Museus na Bahia chegam a ficar mais de 20 anos sem trocas na rede elétrica

Nos três equipamentos mais populares da capital, a média de espera para reparos é de 21 anos

Quando a hoje enferrujada rede de distribuição elétrica do Museu de Arte da Bahia (MAB) foi implantada, em 1991, o espaço havia ficado fechado por dois anos. Não havia condições elétricas, hidráulicas e estruturais para abertura ao público. Até hoje, 27 anos após sair do colapso, nenhuma grande intervenção. O mesmo para os outros dois museus mais frequentados de Salvador: o Museu de Arte Moderna (MAM) e o Palacete das Artes. Juntos, os três contabilizam mais de 20 anos sem intervenções na rede elétrica e quase 100 mil visitas apenas em 2018.

Somente após reforma, os visitantes puderam voltar a frequentar o Palácio da Vitória, onde o MAB está instalado desde 1982 e reserva do maior acervo artístico do estado. Segundo o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), responsável pela gerência do museu mais antigo da Bahia, criado em 1918, são 14 mil peças. De janeiro a junho deste ano, foram 25 mil visitantes. O museu mais antigo é também o segundo mais visitado de Salvador.

A necessidade de troca na rede elétrica já é reconhecida por funcionários e o próprio diretor do museu, Pedro Arcanjo. O pedido foi enviado ao Ipac há mais de dois anos:

“Logo quando cheguei, fizemos uma avaliação técnica para enviar ao Ipac. Já está sendo providenciado [a troca na rede elétrica]. Existe uma preocupação com o patrimônio cultural e histórico público”, diz o diretor.

A necessidade de mudança pode ser vista por meio dos fios desencapados, fora de um duto de proteção e na caixa de detecção de incêndio – quase completamente enferrujada.

No caso do Palacete das Artes, museu com a maior visitação do ano – 48 mil visitantes de janeiro a agosto, a ausência de intervenções na rede elétrica coincide com o ano da inauguração do Museu Rodin, em 2007. Já o Museu de Arte Moderna passa, desde outubro de 2016, com momentos de pausa e retomada, por obras de reestruturação realizadas pelo Governo do Estado, na ordem de R$ 7,7 milhões.

Antes disso, apenas em 1993 o Conjunto Arquitetônico do Solar do Unhão havia passado por uma recuperação total. A entrega da primeira etapa, prevista para outubro deste ano, deve adequar o Museu aos padrões internacionais. É o que diz o diretor Zivé Giudice. Mas, nos outros dois museus levantados, não há nenhuma previsão concreta de reparos. A arte precisará esperar por uma iniciativa do Ipac, órgão vinculado ao Governo do Estado, a quem cabe a gestão dos três museus.

A ausência de respostas e os problemas registrados em fotografias pela reportagem foram expostos à professora e pesquisadora de Engenheraria Elétrica Antônia Brito, da Universidade de Salvador (Unifacs). Dos 43 museus em Salvador (são 178 na Bahia), ela acredita que a realidade encontrada é um demonstrativo de um problema mais amplo:

“Como engenheira, eu vejo que há um descaso com o sistema elétrico, em geral”.

Abaixo, uma lista das condições dos principais museus de Salvador. Os espaços foram escolhidos com base no número de frequentadores, acervo e idade. Em posse das imagens e problemas apresentados, a professora explica como alguns ‘erros’ podem, por exemplo, chegar a provocar curto-circuito e incêndios.

Dos seis equipamentos mapeados, três são administrados pelo Ipac que, em nota, afirmou investir anualmente nos seis museus sob sua tutela um valor de R$ 864 mil para preservar os equipamentos e as 58 mil peças.

Os museólogos ouvidos pela reportagem durante a semana e alguns coordenadores, sob anonimato, revelaram que, para a manutenção dos museus, o grande problema é o financiamento. Segundo eles, pequeno para manter as instituições. A mestre em Museologia Genivalda Cândido comenta a questão do financiamento:

“A verba [com o Ipac] é feita aleatoriamente. Na verdade, de acordo com o registro de visitação, aquela assinatura das pessoas que visitam os museus. Mas, muitas visitas acontecem sem assinatura. Então, às vezes, não há recebimento do que deveria receber”.

