Mistério no Pelô: 14 casas de mesma rua têm quedas de energia há dois meses

A interrupção afeta residências de um único lado da rua

Não há quem possa explicar. As causas são desconhecidas por moradores e comerciantes da Rua das Laranjeiras, no Pelourinho. O que se sabe é que 14 casarões, entre os meses de junho e julho, ficaram às escuras oito vezes – a última na manhã desta quinta-feira (26). Para deixar a história mais intrigante, as interrupções de energia elétrica só atingiram àquelas residências que ficam à direita da via sentido Terreiro de Jesus.

A luz, quando desaparece pela manhã, só volta no final do dia, deixando os comerciantes preocupados e no prejuízo. Todas as vezes que a energia falhou, os comerciantes a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) foi acionada e enviou técnicos para o local. Mas, ao passar alguns dias, os usuários já não podiam mais contar com o serviço da empresa. A energia ia embora outra vez.

Laura Adamatti, da Pousada Solar das Artes, às escuras. Os hóspedes acabam sem serviços como banho quente e telefone  (Foto: Mauro Akin Nassor)

Prejuízos
Os prejuízos causados pela falta de luz são variados, vão de 40 garrafas de vinho branco, um televisor queimado até um dia inteiro de trabalho perdido. Quem teve o azar enólogo de levar ao lixo as garrafas da bebida foi a escritora, pensadora cultural e colunista do jornal Correio da Bahia, Aninha Franco, dona da República-AF.

A geladeira, onde estavam guardados os vinhos, funciona tanto como refrigerador, quanto como freezer. Em uma das vezes que o serviço foi interrompido, o eletrodoméstico, que estava em modo refrigerador, mudou automaticamente o funcionamento após a volta da energia. As baixas temperaturas foram capazes de estourar todos os recipientes.

“É uma coisa exótica. Existe a Coelba prestadora de serviço e existem funcionários da companhia. E eu acho que isso não está muito conectado. E não podemos continuar assim, à deriva”, disse a escritora se referindo ao fato de que, até agora, após várias reclamações por telefone, a empresa não explicou as causas das quedas de energia.

O comerciante Adaias Filho, 57, dono de uma loja de confecção de roupas, a Tim Bahia Camisetas, tem que manter suas oito máquinas de costura paradas quando a energia não está disponível, o que gera, no final do dia, um prejuízo de R$300. Sem contar no televisor tela plana que ficava na parede do estabelecimento e pifou às vésperas da Copa do Mundo. “Nunca é durante 20 minutos, meia-hora, é sempre longos períodos sem luz, a tarde toda e, às vezes, até às 22h”, contou o comerciante.

Adaias Filho, da Timbahia Camisetas, perdeu uma TV às vésperas da Copa e perde R$300 por dia com cada queda de energia (Foto: Mauro Akin Nassor)

Já a irmã da proprietária da Pousada Solar das Artes, Laura Adamatti, 65, diz que é complicado explicar aos hóspedes sobre a falta energia que afeta no banho quente. Sem luz elétrica, por exemplo, também é impossível fazer reserva pelo telefone fixo.

“Culpam a gente, né? A gente explica que a culpa não é nossa, é da Coelba. Eles [técnicos] vêm mas não resolvem nada, fazem algo paliativo. O problema, na realidade, nunca foi resolvido”, lamentou Laura.

AtendimentoNa manhã desta quinta-feira (26), quando as casas à direita da rua estavam pela oitava vez sem energia, Laura entrou em contato com uma das atendentes da Coelba para relatar a situação. Do outro lado da linha, após ser informada da falta de serviço, a funcionária anotou a localização.

“Perfeito. Rua das Laranjeiras, bairro do Pelourinho, Salvador, próximo à casa do Olodum e Igreja São Francisco, correto? Mais uma vez eu vou relatar”, disse a atendente pelo telefone.

De acordo Laura, quando são avisados, os técnicos enviados pela empresa vão ao local e ligam um disjuntor de energia que fica em uma rua atrás das Laranjeiras, próximo à Igreja e Convento de São Francisco.

“É uma coisa muito recorrente, né? Se fosse uma casa, mas são 14 casas. Isso não pode ser um problema nosso. Não adiante vir aqui ligar um disjuntor e ir embora”, rebateu a cliente.

Ainda de acordo com Laura, quando o problema acontece pela manhã, segundo informou à Coelba, só pode ser resolvido depois das 15h, pois toda a fiação da via é subterrânea. Quem está à esquerda da rua e não é afetado, só acompanha de perto o drama dos vizinhos comerciantes.

“Rapaz, aqui não falta, mas eu vejo que a energia já caiu muitas vezes aí em frente. Muitos já tiveram prejuízos e nada vem sendo feito”, disse um dos funcionários do Bar do Zulu, que fica do outro lado da rua.

Em nota, a Coelba afirmou que existe a suspeita de que tenha uma “carga perturbadora” no sistema que atende a localidade. Um disjuntor foi trocado, um aparelho foi instalado no local e, durante os próximos sete dias, a companhia fará um teste gráfico para identificar a alteração. “Enquanto isso, as equipes da Coelba realizam ações preventivas para evitar novas ocorrências de interrupção de energia”, garantiu a nota.

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