Lixo e esgoto deixam águas do Rio Camarajipe, no Costa Azul, com qualidade péssima

Para engenheiro ambiental, mistura do lixo com água do mar ajuda a provocar o mau cheiro

Abandono e insegurança são problemas cruciais para quem frequenta ou passa pelo Parque Costa Azul, na orla de Salvador. Mas outra reclamação comum entre os frequentadores do espaço é o mau cheiro do  local. Isso acontece porque, entre o parque e a Avenida Octávio Mangabeira, há a foz do Rio Camarajipe, que nasce e recebe lixo desde a nascente, em Pirajá.

“Esse cheiro vai lá até minha casa, na Rua  Rubem Berta, na Pituba. É terrível. Se  fosse pra comprar uma casa aqui perto, não dava”, comenta Ana Cristina Ocha, 49 anos, enquanto aguarda o ônibus no ponto em frente ao Parque Costa Azul.

O engenheiro ambiental Luiz Roberto Moraes, PhD em Saúde Ambiental e professor do Engenharia Ambiental da Ufba, explica  que esse mau cheiro existe por causa do lixo jogado pelas casas e prédios no trecho.

“Um pouco do odor é por causa da água do mar que mistura com o lixo que fica  parado no local”, explica Moraes.
Moares exemplifica que, para fugir de um gasto com a construção de uma Estação Elevatória de Esgoto (EEE), construída pela Embasa, mas com custos arcados pelo responsável da obra, donos de empreendimentos comerciais que ficam abaixo da  rede de esgoto despejam o lixo dos estabelecimentos diretamente no rio.

Em março, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), do governo do estado, afirmou que os seis pontos avaliados no Camarajipe tinham “qualidade péssima”, refletindo o “impacto negativo causado principalmente pelo aporte de esgoto”.

Em nota, a Embasa explicou que os moradores ou responsáveis por empreendimentos que despejam o lixo diretamente no trecho do rio são obrigados a fazer a ligação do imóvel com a rede.

A empresa completa que “são necessárias ações de urbanização, macro e micro drenagem, reassentamento da população que habita áreas de preservação, além da expansão dos serviços de saneamento básico”.

Leonardo Santana, 36, trabalha como porteiro no Pituba Open Center, em frente ao Parque Costa Azul, e diz que, depois de cinco anos, se acostumou com o mau cheiro do rio.

“É terrível. A maioria das pessoas que veem aqui não sabem como eu aguento. Tem dia que chega arder os olhos e a garganta”, comenta.
Em nota, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) disse que não tem recebido denúncias sobre despejo de lixo no rio, mas que “está programando uma vistoria para análise da situação do rio” e fará uma limpeza.

*Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

 

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