PPS na Bahia sofre intervenção da nacional

O presidente nacional do Partido Popular Socialista (PPS), Roberto Freire, destituiu a direção do partido na Bahia, na última quarta-feira, 21, após a desfiliação do então presidente estadual da sigla, o deputado federal Arthur Maia, que está indo para o DEM. O vereador Joceval Rodrigues, ex-líder da base do prefeito ACM Neto (DEM) na Câmara de Vereadores, foi nomeado no lugar de Maia, impedindo o então vice-presidente da legenda, Antonio Ribeiro, Diretor de Administração da Sudene, de assumir o cargo após a saída do então presidente.

Joceval diz que sua função é a de “atender as necessidades do partido” em ano eleitoral (leia adiante), no intuito de articular chapas “fortes” para candidatos aos legislativos estadual e federal.

Ribeiro é um dos fundadores históricos do PPS, professor universitário, além de ocupar o cargo na autarquia federal, mas não ocupa função de articulação eleitoral na legenda. Ele se diz surpreso com o ato “autoritário” de destituição e, com alguns correligionários, vai ingressar na Justiça no início da próxima semana requerendo a anulação do ato que chama de “intervenção” de Freire na esfera estadual do partido, já que a direção foi eleita democraticamente em 25/11/2017. O estatuto do partido, diz ele, evoca a posse do vice.

Ribeiro conta que soube da “intervenção” de Freire no aeroporto de Salvador, quando embarcaria em voo para São Paulo, onde ocorre neste sábado, 24, a Convenção Nacional do PPS. Soube que as passagens haviam sido canceladas no balcão de embarque e buscou saber o motivo. Daí a surpresa.

“A nossa revolta é que o estatuto está sendo violado. O partido foi criado como instrumento do exercício da democracia. A forma como foi feita a intervenção foi de um desrespeito total”, conta.

Segundo Ribeiro, atos idênticos ocorreram em outros estados, a exemplo de Pernambuco, o que teria levado, inclusive, à desfiliação do ministro da Defesa, Raul Jungmann, há três dias. Em carta, Jungmann, disse que deixava o partido no qual permaneceu ao longo de 26 anos “por discordar da forma pela qual se deu a entrega do seu comando partidário aos que nele ingressarão, uma forma autoritária, sem transparência e ao arrepio da democracia”.

Na Bahia o PPS tem dois deputados estaduais, Soldado Prisco e Targino Machado e, na Câmara, além de Joceval, o vereador Beca. Perdeu o único representante da bancada federal, que era Arthur Maia.

Conciliação

Procurado, o vereador Joceval Rodrigues disse que a Executiva nacional do partido ´comunicou, em documento à Justiça Eleitoral os motivos da mudança na direção do partido na Bahia. Segundo este documento, a saída do então presidente, Arthur Maia, deixa o partido sem comando para disputar o pleito de 2018. E que o estatuto permitiria a dissolução da diretoria por ausência de promoção política do partido e por correr risco no processo eleitoral.

“A minha função é de conconciliar e atender as necessidades do partido, colocando uma chapa forte para eleger deputados estaduais e federais”. Sobre a ameaça de anulação do ato na Justiça, Joceval é incisivo: “É um direito e eu respeito. Mas é uma questão interna corporis, não cabe ação”.

 

Compartilhar