Aeroporto de Salvador tem ‘pracinha’ com comida mais barata; saiba onde é

Água mineral por R$ 2, café com leite por R$ 2,50 e misto com vitamina por R$ 11

O preço dos cardápios dos estabelecimentos instalados dentro do Aeroporto Internacional de Salvador rendeu ao terminal a pior avaliação do Nordeste no custo-benefício dos restaurantes e lanchonetes, conforme Pesquisa de Satisfação do Passageiro feita pelo Ministério dos Transportes, que ouviu passageiros em 20 aeroportos do país e foi divulgada nesta terça-feira (31).

Mas basta deixar o prédio principal do aeroporto, atravessar as duas pistas em direção ao estacionamento e chegar aos seis quiosques da ‘Pracinha do Acarajé’ para a fome não deixar passageiros e funcionários de mau humor.  No local, além de acarajé, tem hambúrguer artesanal, salgados, açaí e bebidas com preços mais em conta (confira abaixo).

A comissária de bordo Cristina Correa, 34 anos, faz o trajeto de pouco mais de 10 metros há mais ou menos cinco anos e meio desde que Salvador passou a ser sua base.

“Eu estou por aqui pelo menos uma vez por semana e ficar comendo lá dentro é impraticável para quem trabalha por aqui”, declara Cristina.

Cristina adotou a Pracinha do Acarajé, como principal point para fazer suas refeições.

A ‘praça da economia’ que faz parte da estrutura do aeroporto é pouco conhecida –  a sinalização não ajuda.

Enquanto nos quiosques, lanchonetes e restaurantes de dentro do aeroporto um misto quente pode sair por até R$ 14, na praça é possível encontrar o mesmo misto quente acompanhado de uma vitamina de banana por R$ 11.

O cafezinho além de mais barato na praça, é mais bem servido. Isso porque enquanto na lanchonete Tabuleiro Sabor da Bahia um expresso de 120 ml sai por R$ 6,50 e o de 180ml por R$ 8,50, na praça o café com leite no copo de 200 ml é R$ 2,50.

Na ‘pracinha da economia’ é possível encontrar também salgados e fatias de torta por R$ 6, energético por R$ 10 e até água de coco por R$ 4. Os preços atrativos ‘fidelizaram’ Cristina.

Veja os preços:

ProdutoPreço dentro do AeroportoPreço na Praça do Acarajé 

Água Mineral (500ml)

R$ 5R$ 2

Café Expresso (120ml/180ml)

R$ 6,50 / R$ 8,50R$ 2,50 (200ml)

Energético (200ml)

R$18R$10

Misto Quente

até R$ 14R$ 11 (com vitamina de banana)

Sanduíche Natural

R$ 16,50x

Salgados

até R$ 11R$ 6TortaR$ 14R$ 6Açaí (500ml)R$ 26A partir de R$ 8Água de coco (290ml)R$ 7,50R$ 4

A nota do Aeroporto de Salvador no item custo-benefício dos restaurantes e lanchonetes foi 2,7 – em contrapartida, em satisfação geral, o aeroporto teve nova 4,27, acima da meta estabelecida pela Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias (Conaero), que é 4. A nota inclusive aumentou – subiu de 3,86, contabilizada no mesmo período do ano passado, na escala em que a pontuação máxima é 5.

Nota baixa
Além do custo-benefício dos restaurantes e lanchonetes, o Aeroporto Internacional de Salvador foi mal avaliado na disponibilidade de tomadas (3,34).

Apesar dos dados da pesquisa, há quem não se incomode nada com os preços do aeroporto. A educadora física Adriana Tisott, 35, é uma dessas pessoas e disse ter achado os preços até razoáveis se comparados com os de sua cidade natal.

“Em comparação com Porto Alegre aqui é muito mais barato, além de ter mais opções também. Nem parece que eu estou em um aeroporto”, avalia.

Quantidade de tomadas no aeroporto gerou nota baixa (Foto: Mauro Akin Nassor)

O baiano e mergulhador profissional Fábio de Queiroz, 36, viaja pelo menos a cada 15 dias e diz que até evita comer no aeroporto quando precisa viajar. “Eu acho tudo muito caro, mas isso é em qualquer aeroporto né?”, aponta.

Quando perguntado sobre a falta de tomadas disponíveis no local ele disse que nunca ficou na mão por esse motivo. “Sempre estou por aqui e nunca notei essa falta de tomadas”, disse.

Outras queixas
Uma queixa frequente nas entrevistas realizadas foi em relação à sinalização no local. O casal Margarine Felipe, 46 e Álvaro Alves, 50, acabaram encontrando a praça de alimentação meio que por engano. “Quando desembarcamos, só encontramos algumas lanchonetes e cafés, não sabíamos que haviam mais opções para comer”, contam.

Outro problema causado pela sinalização foi justamente em relação aos fraldários do local. A dona de Casa Telma Almeida, 55, até chegou a pedir informações sobre a localização do fraldário para trocar sua pequena Alice, de 4 meses, mas o local indicado estava fechado. “Tive que trocar no carro, mesmo”, lembra.

Por meio da assessoria de imprensa, a  administradora do aeroporto Vinci Airports informou que a sinalização interna e externa deverá ser melhorada em breve, assim como a capacitação de seus profissionais que ainda não se adaptaram às recentes mudanças na estrutura do local para dar informações mais assertivas.

“Atualmente, o equipamento passa por obras de modernização e ampliação. As intervenções vão proporcionar um ambiente mais moderno, funcional e agradável de estar a todos os usuários. Com a reforma, novas tomadas serão instaladas, de forma a disponibilizar uma oferta adequada à demanda existente. Também serão realizadas melhorias na sinalização interna e externa”, garante a concessionária.

Quanto ao preço dos alimentos, a empresa garantiu que, após a conclusão da primeira etapa da reforma, no segundo semestre do próximo ano, novos estabelecimentos comerciais deverão ser integrados ao aeroporto, além das marcas que já estão presentes, o que deverá proporcionar mais opções e variedade de preços.

A Vinci Airports  ainda disse estar realizando um trabalho de sensibilização junto aos seus subconcessionários em relação aos valores cobrados pelos produtos ofertados para que esses não ultrapassem muito o que se espera.

(Foto: Mauro Akin Nassor)

Melhorias
O aeroporto ficou com nota acima da média em 28 das 37 categorias avaliadas. A subida representa o maior avanço entre os aeroportos do Brasil, isso porque no mesmo período do ano passado a nota geral de satisfação do aeroporto era 3,86. Veja aqui a nota que o Aeroporto de Salvador teve em cada uma das categorias abordadas na pesquisa.

A melhoria é bem vista pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH) Glicério Lemos. Ele ressalta que esta avaliação positiva é muito importante para o turismo da Bahia. “O Aeroporto deixava muito a desejar e precisava realmente que uma empresa assumisse porque a Infraero não dava conta e não tinha a competência necessária para administração do empreendimento. Até que o aeroporto chegou em um nível péssimo de satisfação”, afirma.

Atualmente o presidente enxerga a nova administração e esta avaliação positiva de forma otimista, isso porque ele considera que o aeroporto é o cartão de visita da cidade e a primeira impressão que se tem dela. “O metrô, o novo centro de convenções e a revitalização da cidade em geral. Todas essas mudanças contam muito para o aumento do turismo na cidade e estou contente com essas mudanças”, argumenta.

Ele ainda lembra que a atual gestão já fez algumas melhorias nos sanitários, na refrigeração do ambiente e uma série de outras coisas, mas, segundo ele “ainda há muito a se fazer”, defende.

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