no dia 6 deste mês.

A mando de Joseval Bandeira, o Val Bandeira, uma das lideranças da facção, Caíque comandava todos os ‘bondes’ do bando no Complexo do Nordeste de Amaralina – formando pelos bairros de Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio Vermelho.

Ex-integrante do Baralho do Crime, Caíque é acusado de pelo menos 25 assassinatos, entre eles a execução do cabo Gustavo Gonzaga da Silva, 44, em junho deste ano. A ele também é atribuída a participação no triplo homicídio que teve como vítimas três seguranças que trabalhavam em um ensaio da banda Harmonia do Samba, em fevereiro do ano passado.

Em um vídeo de dezembro do ano passado, o traficante aparece no Areal, localidade da Santa Cruz, no comando de uma festa de paredão. Ele usa tranças e um boné e exibe uma pistola:

Sem reforço
Em nota enviada ontem à imprensa, a SSP informou que “equipes da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal realizam diligências, no Nordeste de Amaralina, em busca de outros traficantes da mesma facção. O patrulhamento na região está reforçado”.

Na coletiva de apresentação de Caíque, também na quinta, o coronel Humberto Costa Sturaro Filho, comandante do Policiamento Especializado da Polícia Militar da Bahia endossou a informação dada pela SSP. “O policiamento segue reforçado pelo Batalhão de Choque no Nordeste e não há previsão para sair de lá”, declarou.

No entanto o  jornal percorreu por duas horas – das 9h até 11h – as vias principais do Complexo e não encontrou nenhuma viatura. A equipe circulou nas ruas Reinaldo de Matos e Marcílio Dias, além da Ladeira da Mangueira, do Nordeste, e não encontrou movimentação de policiais ou viaturas. Dono de um mercadinho na Rua Alto da Alegria, Mário dos Santos Costa, 54, abriu o estabelecimento às 6h. “Se eu dizer que vi alguma viatura passar por aqui, estarei mentindo”, declarou.

Na Santa Cruz, a equipe chegou à Rua Pará, via de acesso ao Boqueirão, uma das localidades mais violentas do complexo e reduto dos principais nomes da CP.  “Se tem viatura na região, não passou por aqui”, disse uma dona de casa enquanto estendia roupas no varal.

Ainda na Santa Cruz, a equipe seguiu pela Rua Vittorio Rossi e Avenida Nova República. Na Rua do Futuro, fundos do Parque da Cidade, duas viaturas: uma estacionada na porta da Base Comunitária e outra no pé da ladeira que interditava a via para um evento infantil na comunidade.

Na Rua Onde de Novembro, que dá acesso ao final de linha do bairro, moradores disseram que não virem nenhum reforço. “Normalmente quando eles dizem que reforçam a área, tem polícia para todos os lados, as viaturas ficam paradas aqui no final de linha, os policiais seguem abordando as pessoas. Mas até agora não vi nada. E o reforço é necessário, porque do jeito que as coisas estão aqui…”, disse uma senhora que vende doces na porta de salão. Ela chega 5h para trabalhar e era 10h quando foi entrevistada.

Posicionamento
A situação foi a mesma no Vale das Pedrinhas. Na avenida que leva o mesmo nome do bairro, ninguém viu uma viatura sequer. “Não. Passou nada por aqui. Chego cedo para vender lanches aos motoristas”, disse uma ambulante. Nas Rua São Pedro e Rua Esperança, ambas na Chapada do Rio Vermelho, a ausência do reforço foi sentida pela comunidade local.

“E realmente é preciso. Tudo que acontece lá (Santa Cruz) acaba refletindo sempre aqui. Infelizmente, será preciso acontecer o pior para a polícia estar aqui”, finalizou um morador.

Compartilhar