‘Não socorri porque precisava continuar coletando o lixo’, diz gari sobre empresário na Pituba

Vídeo mostra momento em que o empresário é agredido

“Eu não socorri porque precisava continuar coletando o lixo”, disse em depoimento à polícia o motorista e gari Gerson Amorim Góes, 50 anos acusado de não prestar socorro ao empresário e economista Luciano Rodrigues Vieira, 43 anos, após ele ser espancado por três garis na madrugada do sábado, na Rua Engenheiro Adhemar Fontes, no bairro da Pituba (11), na porta de casa.


A polícia chegou a Gerson, Fábio do Amor Divino Borges, 35, Ediney Silva Santos, 26, e Diony Silva Santos, 28, depois de ter acesso às imagens de uma câmera de segurança de um prédio que mostram o momento em que três garis descem do caminhão de lixo e começam a espancar a vítima. Após as imagens serem divulgadas, a polícia entrou em contato com a empresa. A polícia então chegou até o motorista que foi encaminhado para uma unidade policial.

Os outros três se apresentaram à polícia nesta segunda-feira (11) na presença de advogados. Inicialmente, apenas um havia confessado o crime.

Depoimento
O motorista confessou ter presenciado os colegas de trabalho agredindo o empresário logo após uma discussão de trânsito. Ele afirmou também não ter socorrido a vítima, mesmo depois de ter percebido que ela estava desacordada.

De acordo com a delegada Maria Selma, titular da 16ª Delegacia da Pituba, o crime teria acontecido após o caminhão ter passado muito próximo do carro da vítima. “Nesse momento, o Luciano reclamou, disse alguma coisa e, logo em seguida, começou as agressões”, disse a delegada Maria Selma, titular da 16ª Delegacia da Pituba. Os acusados alegaram legítima defesa.

Imagens
Nas imagens é possível ver o momento em que os três garis descem do veículo e seguem em direção ao empresário. O motorista continua dentro do caminhão, enquanto os três garis espacam a vítima. Após o crime, eles seguem sem prestar socorro e continuam a coleta.

Ainda em depoimento à polícia, o motorista disse que não prestou socorro porque precisava “continuar coletando lixo”, mas que teria pedido a um porteiro para chamar uma ambulância. No vídeo também é possível ver que outras pessoas, que passavam pela rua, presenciaram o crime, mas, ainda de acordo com a delegeda Maria Selma, não foi possível encontrar testemunhas.

Enquanto isso, afirma ela, os dois continuam detidos na sede da 16ª Delegacia. “Foi pedida a prisão preventiva de 30 dias, mas, caso necessário, vamos pedir mais 30 dias até que as investigações sejam concluídas”, explica a delegada.

Socorro e transplante
Luciano foi socorrido e encaminhado para o Hospital Geral do Estado (HGE). Ele chegou na unidade de saúde na madrugada de sexta pra sábado, por volta de 2h15.

No domingo (10), ele teve morte cerebral confirmada. A família dele autorizou a doação do coração da vítima a um homem de 36 anos. A captação de órgãos foi feita durante a madrugada desta segunda-feira (11) no Hospital Ana Nery, no bairro da Caixa D’água. Segundo a assessoria do hospital, além do coração, córneas, rins, fígado foram captados para transplantes e aguardam a realização das cirurgias.

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