Daí, surgem os problemas estruturais encontrados nos museus visitados. “Se não há verba é o que acaba existindo. Num museu que trabalhei, por exemplo, eu sempre solicitava uma contrapartida de quem usava o museu. Doar uma lâmpada, algo que estávamos precisando. O museu não consegue manter isso”, diz a museóloga.

Riscos
Um dos erros encontrados em parte dos museus, aparentemente inofensivo, é o emendo de condutores elétricos com, por exemplo, isolantes. A professora Antônia Brito explica os riscos. O curto-circuito seguido de incêndio é o principal deles.

“[As emendas] podem provocar um ponto quente, que pode provocar uma degradação da isolação. Quando se perde a capacidade isolante, o risco é real.  Na verdade, não é nem indicado fazer uma emenda sem concepção técnica”.

A destruição total do Museu Nacional do Rio de Janeiro, no último dia 2 de setembro, é, inclusive, relacionada informalmente a um curto-circuito, segundo o ministro da Cultura, Sérgio Leitão. Outro problema comum encontrado nos museus de Salvador é a falta de proteção dos fios. Novamente, um risco.

“O ideal seria um eletroluto de PVC para que os condutores [fios] passassem ali dentro. Ficaria muito mais seguro. Principalmente nos locais com madeira, que é altamente inflamável”.

A periodicidade de trocas nas redes elétricas nos museus não é definida por nenhuma legislação específica. Mas, no caso da Lei de Manutenção Predial, por exemplo, a indicação é de que haja vistoria técnica nos prédios de cinco em cinco anos. Quando seria, então, necessária a troca? A professora responde:

“Com a manutenção, a percepção fica muito maior. Quando se vê muitas emendas, oxidações… é um sinal disso”.

Os problemas foram reportados ao Ipac, que, ainda assim, não respondeu quando os problemas seriam solucionados. Nem se seriam. O Corpo de Bombeiros também foi procurado, por duas semanas, e não respondeu aos pedidos de entrevista.

Os mais antigos
MAB: o centenário da Bahia tem fios desencapados e armazenamento incorreto

O Cristo Crucificado do Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, foi encontrado, acredita-se, no ano de 1823. Está pregado na parede na saída da sala de exposição do segundo andar do museu. No mesmo espaço, a tela de Davi com a cabeça de Golias, réplica do século 17 atribuída a um discípulo de Caravaggio, pintor do original, é uma das peças mais importantes do acervo de 14 mil peças. Mas, mesmo no museu mais antigo da Bahia, Arte e História competem com descuidos.

Tomada ‘solta’ sobre a cabeça do Cristo crucificado (Foto: Fernanda Lima)

A cabeça de Cristo, por exemplo, está logo abaixo do fio de uma tomada. Os turistas de São Paulo, o casal Maria de Farias, 50, e José Antônio, reparam a proximidade. Ao perceber a reportagem, Maria comentou: “É quase ilusão achar que as condições nos museus serão melhoradas. Tomamos um choque [com o incêndio no Museu Nacional], mas imediatamente voltamos a essa inércia”.

Os problemas se estendem pela sala de exposição. E pela própria parte externa do chamado Palácio da Vitória, onde está instalado o museu. Lá, fios rodeiam o casarão e chegam a se embolar com as plantas. Ao entrar no museu, tudo está aparentemente bem cuidado. As paredes estão pintadas, os pertences dos visitantes precisam ser guardados num armário do museu, não há nenhum cheiro de mofo. No entanto, o olhar atento denuncia outros erros internos.

No teto, alguns fios de luminária estão remendados por fita isolante. O registro da rede elétrica, no segundo andar, também estava entreaberto quando a reportagem visitou o local –  o segundo museu mais popular da capital com 25 mil visitantes até julho. O elevador do prédio está sem funcionar há tempo suficiente para que até os funcionários tenham perdido as contas. No subsolo do museu, outros descuidos.

