Rio Vermelho, bairro de Salvador, terá marca própria

São 162 empreendimentos com 17 tipos de culinária e capacidade de atender mais de 19 mil pessoas sentadas simultaneamente. O tamanho do Rio Vermelho, medido em pesquisa pelo Sebrae da Bahia, surpreendeu os próprios empresários da área, que solicitaram ao órgão um trabalho específico para transformar o bairro em um polo gastronômico e cultural com o objetivo de aumentar o fluxo de pessoas  (turistas, moradores e frequentadores) e o gasto médio nos bares e restaurantes locais. Apresentado em maio, o estudo começa, agora, a render frutos. O primeiro deles é a criação de uma marca- lugar (espécie de selo de donominação de origem mas sem o objetivo de atestar qualidade) para identificar o território gastronômico cultural do Rio Vermelho, criando uma comunidade que inclua tantos os empreendedores quanto moradores e frequentadores. Ana Paula Almeida, coordenadora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae-Ba e responsável pelo estudo, afirmou que o segundo passo é um maior investimento em divulgação. “Hoje, o turista é jogado ali e, sem saber aonde ir, senta-se no primeiro boteco que encontra”, diz. Os primeiros esboços da marca serão apresentados a um grupo de empresários do bairro em agosto. Marina Rezende, proprietária da Dendê Brand, empresa localizada no território, é quem está à frente da criação da marca. “A pesquisa indica que o Rio Vermelho tem uma percepção muito variada, com a questão cultural tendo muita força. Provavelmente teremos mais de uma logo (ligada à marca)”, destaca.

Divulgação – A questão cultural referida por Marina envolve, entre outras coisas, as menções feitas pelos frequentadores à festa de Iemanjá e ao fato de o Rio Vermelho ser endereço de moradia de diversos artistas. A pesquisa também mostrou que a fama de ser um bairro boêmio persiste e agrega ao território valores ligados ao entretenimento e à juventude. “A maioria dos frequentadores são jovens, vão mais à noite e gastam pouco”, afirma Ana Paula, que ressalva: “Com toda essa diversidade encontrada, não faz sentido o Rio Vermelho ser só um bairro boêmio. Quando você passa ali num domingo de tarde você vê um bairro deserto.  Tem de atrair um público familiar, que gasta mais. Você sabia que no Rio Vermelho tem 17 restaurantes com parquinho? Ninguém sabe”, completa ela para mostrar a importância da divulgação para que todo o potencial do território seja transformado em realidade. A principal dificuldade para isto, segundo a própria Ana Paula, é a falta de união entre os empresários. “Eles (empresários) precisam se unir em prol do território. Nem tudo é papel ou dever do poder público. Fazer um mapa (indicando bares, restaurantes e museus) não é dever do poder público. Fazer exposições com artistas do bairro é uma ação que pode ser feita pelos empresários e atrai clientes. Juntos, os empresários podem fazer compras coletivas em um mesmo fornecedor negociando um melhor preço”, cita. Ana Paula espera que esta união aconteça de fato para que novos frutos aconteçam até o verão. No momento, pensa-se em uma revista e em uma plataforma digital para divulgar os empreendimentos do território.

Pesquisa – O estudo do Sebrae entrevistou 162 empresários e 1.273 frequentadores do Rio Vermelho em outubro do ano passado. O primeiro objetivo foi tentar criar um mapa para os turistas. Mas como a pesquisa indicou um potencial maior, os empresários pediram o aprofundamento do trabalho para a criação do polo gastronômico e cultural. Também foi criado um grupo de trabalho para discutir a infraestrutura do bairro. Este segundo grupo, contudo, não evoluiu. Segundo Ana Paula, o Sebrae iniciou levantamentos nos bairros da Barra e do Centro Histórico, mas em nenhum deles foi pedido um foco na questão gastronômica. A maior preocupação da Barra é com a mobilidade e o Centro Histórico é um território tido como muito complexo pois envolve o diálogo e a articulação com diversos órgãos. Contudo, o Sebrae está ajudando na criação de um segundo polo gastronômico na Bahia, em Arraial d’ Ajuda (Porto Seguro). “Lá os empresário estão muito engajados e se reúnem a cada 15 dias. A iniciativa tem tudo para dar certo”, afirma.

Compartilhar