Maratona Cidade do Salvador atrai corredores brasileiros e estrangeiros

Prova vai distribuir R$ 163 mil em prêmios

Viajar é uma oportunidade para conhecer novos lugares. E, para isso, normalmente o turista bate muita perna para desbravar todos os cantos do local visitado. E tem gente que leva a sério esse negócio de andar como turista. Aliás, andar não, correr! É o crescimento do chamado turismo esportivo, que leva cada vez mais atletas a viajar para participar de provas longe da sua casa.

E Salvador está prestes a ser invadida novamente por corredores de todos os cantos do Brasil. Essa é a expectativa da organização da Maratona Cidade de Salvador, que será realizada no dia 23 de setembro e terá as distâncias de 5km, 10km, 21km e 42km. O objetivo deste ano é reunir o dobro de participantes e consequentemente atrair mais pessoas de fora da Bahia – no ano passado, na primeira edição da prova, dos 3.500 inscritos, 945 atletas eram de outras cidades.

Até o momento, corredores de 154 cidades vão representar 20 estados na prova. Vem gente do Mato Grosso do Sul, Amazonas, Roraima, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Tocantins, Brasília, Rio Grande do Sul e etc.

“Observamos esse movimento que no ano inteiro cada vez mais pessoas se deslocam da sua cidade para participar de corridas de rua. Salvador era uma das poucas capitais do país que não tinha maratona, por isso a criamos. Com todo o rigor técnico, mas com o nosso tempero. Desde música no percurso, show no final, várias modalidades, uma prova toda na orla. Ano passado foi um sucesso e esperamos melhorar ainda mais este ano”, explica Isaac Edington, presidente da Saltur – Empresa Salvador Turismo, responsável pela plataforma de eventos da cidade.

“Temos uma estratégia aqui na Saltur que é o ‘Salvador, cidade que corre’. Transformar a cidade em um dos maiores destinos da modalidade”
Isaac Edington, presidente da Saltur – Empresa Salvador Turismo

Além de estimular a prática esportiva, a Maratona Cidade do Salvador tem como objetivo promover a capital baiana como destino turístico. Estima-se que a prova movimente cerca de R$ 15 milhões no final de semana.  “É o que chamamos de ‘maraturistas’. Eles nunca vêm sozinho. Tem equipe, família. Movimenta os restaurantes na cidade, a rede hoteleira, geração de renda. Temos uma estratégia aqui na Saltur que é o ‘Salvador, cidade que corre’. Transformar a cidade em um dos maiores destinos da modalidade. Por isso mantemos parceria direta com a Federação Baiana de Triathlon e de Atletismo”, reforça Edington.

Triatleta
Entre os atletas de fora da Bahia já confirmados na Maratona Cidade de Salvador está Guilherme Santos. O representante comercial mora em Uberlândia, no triângulo mineiro, e, aos 33 anos, leva o esporte a sério. Guilherme se diz um atleta amador, mas é só dar uma rápida olhada no currículo dele para perceber que de amador não tem nada.

Ele já completou 29 meias maratonas (21km), seis maratonas (42km), quatro provas de Triathlon na distância olímpica (1500 metros de natação, 40km de ciclismo e 10km de corrida), sete Ironman 70.3 (1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21,1km de corrida) e um Ironman (3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42km de corrida). E muitas delas bem longe de Uberlândia.

Guilherme Santos vem de Uberlândia correr a Maratona Cidade de Salvador

Para fazer a sua primeira Maratona (42km), Guilherme escolheu um destino turístico que estava doido para conhecer: o Chile. Mas a regra era clara. Primeiro o desafio esportivo para depois curtir as belezas da cidade. “Se vou investir, gastar para ir lá então vamos fazer direito o treinamento. Passei cinco dias, dei uma ‘turistada’, principalmente depois da maratona. Você vê um monte de gente mancando, ‘turistando’ no outro dia (risos). É normal”, brinca.

E o turismo não fica restrito apenas para o pós-prova. A própria corrida é uma bela oportunidade para observar as belezas da cidade. “A gente treina muito o psicológico. Gosto de me desafiar, de superar o meu próprio tempo. Porém eu não deixo de curtir cada quilômetro de cada prova. A gente foca, é concentrado, mas a gente vai brincando, curtindo. A gente aprende no dia a dia. O treino é mais difícil. Você quer se dar bem na prova? Sofra no treino”, argumenta.

