Policiamento é reforçado após roubo de obra de arte no MAM-BA

Obra avaliada em R$20 mil foi retirada de igreja

A Polícia Militar informou nesta segunda-feira (21) que vai reforçar o policiamento no entorno do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). O motivo é o furto de uma obra de artes avaliada em R$ 20 mil de dentro da capela do museu na quinta-feira (17), confirmado no dia seguinte pela Secretaria Estadual de Cultura (Secult). Na ocasião, um funcionário do setor de museus apontou para um outro problema grave: a falte de seguro em museus no estado.

“Reforçar o policiamento como policiais no entorno do museu,  mas é necessário um reforço também na segurança patrimonial do próprio MAM-BA”, disse o tenente-coronel Antônio Arnaldo da Silva Neto, comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM/Centro Histórico).

Um preposto do 18ºBGM irá ainda nesta manhã de segunda ao museu. “O major Paulo Cunha vai ao local para o levantamento de informações. Também iremos ajudar na investigação da Polícia Civil, que está agora sob o comando da delegada Rogéria Araújo”, declarou o tenente-coronel.

Procurada, a delegada Rogéria Araújo, titular da 1ª Delegacia, informou que a investigação já foi iniciada e que detalhes serão passados no decorrer da apuração.

O diretor da MAM-BA, Zivé Giudice, informou que atualmente seis seguranças fazem o reforço no museu a cada turno. “O número atende a demanda do museu. Quando forem criados novos espaços com a reforma, vamos ter que ampliar”, declarou Giudice em relação ao posicionamento do tenente-coronel Antônio Arnaldo da Silva Neto, comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM/Centro Histórico) sobre o reforço da segurança patrimonial.

Sobre a investigação, Giudice disse que aguarda o resultado da perícia do Departamento de Polícia Técnica.

Peça furtada é a primeira, no alto, de autoria do artista Mauricio Ruiz
(Foto: Divulgação/Secult-BA)

Sem seguro

O furto de uma obra de artes avaliada em R$ 20 mil de dentro da capela do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), confirmado nesta sexta-feira (18) pela Secretaria Estadual de Cultura (Secult), aponta para um problema ainda mais grave grave em museus baianos: a falta de seguro.

“A vulnerabilidade dos museus baianos é um tema recorrente entre especialistas em arte. Nunca nenhuma dessas instituições adquiriu um plano de seguro. Nem para seus acervos nem para suas instalações físicas. E estamos falando de patrimônios valiosos como uma obra de Tarsila do Amaral que está avaliada em 20 milhões de dólares”, disse um funcionário público que trabalha na área e que não quer ser identificado com receio de represálias. Segundo ele, o único seguro que existe é pontual.

“Quando se empresta uma obra, os museus baianos exigem que a instituição que a solicitou faça o seguro e o transporte adequado. O mesmo acontece com as obras que vêm emprestadas para cá. Fora disso, é tudo ao Deus dará”,completa.

Ele diz que o seguro sempre foi defendido pelas gestões com as quais trabalhou. Apesar disso, as secretarias da Administração e da Fazenda do governo sempre consideraram caro e desnecessário alegando que, caso uma obra fosse perdida, não teria como repô-la. “As secretarias da Administração e Fazenda sempre usavam esse argumento, não levam em conta que uma obra pode se perder, mas que o acervo pode ser refeito com o dinheiro do seguro. Afinal poderia ser aplicado em uma nova obra”, defende.

O museólogo e professor da Ufba Luiz Freire, que trabalhou no Museu de Arte da Bahia e no Abelardo de Oliveira, concorda com o servidor e acrescenta que os museus na Bahia são “destituídos de tudo”.

“Aqui, nós brincamos de fazer museu. E não estou falando de injeção de grandes recursos, mas de ações de prevenção simples, que inexistem. Trabalhei em dois museus e não tínhamos sequer treinamento para agir em casos de roubo ou até mesmo de incêndio”, conta.

Procuradas, as secretarias da Fazenda, Cultura e Administração do governo do estado não falaram sobre a denúncia da ausência de seguro para os museus.

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