Suspeito de sequestrar cabeleireira no Costa Azul morre em Camamu

Ele era o último integrante da quadrilha que ainda estava solto

Manoel Rafael Bispo de Jesus, o Jorge Bocão, morreu durante confronto com policiais civis na madrugada desta terça-feira (3), na zona rural do município de Camamu, no Sul do estado. Ele era suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas, homicídios, roubo a banco, e sequestros. Entre os crimes está o rapto da cabeleireira Arlethe Patez, ocorrido em julho de 2015, no bairro do Costa Azul, em Salvador.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Manoel atuava com mais frequência na região do Baixo Sul da Bahia, em Valença e cidades do entorno. Ele era a carta 9 de Paus do Baralho do Crime, ferramenta da SSP que lista os bandidos mais perigosos do estado.

A SSP informou que equipes do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) estavam monitorando a movimentação do suspeito, e que fez algumas investidas para prendê-lo, mas Manoel sempre escapava. Nesta terça, uma denúncia anônima levou os policiais até a casa onde ele estava.

Os policiais contaram que Manoel reagiu a abordagem. Houve troca de tiros, ele foi baleado, e não resistiu aos ferimentos. Os investigadores encontraram espingardas, pistola e munições no local.

Em nota, o delegado-geral da Polícia Civil, Bernardino Brito Filho, informou que Manoel fazia parte de uma quadrilha e que diligências continuam sendo realizadas na zona rural de Camamu à procura de outros integrantes do bando.

“Grande trabalho do Departamento de Polícia do Interior e do Draco. Tiramos de circulação o criminoso mais perigoso do Baixo Sul da Bahia e a determinação é para desmontar todo o restante da quadrilha”, afirmou.

Vítima ficou 12 dias no cativeiro (Foto: Reprodução)

Cabeleireira
No dia 22 de julho de 2015, a cabeleireira Arlethe Patez e uma amiga dela estavam caminhando pela rua Professor Cassilandro Barbuda, no bairro do Costa Azul, quando foram surpreendidas por um carro Fiat Pálio. Alguns homens desceram do veículo e obrigaram Arlethe a entrar no carro.

A empresária Arlethe Silva Patez, na época com 47 anos, foi sequestrada quando saía do salão de beleza Rive Gouchê, no Costa Azul, na noite do dia 22 de julho de 2015. Ela é proprietária do estabelecimento e estava com uma amiga, caminhando pela rua Professor Cassilandro Barbuda, quando foram surpreendidas por um carro Fiat Pálio.

Alguns homens desceram do veículo e obrigaram a cabeleireira a entrar no carro. Depois do sequestro, testemunhas contaram que o Fiat Pálio ficou estacionado, próximo ao salão, durante alguns minutos antes do crime, o que levou a polícia a suspeitar de que a vítima não foi escolhida de forma aleatória.

Ex-pastor e Inael foram os primeiros presos (Foto: Divulgação)

Arlethe passou 12 dias sequestrada, até ser encontrada por policiais em um casebre sem energia, na zona rural do município de Teolândia, no Sudoeste do estado (a 280 km de Salvador). Durante esse período, a família da cabeleireira foi contatada quatro vezes pelos bandidos, que estipularam em R$ 600 mil o valor do resgate.

Na época, os investigadores contaram que chegaram até o cativeiro depois de prender o ex-pastor e mototaxista Manoel Cândido da Paz, 46 anos, e Inael Moura de Jesus, 29 anos, conhecido como Baby. Ambos, moradores de Valença. A polícia não contou como chegou até eles, mas disse que foi a partir do mototaxista que identificou o local onde Arlethe estava.

A vítima contou para os policiais que não foi agredida fisicamente quando estava no cativeiro, mas que foi ameaçada por um dos líderes da quadrilha, identificado como Manoel Rafael Bispo de Jesus, 39, o Jorge Bocão. Foi nessa época que ele entrou para o Baralho do Crime.

“Ele fazia terror psicológico com frases como ‘tem sequestro que leva um ano’, ‘tem sequestro que não termina bem, que a vítima morre’”, revelou o delegado Cleandro Pimenta, coordenador das investigações, na época.

Solemar estava lotado na 41ª CIPM (Foto: Divulgação)

Policial
A polícia concluiu que 13 pessoas participaram do sequestro. O ex-pastor e Inael foram os dois primeiros a serem presos. Menos de um mês após o crime, a polícia prendeu, na sede da 41ª Companhia Independente (CIPM/Federação), o soldado Solemar Alves Campos, 41 anos. O PM era lotado na unidade, e foi apontado como um dos líderes da quadrilha.

Além dele, Andresson Lopes de Oliveira, 35, que era companheiro de uma funcionária do salão, e Filipe Assis Lima, 21, também foram presos. Na época, a polícia informou que Andressson, conhecido como Gordo, foi o responsável por escolher a vítima do sequestro. Era ele quem passava informações sobre a rotina do salão para o restante da quadrilha.

Imagens do cativeiro (Foto: Divulgação)

No dia 22 de agosto, portanto, um mês depois do sequestro, Damião dos Santos, 42, foi morto em uma troca de tiros com policiais civis no bairro da Engomadeira, em Salvador. Além de Damião, a polícia conseguiu localizar e prender José Evandro de Oliveira, 37, em Pernambués — outro integrante da quadrilha. Até esse momento, sete dos envolvidos foram presos ou mortos.

Em setembro de 2015, Romildo Jesus de Oliveira, 27, e Edicléia Silva Santos, 23, se apresentaram na Delegacia Territorial de Valença e confessaram participação no crime. Eles disseram que foram responsáveis por acompanhar a vítima no cativeiro. Com a prisão deles, faltava localizar os últimos quatro sequestradores.

Andresson e Felipe após a prisão (Foto: Divulgação)

Mais prisões
Alguns dias depois, os investigadores prenderam João Santos Souza, 31, apontado como motorista da quadrilha. Ele estava na zona rural do município de Valença. Em fevereiro de 2016, todos os nove presos foram condenadas pela Justiça a 94 anos e quatro meses de prisão, na soma total das penas.

Em março de 2016, Edson Teixeira dos Santos Júnior, 26, e a companheira dele, Vanusa Resende de Brito, 20, grávida de quatro meses, foram presos por envolvimento no sequestro de Arlethe. O casal era responsável por vigiar a empresária no cativeiro. Com isso, o único ainda foragido era João Bocão, que foi morto nesta terça-feira.

Informações sobre comparsas de Jorge Bocão podem ser repassadas através do 181 (Disque Denúncia do interior).

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