Ordem de serviço para construção do Centro de Convenções municipal será assinada nesta quinta

Equipamento na Boca do Rio terá investimento de R$ 105,2 milhões

Terá início hoje a construção do Novo Centro de Convenções de Salvador. A ordem de serviço será assinada pelo prefeito ACM Neto no canteiro da obra, no antigo Aeroclube, na Boca do Rio.

As primeiras máquinas chegaram nessa quarta-feira (5) ao local. As obras vão começar pela demolição do que ainda está de pé da antiga estrutura, depois haverá a limpeza do local e o início da construção. A estimativa é de que tudo esteja concluído até setembro de 2019.

O Centro de Convenções municipal terá capacidade para receber 14 mil pessoas simultaneamente em congressos e convenções, além de dois espaços para shows, um na parte interna e outro na área externa, com possibilidade de atender 20 mil pessoas.

O projeto foi feito pelos arquitetos André Sá e Francisco Mota. A estrutura do prédio será de concreto, sem aço aparente, para evitar os efeitos do salitre. Os vidros serão autolimpantes.

Eventos poderão receber 14 mil pessoas simultaneamente (Foto: Divulgação/ Secom PMS)

No formato de pomba, em homenagem à bandeira da cidade, o centro vai ter duas fachadas: uma de frente para o mar e a outra para a Avenida Octávio Mangabeira.

Nessa quinta-feira (5), durante a entrega de uma geomanta na Boa Vista do Lobato, o prefeito comentou sobre a construção do novo equipamento e disse que ele vai permitir que a cidade passe a ter ocupação o ano inteiro.

“Salvador hoje é uma cidade de sol e praia, com um fluxo muito grande de turistas no Verão. Agora, com o Centro de Convenções, a gente pode garantir que, ao longo dos meses de baixa estação, a gente possa atrair o turismo de negócios. Um turismo econômico importante para a cidade”, afirmou Neto.

As obras serão executadas pelo Consórcio CCS e devem gerar 300 empregos diretos. O investimento da prefeitura será de R$ 105,2 milhões. O novo Centro de Convenções faz parte do programa Salvador 360 e terá caráter multiuso, com capacidade para realizar eventos simultâneos de lazer e de negócios.

O titular da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), Cláudio Tinoco, informou que, depois de  pronto, o novo Centro de Convenções deve realizar de 25 a 30 eventos por mês e movimentar entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões por ano. “Durante muitos anos, Salvador foi o terceiro destino para o turismo de negócios, ficando atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas desde que o Centro de Convenções da Bahia foi interditado, a cidade perdeu essa posição. Agora, teremos um espaço moderno e equipado, pronto para atender as necessidades da cidade”, disse Tinoco.

Impactos
Na avaliação do presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (Febha), Silvio Pessoa, a construção do novo empreendimento terá impacto em toda e economia da cidade. Ele afirmou que, desde que o antigo Centro de Convenções (administrado pelo governo do estado, no Stiep) foi desativado, Salvador perdeu 20 mil postos de trabalho, apenas no setor de hotelaria.

“O impacto foi grande, porque o turismo é responsável por 20% do PIB da cidade e, quando há crise, o lazer é o primeiro setor afetado. O último grande evento realizado em Salvador foi em 2013, no antigo Centro de Convenções. Nos últimos cinco anos perdemos R$ 2 bilhões em eventos”, disse.

Ele também culpa a instabilidade na economia nacional pelo cenário. Há 30 anos trabalhando com turismo na Bahia, ele contou que essa foi a crise mais extensa que precisou superar. Pessoa afirmou que, depois que o novo centro for inaugurado, ainda haverá o desafio de atrair para Salvador os congressos que migraram para outras cidades nos últimos anos.

“Depois que ele for inaugurado, teremos outro desafio, porque os eventos que são realizados com a regularidade de seis meses ou um ano, por exemplo, são planejados muito antes. Eles já estão programados para ocorrer em outras cidades. Teremos que atrair novamente esse público”, disse.