Basta descer as escadas para encontrar um Piano estilo Luís 15 envolto numa caixa de papelão do lado de fora das salas reservadas ao acervo; vidros encostados na parede; fios desencapados logo acima de um dos salões. O diretor afirma que os vidros serão transportados para uma sala anexa ao prédio até a próxima semana. Já o piano foi avaliado por um técnico e deve ser doado à Escola de Música da Universidade Federal da Bahia.

Emaranhado de fios na parte externa do museu (Foto: Almiro Lopes)

Há dois anos na direção do espaço, Pedro revela algumas das mudanças já realizadas no museu: aprovação de dois projetos na Lei Rounet para requalificação da área do acervo permanente no valor de R$ 2,7 milhões; restauração dos quadros República, de Manoel Rodrigues, e de um raro retrato de D. Pedro II ainda criança, de Luiz Gomes Tourinho; e restauro das portas, janelas e do gradil frontal.

Instituto Feminino da Bahia: após 84 anos, museu terá rota de fuga
Pela primeira vez em quase 84 anos, o Instituto Feminino da Bahia, no Politeama, terá uma rota de fuga para casos de emergência. O segundo museu mais antigo de Salvador, inaugurado com a criação do Museu de Arte Popular, em 1931, vivia, até então, com a “proteção dos santos”, segundo a diretora do espaço, Consuelo Medauar. O acervo do museu, composto por quase 14 mil peças do arquivo do museu, no entanto, ainda convive com inseguranças.

No terceiro andar do Instituto Feminino da Bahia, a saia e o manto usado pela Princesa Isabel no dia 13 de maio de 1988 é o tesouro do Museu do Traje e do Têxtil – um dos três museus do Instituto, seguido do de Arte Popular e do Henriqueta Catarino. Na cabine de vidro, o vestido parece protegido de qualquer intempérie. Parece. Quando a reportagem esteve no local, o calor era intenso e alguns fios escapavam do teto. O problema foi notado do primeiro ao terceiro andar. A visita é guiada por museológa e fotos do acervo são proibidas.

Ainda assim, somente mês passado, decidiu-se por chamar o Corpo de Bombeiros para elaboração de uma rota de fuga. Há hidrantes espalhados pelo Instituto, mas a falta de mapas impede uma localização precisa no espaço.

“É hora de se apegar ao poder da ciência também”, ri Consuelo.

No dia de recolher os dados do Instituto, Consuelo lembra:

“O bombeiro disse: isso aqui, como está, está  um armengue. Não me trouxeram o projeto ainda. Mas estamos esperando para colocar as mudanças em prática. A gente viu o do Rio de Janeiro o que aconteceu, né?”.

Quando for concluído, o projeto cuidará do espaço criado por Henriqueta Chatarino em 1923 originalmente para auxiliar as mulheres, jovens e mais velhas. No local, hoje administrado com suporte da Arquidiocese de Salvador, cursos gratuitos e atividades filantrópicas consolidaram o Instituto como um núcleo feminino. Hoje, com os três museus, o projeto também deverá dar fôlego à preservação de todas as memórias ali guardadas.

Museu de Arte Sacra: nem a fé resiste à degradação
Quando foi inaugurado após um ano de restauro, em 1959, o Museu de Arte Sacra, no Dois de Julho, seria o grande centro de memória católica na Bahia. Conseguiu. Do século 16 à contemporaneidade, as obras do museu, o terceiro mais antigo de Salvador, são uma evocação à fé. O que não significa ausência de problemas. Numa tarde de terça-feira, a reportagem encontrou um museu quase completamente sem extintores, por exemplo. Das 28 salas, somente três possuíam o dispositivo. A justificativa? Os antigos extintores estavam vencidos.

Ao perceber a curiosidade da reportagem sobre a falta de extintores, é um funcionário quem explica:

“Tiraram daqui porque tava vencido. Mas sei não, deixar assim, mesmo que um dia, sem suporte…”

Logo depois pisa forte no chão de madeira, bate o pé para justificar a incoerência: “Ainda mais com isso aqui tudo de madeira [material inflamável]”. A Universidade Federal da Bahia (Ufba), responsável pelo espaço, não respondeu à reportagem por uma semana.