“Como eu nunca fiz nenhuma maratona no Nordeste, o maior desafio será o calor, que eu não estou acostumado muito. Vou estudar um pouco mais sobre o clima para fazer dentro do tempo previsto”
Guilherme Santos, que se diz amador mas tem currículo de profissional

Na América do Sul, além do Chile, Guilherme também completou uma maratona em Buenos Aires, na Argentina em 2016. Desafio que marcou o corredor e exigiu um bom controle emocional. “Eu tinha fraturado a tíbia e mesmo assim, com muito custo, eu fui lá e fiz a prova. O controle emocional ali foi exigido e acabou que dentro do possível, com a ajuda de amigos, profissionais que me ajudaram na área de reabilitação e tudo mais, eu consegui completar a prova”, revela.

E a corrida levou Guilherme para o outro lado do oceano Atlântico. Um dos momentos mais prazerosos do seu turismo esportivo foi quando correu 21km na França. “Fiz uma meia maratona em Paris que foi excepcional, entrando no Stade de France, que você sente toda aquela emoção da torcida. Eles colocaram um áudio como se fosse um jogo mesmo, uma final de campeonato. Uma experiência diferente”, recorda.

O próximo desafio será os 42km da Maratona Cidade do Salvador. “Ainda não conheço Salvador. Tinha colocado para mim que só iria fazer uma maratona por ano. Eu já fiz o Ironman que tem a maratona no meio, mas topei o desafio”, afirma o corredor que já está preocupado com o calor que irá encarar. “Como eu nunca fiz nenhuma maratona no Nordeste, o maior desafio será o calor, que eu não estou acostumado muito. Vou estudar um pouco mais sobre o clima para fazer dentro do tempo previsto”, finaliza.

Desafio
A jornalista Gilmara Gonçalves mora em Aracaju e também está se preparando para participar da prova em setembro. Gilmara começou a correr há uns três anos e meio quando se inscreveu para uma prova de 5km como uma forma de desafiar os próprios limites do corpo.

“Faço musculação há sete anos, mas eu ia correr na esteira e tinha aquela coisa da circulação nas pernas, não conseguia correr cinco minutos. Achava muito bacana as pessoas que corriam. É muito mais do que simples esporte. É toda uma motivação, uma energia positiva. Por isso eu me desafiei e fui. Não andei, consegui concluir e foi uma das maiores vitórias da minha vida”, enaltece.

Após se inscrever na Maratona Cidade de Salvador, Gilmara entrou em um grupo de corrida e na semana passada completou a sua primeira prova de 10km, distância que pretende repetir na capital baiana. “Quebrei esse gatilho mental do medo e estou supermotivada na expectativa que setembro chegue logo!”, celebra.

“Quebrei esse gatilho mental do medo e estou supermotivada na expectativa que setembro chegue logo!”
A jornalista Gilmara Gonçalves vem de Aracaju correr a Maratona Cidade de Salvador

Será a terceira vez que Gilmara sairá de Aracaju para correr. Já participou de uma prova aqui em Salvador e outra na Praia do Forte no ano passado. A distância é só um detalhe. “É claro que a corrida é só o motivo, né?! A gente acaba fazendo turismo, revendo os amigos. Vira uma festa. A corrida é a desculpa para estarmos juntos, confraternizar. É o esporte mais democrático que tem. Promove a união, toda aquela alegria”, fala.

PREMIAÇÃO
Em 2017, a Maratona Cidade de Salvador recebeu seis corredores de fora do país. A expectativa é ter mais atletas de outros países para que a prova entre de vez no calendário internacional da modalidade. “A cada ano vamos nos posicionar mais como internacional. Fizemos algumas associações com algumas organizações, cumprimos todas as normas, com um juiz de fora que faz a aferição da prova. Tudo isso nos habilita a ter uma prova de prestígio. Estamos subindo de patamar ano a ano” celebra Isaac Edington.

Um dos atrativos deste ano é a premiação. A Maratona distribuirá R$ 163 mil aos vencedores, a maior do país. Quem terminar os 42km em primeiro na Categoria Geral Masculina e Feminina vai embolsar R$ 22 mil, cada. A segunda colocação leva R$ 11 mil; a terceira, R$ 9 mil; e a quarta e quinta posições levam R$ 7 mil e R$ 5 mil, respectivamente. Além disso, quem participar da categoria 42km terá o resultado catalogado no Ranking Brasileiro de Maratonas. As outras categorias também têm prêmios, que vão de R$ 1 mil a R$ 8.500.

Além da Maratona Cidade do Salvador, a Saltur promove outros eventos esportivos durante o ano. Destaques para o Challenge Family, competição internacional de Triathlon que acontecerá em outubro, o Bike Run, que mistura o ciclismo e corrida pelas ruas do Centro Histórico, em novembro, e o Festival Náutico, que movimenta as águas da Baía de Todos os Santos, em novembro, em parceria com o Yacht Clube da Bahia. Ou seja, não faltam eventos para atrair mais turistas para a cidade.

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