Máquinas estão no local desde quarta-feira, 5 ( (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

Atualmente, existem 40 mil bares e restaurantes e cerca de 4 mil hotéis na Bahia. Em Salvador, são 420 hotéis e 8 mil bares e restaurantes. Eles são responsáveis por 200 mil empregos diretos e 750 trabalhos indiretos em todo o estado. A expectativa do setor é que o número seja ampliado com a inauguração do novo Centro de Convenções.

Desde que o antigo fechou as portas, os grandes salões foram substituídos pelos auditórios dos hotéis, com capacidade para, no máximo, 1,5 mil pessoas. Para a presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem, Ângela Carvalho, o novo empreendimento vai ajudar a atrair os grandes públicos.

De acordo com a prefeitura, o novo equipamento vai ser o terceiro maior entre os municipais e um dos dez maiores do Brasil. Capitais como São Paulo e Rio de Janeiro também têm centros de convenções municipais e foram consultados pelo município.

“O fechamento do Centro de Convenções atingiu todo o trade turístico, toda a cadeia sofreu com a crise. Salvador é uma cidade que vive de serviço, portanto, quando o novo espaço estiver funcionando, vai beneficiar toda a economia, dos hotéis e agências de viagens até o ambulante, que é uma economia informal, mas que também é afetada”, disse.

Ângela Carvalho afirmou ainda que a estrutura de Salvador é um fator positivo que funciona na hora de vender a cidade e aposta nisso para fazer deslanchar tanto o turismo de lazer como o de negócios. “Quando vendemos um evento em Salvador, as pessoas ficam interessadas também na cidade. A estrutura é um atrativo que conta na hora da decisão”, disse.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH), 10 mil dos 40 mil leitos existentes em Salvador estão no entorno do local onde será construído o equipamento. “Salvador vai ter uma nova dinâmica de ocupação a partir do momento que tiver novos eventos”, comemora Glicério Lemos, presidente da associação.

Gestão será licitada em novembro

O novo Centro de Convenções ficará pronto em setembro de 2019, e a prefeitura já está em busca de eventos para o local e da empresa que vai administrar o espaço.

Segundo o titular da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), Cláudio Tinoco, a licitação para definir a administradora será lançada em novembro deste ano. “Nossa expectativa é de que a empresa seja definida até março de 2019. A concessão será de 25 anos e está estimada em R$ 25 milhões.

A empresa será responsável pela operação e gestão do espaço, como a instalação das divisórias dos salões moduláveis e do sistema de videomonitoramento, por exemplo”, disse Tinoco.

O secretário informou ainda que a prefeitura fez um estudo de viabilidade econômica do espaço e que o conteúdo será apresentado para empresários em Salvador, ainda em setembro, e em São Paulo, em novembro deste ano. O objetivo é atrair novas empresas e investidores para o novo Centro de Convenções.

Tinoco contou que há um ano e meio a prefeitura está em contato com agências, promotores e organizadores de eventos e divulgando o novo equipamento. “Estamos negociando a realização de alguns eventos, mas ainda não há nada assinado. Acreditamos que, com o início das obras, teremos mais eventos”, afirmou.

Além dos hotéis, bares e restaurantes que ficam na região, a prefeitura estima que outros segmentos da economia, como taxistas e comerciantes, também vão lucrar com o novo Centro de Convenções. A expectativa é de que ele movimente cerca de R$ 700 milhões por ano.

A área total do terreno é de 103.119,24 m², e a área de construção será de 36.335,82 m². O local terá 1,4 mil vagas de estacionamento, 4 para ônibus e 16 para táxis, além de 10 vagas para caminhões com acesso independente para os auditórios. No térreo, serão oito auditórios moduláveis, com 800 m², praça de exposição, seis salões de 522 m², e dois foyers. No primeiro pavimento, serão construídas 12 salas, 28 espaços de reunião e mezanino para exposição. No segundo pavimento, vão funcionar dois restaurantes com vista para o mar, com 423 m² cada.

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