Os problemas com a fiação elétrica são quase imperceptíveis no espaço. Apenas duas tomadas estavam com o suporte [parte de sustentação na parede] frouxo. Ainda assim, não soltos ou com exposições de fios desencapados – como no caso do Museu de Arte da Bahia. Sobre a aparência, não fosse uma parede descascada, não haveria nenhum problema visível.

Uma das poucas visitantes do museu naquele dia, a aposentada Andreia Guimarães, 68, sintetiza o museu:

“É como quase enxergar. Você vê tudo isso aqui [aponta para as imagens de Cristo crucificado] e acha lindo. Porque é belíssimo. Mas depois, parece que você enxerga melhor e as coisas parecem ser vistas. Não estar com o extintor… parece ser mais chamativo que qualquer outro obra”.

Os mais populares

Palacete das Artes: os fios e infiltração do museu mais visitado de Salvador em 2018
Na Rua da Graça, o Palacete das Artes é o museu mais frequentado de Salvador este ano. O que, para o Ipac, é resultado da temporada de exposições como Frida e Diego: um sorriso no meio do caminho e a performances artísticas. Lá, os visitantes também podem ver parte da obra do escultor francês Auguste Rodin. E, caso se atenham ao prédio, outros detalhes não tão artísticos, como o emaranhado de fios no último andar e a infiltração no segundo piso.

O casarão branco foi concluído em 1912, por ordem do comendador Bernardo Martins Catharino. A casa serviu de abrigo para a família de Catharino, cuja uma das filhas era Henriqueta, fundadora do Instituto Feminino da Bahia. Somente em 2007, o prédio é elevado à condição de museu. Desde então, no entanto, não houve qualquer outro reparo na rede elétrica, segundo funcionários ouvidos sob anonimato.

O estado de conservação do prédio e as condições de funcionamento são, aparentemente, boas. Mas, alguns erros escapam. Na subida para o terceiro andar do casarão, por exemplo, uma infiltração na parede azul já toma quase toda a parede. Do teto, ainda no mesmo pavimento, cai uma goteira rala, mas insistente. O problema parece estar mesmo no último andar, completamente revestido de madeira: os fios, alguns cobertos por fita isolante, se enrolam no cão e cruzam até a estrutura do piso, do teto e da parede.

Procurados, tanto a administração do Palacete quanto o Ipac não responderam à reportagem.

Museu de Arte Moderna: obra revitalizará rede elétrica após 21 anos
O Museu de Arte Moderna (MAM), na Avenida Contorno, tem uma situação diferente dos demais museus: há dois anos, passa por obras de requalificação. Em sua história, é a terceira grande intervenção. No acervo do terceiro museu mais visitado de Salvador (mais de 36 mil de junho de 2017 a julho de 2018), exposto no Casarão do museu, Alfredo Volpi, Sante Scaldaferri, DiCavalcanti e Carybé.

No teto de madeira, há um tubo de PVC pelo qual passam parte dos fios. Mas, muitos escapam do canal e apresentam remendos de fitas isolantes em alguns condutores. Abaixo delas, A Vaca, de Carybé, e o Vendedor de Passarinhos, de Portinari. Apenas algumas das obras convivem com os erros na rede elétrica. No acervo, são 1,3 mil peças.

Fios expostos no MAM (Foto: Fernanda Lima)

Os problemas elétricos e no entorno do museu já são reparados por uma reforma há dois anos. De resto, há extintores disponíveis na única sala aberta à visitação, o Casarão. Quando for finalizada a intervenção, prevista para outubro, os problemas estarão solucionados, garante Zivé Giudice, diretor do MAM. Zivé reforça:

“As condições de guarda e de segurança do acervo do MAM têm sido satisfatória no que se refere a ameaça de sinistros. A reforma por que passa o Museu de Arte Moderna da Bahia dotará o museu de uma reserva técnica, que atende aos padrões internacionais de preservação e guarda de acervo”.

