Após prisão de dono por estelionato, Siriguejo Delivery continuará a funcionar

Comunicado foi feito pelas redes sociais da empresa

A empresa Siriguejo Delivery publicou, na manhã desta terça-feira (07), uma nota em suas redes sociais comentando a prisão de Rodrigo Soares Góes, 41 anos. Dono do Siriguejo Delivery, famoso por fornecer frutos do mar a famosos de várias áreas, Rodrigo usava a credibilidade do estabelecimento para estreitar laços com os clientes e, posteriormente, aplicar o golpe. Ele tinha um mandado de prisão em aberto e já responde a dois processos e um inquérito por estelionato.

“Diante dos fatos noticiados em referência ao nosso serviço, o Siriguejo Delivery reafirma o compromisso assumido com nossos clientes de sempre atendê-los com dedicação e excelência. Tendo como objetivo ser referência como delivery de frutos do mar em nossa maravilhosa cidade. Ainda que com falhas em nossa administração, das qual fica a justiça encarregada de julgar e punir a responsabilidade por qualquer prejuízos causados a nossos clientes. Seguimos como baianos que somos frente as dificuldades não retrocedemos e as nossas atividades permanecem com toda energia, cheiro e sabor de dendê”, afirma a empresa.

Foto: reprodução

De 2012 até agora, são 21 denúncias. A polícia acredita que o número, tanto em dinheiro quanto em vítimas, seja ainda maior. Os golpes, no entanto, não têm uma ligação direta com o Siriguejo Delivery. A empresa, que funcionava normalmente, era utilizada apenas como uma espécie de “laranja” para sua real fonte de renda que, segundo a polícia, eram os golpes.

Apresentado à imprensa nesta segunda-feira (6), o empresário manteve-se boa parte do tempo com o rosto coberto por uma camisa e se limitou a dizer que é casado e tem filhos.

‘Amigos’ na Receita
Titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), a delegada Carla Ramos explicou que após criar um vínculo com seus clientes do delivery – pessoas, em geral, de classe média alta -, o suspeito dizia que era amigo de funcionários da Receita Federal e poderia conseguir, por exemplo, um iPhone X (que custa cerca de R$ 7 mil) por R$ 1.900.

“Essas pessoas, então, acreditavam nele e depositavam o dinheiro. Só este ano, em um inquérito que apura 21 denúncias, são R$ 100 mil. Ele dizia que um amigo próximo poderia conseguir, por meio do leilão da Receita, esses produtos. São celulares, TVs, notebooks. Ele já deu golpe até em uma escola particular”, afirma Carla.

Inicialmente, a Polícia Civil havia divulgado que os golpes chegaram a render R$ 300 mil ao suspeito, mas a informação foi retificada.

Ainda de acordo com a delegada, não há qualquer relação entre Rodrigo Soares e funcionários da Receita. A Polícia Civil afirma, inclusive, que não existiam celulares, notebooks ou qualquer outro eletrônico. “A imagem dele com os clientes era tão bem construída, que ele estava acima de qualquer suspeita”, acrescenta.

Investigação
Os golpes de Rodrigo vieram à tona depois que cinco médicas procuraram a polícia para registrar os casos. “Depois de começar a investigar a vida dele, outros casos foram surgindo. Houve golpe contra uma escola particular e um escritório de advocacia, todos em Salvador. Descobrimos o endereço do delivery por meio das redes sociais”, informou a delegada.

O que a polícia não esperava, no entanto, era que a sede do Siriguejo já havia sido transferida, como Rodrigo costumava fazer periodicamente, segundo a delegada, para dificultar sua localização.

Delegado do Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), Delmar Bittencourt afirmou que Rodrigo é estelionatário e agiu nos mesmos moldes em todos os casos investigados.

“Ele é uma pessoa escorregadia. Quando fomos prender ele, no sábado, ele já tinha mudado a sede do Nordeste de Amaralina para o Vale das Pedrinhas. Mas o encontramos e ele não resistiu à prisão”, comentou Bittencourt, acrescentando que a loja está em nome de uma terceira pessoa que, segundo o próprio Rodrigo, é um laranja.

“Ele não tem absolutamente nada em nome dele. Em depoimento, disse que costumava ganhar R$ 12 mil por mês com o delivery, mas que no verão a renda era maior. Só que nunca a ponto de bancar o que ele fazia. Mudar de carro, mudar a sede da empresa – que costumava ser alugada. Um outro ponto é que ele dava muitos calotes nos locatários desses imóveis”, completou. Rodrigo está preso por estelionato, mas a polícia investiga a possibilidade de outros crimes.

Sede da empresa funcionava no Nordeste de Amaralina 
Foto: Bruno Wendel

A sede do negócio funcionava até o mês passado na rua Mestre Bimba, no bairro do Nordeste de Amaralina, no andar térreo, sem nenhuma plotagem ou indicação de que ali era o espaço da empresa. Um familiar da dona do prédio informou que Rodrigo alugava o espaço há cerca de 1 ano. Ele deixou o prédio pois estava devendo os aluguéis. O aluguel era de R$ 800 por mês.

Os atrasos dos pagamentos do aluguel começaram a ser constantes depois dos três primeiros meses.  Moradores da região afirmam que mesmo depois que a sede da empresa saiu do local muitos credores ainda procuram Rodrigo por lá em busca de receber pagamentos.

Na manhã desta segunda-feira (6) uma pessoa ligada a Rodrigo esteve no local e pegou alguns objetos. A poucos metros do local ele montou uma pizzaria que foi fechada também por falta de pagamento de aluguel.

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