Suspeito de matar PM e seguranças do Harmonia é transferido para Salvador

Antônio Caíque Santos Correia é apontado como líder do tráfico no Nordeste de Amaralina

Vinte dias após ser preso em São Paulo, chegou nesta quarta-feira (26), em Salvador, Antônio Caíque Santos Correia, apontado pela Polícia Civil baiana como uma das lideranças do tráfico de drogas do Nordeste de Amaralina. A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP) apresentará, nesta quinta-feira (27),  o resultado da operação integrada com as polícias da Bahia, São Paulo e Polícia Federal que capturou Caíque.

Ex-integrante do Baralho do Crime da SSP, de acordo com a SSP-BA ele distribuía drogas e armas para outros bairros de Salvador e matou, pelo menos, 25 pessoas entre 2016 e 2018. Na lista dos assassinatos estão o do cabo Gonzaga e de seguranças em um evento da banda Harmonia do Samba.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), Caíque tem envolvimento direto na morte do cabo Gustavo Gonzaga da Silva, 44 anos, esquartejado na madrugada de 9 de junho, no bairro de Santa Cruz, em Salvador. De acordo a SSP-BA, o suspeito tinha quatro mandados de prisão em aberto. Ele foi localizado no bairro de Jaçanã, na capital paulista, por equipes do Departamento de Proteção e Homicídio à Pessoa (DHPP), da polícia paulista, e pela PF.

Cabo Gonzaga foi morto e esquartejado por traficantes na Santa Cruz, em junho (Foto: Reprodução)

Morte e esquartejamento
O policial militar Gustavo Gonzaga da Silva foi morto na madrugada de 9 de junho, no final de linha do bairro de Santa Cruz, no Complexo do Nordeste de Amaralina. Segundo informações da Polícia Militar, o policial passava pelo local em um veículo Onix, quando foi cercado por indivíduos que efetuaram disparos de arma de fogo. O cabo Gonzaga reagiu, mas foi atingido e não resistiu aos ferimentos.

O cabo Gonzaga era lotado na 4ª Cia de Saúde, do Batalhão de Polícia de Guarda da Polícia Militar (BG), e integrava o quadro funcional da PM há mais de 22 anos. Ele tinha uma companheira e deixa duas filhas.

Segundo informações de policiais, o militar saiu, em companhia de um pedreiro, conhecido por ‘Jai’, que era seu vizinho, quando foi abordado por três traficantes de drogas do bairro – conhecidos por Choquito, Keka e Leno – e executado. O policial teria sido morto com requintes de crueldade, tendo a língua, orelhas e mão direita decepados, os olhos e mandíbula arrancados, além de receber vários tiros na cabeça.

Quem é Caíque?
Ainda moleque, Antônio Caíque Santos Oliveira teve o destino igual ao de muitos outros meninos largados à própria sorte no Complexo do Nordeste de Amaralina, região formada por quatro comunidades carentes de Salvador. Ele foi mais um menino cooptado pelo tráfico, que começou nas funções de aviãozinho e olheiro e que, na adolescência, se exibia com um fuzil que pesava mais do que seu corpo franzino.

A diferença é que a maioria dos meninos que cresceu junto com Caíque não chegou à sua idade – porque foi morta pela polícia ou por rivais –, e tampouco à sua posição – isso em relação aos que ainda vivem. Com 25 anos, Caíque é um dos gerentes da facção Comando da Paz (CP), grupo criminoso que controla o tráfico nos bairros que formam o complexo: Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio Vermelho.

Caíque é um dos olhos e gatilho de Joseval Bandeira, o Val Bandeira, que mesmo cumprindo pena Unidade Especial Disciplinar (UED), no Complexo Penitenciário da Mata Escura, continua mandando na região do Nordeste.

Val Bandeira, o chefão do Comando da Paz, quase foi solto no ano passado(Foto: Reprodução)

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