Feira da Sé estreia dia 15 e consolida movimento nacional

Pesquisa revela que a quarta atividade mais consumida fora de casa é a feira de artesanato

Como você aproveita seu tempo livre? As feiras de artesanato ocupam o quarto lugar na preferência dos brasileiros quando o assunto é a atividade mais consumida fora de casa. Os dados são da pesquisa Cultura nas Capitais, lançada há três dias pelo instituto JLeiva Cultura & Esporte em parceria com o Datafolha. Mas não precisa de muito para perceber a predileção do público cada vez mais sedento por atividades de rua.

Basta observar que, de 2014 para cá, foram criadas pelo menos cinco feiras só em Salvador. A Feira da Sé, por exemplo, estreia dia 15 de setembro na Praça da Sé, no Centro Histórico, com a proposta de virar um evento fixo no calendário da capital baiana. Inspirada nas principais feiras de rua do mundo, como a tradicional Benedito Calixto, de São Paulo, a Feira da Sé encorpa o boom das feiras com programação gratuita de artesanato, moda, gastronomia, antiguidade, música e atrações infantis.

“Como toda feira, ela tem essa característica de manter viva a cultura local, de dinamizar o espaço e a economia. A gente quer que o soteropolitano coloque o Pelourinho na sua agenda diária, que não fique só nos shoppings e nas praias”, explica Claudia Vaz, diretora executiva do Instituto Antonio Carlos Magalhães de Ação, Cidadania e Memória, que realiza a Feira da Sé. “E não é só a feira. A região tem também o Museu do Carnaval, o Museu da Misericórdia, o Museu Afro Brasileiro…”, convida.

A iniciativa reforça o movimento que tem crescido em várias cidades, de sair de casa para curtir uma programação gratuita na rua. Entre os mais de dez mil entrevistados em 12 capitais pela pesquisa, 32% responderam que só aproveitam as atividades gratuitas, enquanto 40% priorizam mais as gratuitas do que as pagas. Em Salvador, as mulheres acima de 60 anos formam a maioria do público que frequenta as feiras.

“É um meio de diversão, onde a gente encontra várias pessoas. Gosto muito e fico chateada quando não tem. É um lazer muito bom”, aprova a bancária aposentada Gilia dos Santos, 68 anos, que não perde uma edição sequer d’A Feira da Cidade, pioneira em Salvador. “Já fui na edição da Barra, da Centenário, da Pituba, do Imbuí… Me sinto muito bem, apesar de não poder comer tudo, senão vou explodir”, conta rindo.

Ao todo, 60 expositores vão ocupar a Feira da Sé, no Centro, no dia 15 de setembro, das 10h às 18h (Foto: Divulgação)

Encontro ao ar livre
Transitar livremente e encontrar amigos em um espaço aberto “é o que as pessoas estão procurando”, acredita a presidente da Associação de Amigos da Praça Benedito Calixto, Maria Emilia Ciavaglia, 70, que realiza a Feira Benedito Calixto desde a sua fundação, em 1987. “Quando teve o boom dos shoppings, as pessoas iam passear confinadas. Isso praticamente acabou e hoje a política é: vamos pra rua”, completa.

Esse é um dos motivos do sucesso da feira que acontece há 31 anos na capital paulista e que inspira muitas outras no país. A Feira da Sé é uma delas. Com estrutura baseada nas barracas encontradas nas feiras de Praga, capital da República Checa, a Feira da Sé bebe na fonte do modelo de gestão autossustentável da Benedito Calixto. A ideia é simples: é como se fosse um condomínio que tem um valor mensal para permitir que a administração pague os custos com estrutura.

Outro aspecto da gestão que deve ser adotado no futuro é a administração feita por uma associação formada por expositores, poder público e sociedade civil. “Pesquisei as principais feiras do planeta. Conhecia a de Londres, do Caribe, de Roma, de Buenos Aires, descobri uma em Porto Alegre e, obviamente, vi nascer as feiras do Bixiga e da Benedito Calixto, que é muito estruturada”, conta a jornalista e empresária paulista Claudia Giudice, 52, que prestou consultoria para a Feira da Sé.

Radicada em Arembepe, onde administra uma pousada e uma loja de arte popular, Claudia destaca o impacto que um evento como esse provoca na região onde acontece. “No entorno da pracinha da Benedito Calixto, por exemplo, foram abertos vários negócios, como restaurantes, e mudou a cara do local. Essa é a intenção e a ideia da Feira da Sé, no sentido de fazer com que isso seja referência”, defende.

A Feira da Benedito Calixto acontece há 31 anos em São Paulo e inspira feiras de todo o país (Foto: Divulgação)

Atrativo turístico
Ao todo, 60 expositores vão compor a Feira da Sé e ocupar a região histórica no sábado (15), das 10h às 18h. A programação que pretende ser semanal vai acontecer, por enquanto, uma vez por mês até dezembro. Além de valorizar a cultura baiana com trabalhos de artistas da capital e do interior, a feira investe na culinária local com o Museu da Gastronomia.

Antiguidades, artesanato, oficina de cerâmica e tecido estão no evento que faz parte da Semana de Ação, Cidadania e Memória. Brincadeiras infantis, artistas de rua, música e manifestações populares que vão interagir com o público também estão na programação. Entre os trabalhos expostos, estão os vestidos de tampinha feitos pelo ex-pedreiro e estilista Joel Souza; as esculturas de jornal feitas pelo artesão Samuel Cruz; e as réplicas de saveiros de Ubiraci Portugal.

Além disso, quem quiser fazer renda bordada vai poder aprender no espaço dedicado à confecção de rendas de bilro. Numa máquina de tecelagem serão criados, ao vivo, artigos como jogo americano, centro de mesa e tapete, durante o evento que conta com apoio do Sebrae, da Prefeitura Municipal de Salvador, do Sesc, Senac, da Rede Bahia e do Delta Parking.

Valorizar a cultura baiana em um lugar significativo como o Centro Histórico, portanto, é a proposta da Feira da Sé que busca atrair ainda mais pessoas para a rua. “Quando essas feiras se tornam fortes, viram um atrativo turístico. É uma coisa muito bacana que tem que ser cuidada com muito carinho”, garante Claudia Giudice.

Barraca feita de madeira e lona, usada na feira de Praga, na República Checa, inspirou a Feira da Sé (Foto: Claudia Giudice/Divulgação)

Compartilhar