Paralisação: 900 ônibus de Salvador atrasam a saída das garagens

Confira os locais onde os coletivos só vão sair das garagens a partir das 8h

O ônibus do consórcio OT Trans (cor verde), do sistema Integra, que fazem linha na região do miolo da cidade estão sem circular na manhã desta quarta-feira (16). Cerca de 900 coletivos estão nas garagens e só devem sair por volta das 8h. De acordo com o sindicato dos rodoviários, quatro garagens participam da paralisação. A frota total na cidade é de cerca de 2.500 coletivos.

Um grupo de rodoviários está reunido em uma das garagens, na Avenida San Martin. Um outro grupo está bloqueando a frente de uma garagem no bairro de Granjas Rurais, em Pirajá, desde as 4h30, segundo informações do Centro Integrado de Comunicação (Cicom), da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Os ônibus da OT Trans contemplam as áreas entre Mussurunga e Pernambués, incluindo Cajazeiras e Pau da Lima.  Os bairros do Cabula e Narandiba também foram afetados com a paralisação.

Já os coletivos dos consórcios Plataforma (amarelo), que circula no Subúrbio, e Salvador Norte (azul), que circula no Centro/Orla, estão circulando normalmente.

“Pedimos desculpas por chegarmos em uma situação dessa, mas não tem mais diálogo. Não temos outra alternativa ao não ser protesta”, disse o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Hélio Ferreira, em entrevista à TV Bahia.

Algumas linhas dos outros consórcios estão sendo remanejadas para atender a população. Coletivos que iam pra Tancredo Neves, Barroquinha foram remanejadas para o Cabula, Saboeiro, e atender a demanda dos passegeiros.

Cerca de 200 motoristas permanecem de braços cruzados na garagem G2 da empresa de transporte Ot Trans, na avenida San Martin, desde às 4h. De acordo com a categoria, os ônibus só devem voltar a circular por volta das 8h. O motorista Edmilson Silva, 56 anos, explica que além de reivindicar um reajuste nos salários, a categoria é contra a reforma trabalhista.

Ainda segundo ele, a intenção da empresa é mudar a data de pagamento dos profissionais. Eles, ainda segundo o motorista, recebem 60% do salário no dia primeiro de cada mês e 40% na primeira quinzena. Com a mudança anunciada pela empresa,  a primeira parte dos salários passaria a ser pago no dia 20 e a segunda parcela oito dias depois.

De acordo com a categoria, a paralisação é uma forma de pressionar o sindicato patronal para negociar os salários da categoria. Há uma rodada de negociação entre representantes da categoria e dos empresários prevista para ocorrer às 10h desta quarta-feira, no Ministério Público do Trabalho (MPT).

O secretário municipal de Mobilidade, Fábio Mota, informou que se os ônibus não cumprirem o horário previsto em contrato, as empresas serão multadas.

“Até agora tivemos a habilidade de fazer uma campanha sem atingir a população direta ou indiretamente. Mas chegamos ao dia 15 e não há nenhum movimento dos empresários em negociar. Essa preocupação só surge quando atingimos a população. Infelizmente esse é o único mecanismo que temos para chamar a atenção do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público e dos empresários. Esgotaram todos os calendários de negociação”, alega o diretor adjunto do departamento jurídico do Sindicato dos Rodoviários, Pedro Celestino.

Ele informa que o sindicato não quer conceder nenhum aumento e que a categoria reivindica um reajuste de 5%. “Eles alegam que estão com dificuldades de operar, que tiveram um prejuízo de R$ 280 milhões no período de um ano”, explica Celestino. O número foi corrigido pelo Consórcio Integra.

Procurado, o assessor de relações de trabalho do Consórcio Integra, Jorge Castro, explicou que de fato não foi feita nenhuma proposta à categoria até agora por conta dos prejuízos que, segundo ele, as empresas estão tendo. “Foram R$ 334 milhões em um ano e só esse ano já foram R$ R$ 113 milhões. Como se negocia assim? Vamos ser se amanhã (quarta), no Ministério Público do Trabalho surge alguma luz”, diz.

Fábio Mota informou que está acompanhando o impasse entre os rodoviários e as empresas e que a secretaria está mediando para evitar que haja uma greve de ônibus em Salvador. “Já instalei mesas de negociação e estamos evitando que haja um greve”, disse.

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