Com café e bolo, candidatos tentam se humanizar na TV

Comida foi usada para ataque em 2014 e aparece em programas este ano

Arroz, feijão, bife, carne de panela, alface, tomate, pepino, café, queijo, pãozinho e bolo. Essa é a cesta básica que os candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e ao Senado conseguiram reunir no horário eleitoral televisivo até agora, somados já quinze dias de campanha.

Protagonista do ataque mais simbólico da campanha presidencial de 2014, a comida virou item obrigatório em propagandas de muitos candidatos. Há quatro anos, um vídeo da campanha de Dilma Rousseff mostrou alimentos sumindo da mesa de brasileiros como consequência da autonomia do Banco Central, proposta defendida na época por Marina Silva.

Em 2018, por enquanto, a comida não foi usada em ataques. Apareceu em propostas e mais vezes para tentar humanizar os candidatos.

Quem não toma um cafezinho? Ele apareceu na campanha de Eduardo Suplicy (PT) para eleger-se senador por São Paulo, na de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à Presidência, e na de Márcio França (PSB), que concorre para o governo de São Paulo.

Bebida associada ao trabalho e às tradições, o café apareceu primeiro com Suplicy, já no primeiro dia do horário eleitoral, em 31 de agosto. O candidato entrou em cena em uma cozinha, botou água para ferver, colocou duas colheradas de pó no coador e finalizou o processo jogando a água. Foi a confirmação da imagem que o petista gosta de passar, de um homem austero, simples e que se dispõe a colocar a mão na massa.

Romero Jucá (MDB) também mostrou vídeos simulando a apresentação de um programa televisivo, o Café com Jucá, no qual ouve líderes comunitários de Roraima, estado pelo qual quer se reeleger senador.

A imagem do arroz com feijão vem para reforçar a ideia de promessas de direitos básicos em duas campanhas, a de Fernando Haddad (PT) à Presidência e a de Paulo Skaf (MDB) ao governo.

No caso da propaganda de Haddad, o prato feito aparece em uma sequência de imagens, incluindo a de pãezinhos saindo da fornada, e é associada à criação de postos de trabalho. “Emprego quer dizer comida na mesa do trabalhador”, é dito enquanto passam as cenas.

O prato feito do emedebista Skaf vem na esteira das imagens que o candidato ao governo vem utilizando desde o início da campanha, de atividades escolares. São referências ao sistema de ensino subsidiado pelo sistema Sesi-Fiesp, que ele presidiu. Antes do close no prato, mostram-se estudantes na fila do bandejão, enquanto ele fala de “crianças na escola, saúde e segurança”.​

Rodrigo Pacheco (DEM), ao anunciar no horário eleitoral da TV sua candidatura ao Senado por Minas, faz a apresentação de pequenos produtores do queijo frescal, em zona rural do estado. A mensagem que ele passa é de um estado com a “vocação das pessoas serem do interior”.

Não faltou doce na propaganda. Ao visitar uma menina diagnosticada com câncer que está em São Paulo para tratamento da doença, Geraldo Alckmin (PSDB) leva a ela um bolo de açaí.

A ideia, diz o ex-governador na propaganda eleitoral, era fazer com que a paciente matasse a saudade de sua terra-natal, o Pará, que é produtor da fruta.

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