Carlos Costa Pinto: exemplo de boa preservação 
O Museu Carlos Costa Pinto, na Vitória, é um ponto fora da curva no quesito preservação. O dono do terceiro maior acervo de arte, com 3,7 mil peças, possui extintores à vista em todas as salas, os fios estão cobertos por proteções de PVC, há rota de fuga e até locais específicos para carregar equipamentos. Anualmente, os funcionários do museu também recebem treinamentos de uma empresa eletricista. Lá, adota-se um comportamento fiscalizador, não corretivo.

A diretora do museu, Bárbara Carvalho dos Santos, explica que, em 2015, o casarão de 1958 passou por mudanças na rede elétrica.

“Também temos subestações para pessoas que vem, por exemplo, filmar. Os funcionários levam para locais específicos para não sobrecarregar nosso sistema elétrico”, diz.

O museu é privado e mantido, principalmente, por editais do Fundo de Cultura, do Governo do estado, pela Federação de Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e por doações dos sete conselheiros. A principal dificuldade, na verdade, é financeira. “Mesmo cuidando do acervo, não fazemos tudo que gostaria. Agora mesmo estou precisando fazer uma pintura, tem dois anos, e não fizemos”, afirma.

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Mas, como cuidar do patrimônio?
A partir da década de 80, mas com intensidade no Brasil no milênio seguinte, os museólogos começaram a acreditar num novo movimento: o da Nova Museologia. Nele, os acervos seriam, na medida do possível, itinerantes. A ideia seria tirar os museus dos muros para levá-lo às escolas, congressos, palestras. A preservação da memória, afinal, estaria além de restauros e obras; seria uma ação conjunta feita a várias mãos.

O museólogo José Cláudio Alves de Oliveira, professor do Departamento de Museologia da Universidade Federal da Bahia, justifica:

“Não esperar que as escolas vão ao museu é fundamental. Os museus têm divulgação nas mídias eletrônicas. Ir para escolas fazer palestras, por exemplo. Não é só uma visita rápida. Mas também ações artísticas, por exemplo, cativando o público”.

Na Bahia, a iniciativa é restrita ao Museu Geológico da Bahia. Os outros ainda esperam as visitas. Embora já despertem para o novo. O diretor do MAM, Zivé Giudice, despertou há anos. O projeto MAM Abraça as Crianças, na 16ª edição neste domingo, das 14h às 17h, foi lançado justamente para atrair às crianças ao museu.

Com isso, seus pais, amigos e parentes. Giudice, que é também artista plástico, acredita que o incentivo da arte para os mais jovens incentiva um “ambiente inspirador”.

“Esse projeto se desenvolve nos espaços livres do MAM e neles são oferecidas oficinas de desenhos, pintura, modelagem em argila, bordados, colagens etc. Promover o sistema cognitivo das crianças através do ato criador e da convivência coletiva num lugar inspirador, certamente garantirá no futuro mais pessoas interessadas no MAM, na sua história, assim, governo e sociedade sentirão motivados a investirem mais e melhor nas artes”.

Do ponto de vista burocrático, a preservação da memória encontra-se num provável momento de mudança. No último dia 10, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), até então responsável por desenvolver e aplicar a Política Nacional de Museus (ações de preservação e fomento dos espaços), passou a ficar sob o domínio da recém-criada Agência Brasileira, com objetivo principal de coordenador a reconstrução do Museu Nacional.

A grande questão, para Zivé, é a diversificação dos investimentos. “O MAM precisa de um formato que lhe dê mobilidade para captar recursos nas leis de renúncias e incentivos fiscais, estimular o mecenato, fazer campanhas de doações envolvendo a sociedade no sentido de fazê-la também responsável pelos equipamentos públicos”, defende.

É justamente o que acredita a professora de uma escola particular de Salvador encontrada pela reportagem numa visita ao MAB com os alunos: museu é linguagem. Ainda na entrada do museu, vira para as crianças, entre 8 e 10 anos, e explica: “Dentro desse museu há também um presente”. Um presente que quer sobreviver para virar, também, o futuro.

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