Começa a votação para eleger Assembleia Constituinte na Venezuela

Votação irá eleger 545 membros que irão redigir nova Constituição do país. Oposição não reconhece legitimidade da convocação do presidente Nicolás Maduro e não apresentou candidatos.

Nicolás Maduro foi o primeiro a votar neste domingo em Caracas (Foto: Reprodução/Twitter)

As urnas para eleger 545 membros da Assembléia Constituinte convocada pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foram abertas neste domingo (30). O presidente foi o primeiro a votar em um centro eleitoral da zona oeste de Caracas.

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“Eu fui o primeiro eleitor do país. Peço a Deus todas as suas bênçãos para que as pessoas possam exercer livremente o seu direito democrático ao voto”, disse Maduro, vestindo uma camisa vermelha.

A chegada do presidente ao centro de votação foi transmitida ao vivo pela emissora estatal VTV, com o slogan “primeiro voto pela paz”. Maduro votou pouco depois das 6h locais (7h em Brasília), quando estava prevista a abertura das urnas em toda a Venezuela.

O segundo voto foi dado pela primeira-dama, Cilia Flores, também candidata à Assembleia Constituinte.

“Quis ser o primeiro voto pela paz, pela soberania e pela independência da Venezuela. Hoje é um dia histórico”, disse Maduro após votar, acompanhado de alguns observadores internacionais que foram convidados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Maduro reiterou o pedido que os cidadãos votem com “fé, esperança e amor” para “buscar a reconciliação, a justiça, a verdade e superar os problemas que temos”.

O presidente venezuelano propôs a Constituinte como via para solucionar a grave crise política do país, mas a oposição, que exige eleições gerais, considera a iniciativa uma “fraude” para tentar perpetuar o presidente no poder. Os opositores têm maioria no Parlamento.

O dia de votação será marcado por um ambiente de tensão, depois que a oposição, que não apresentou candidatos para a eleição, anunciou protestos em todo país contra a iniciativa.

A oposição convocou seus simpatizantes a bloquear as ruas de cidades dos 23 estados da Venezuela. A maior concentração vai ocorrer na estrada Francisco Fajardo, principal via de Caracas.

As manifestações acontecem no contexto de uma mobilização iniciada no dia 1 de abril para exigir a saída de Maduro do poder. Até o momento, mais de 100 pessoas morreram e milhares ficaram feridas ou foram detidas.

Os 545 membros para a Assembleia Constituinte tomarão posse em 2 de agosto e terão um prazo indeterminado para redigir a nova Constituição do país.

A Assembleia Constituinte foi convocada por Maduro em 1º de maio, quando o presidente venezuelano invocou o artigo 347 da Constituição, que prevê que o povo “pode convocar uma Assembleia Nacional Constituinte, a fim de transformar o Estado, criar uma nova lei e elaborar uma nova Constituição”.

Segundo ele, a convocação foi feita com três objetivos: “alcançar a paz e a Justiça, transformando o Estado e mudando tudo tem que mudar; para estabelecer a segurança jurídica e social para as pessoas; e para melhorar e ampliar a pioneira Constituição de 1999 “.

No entanto, o presidente não consultou o povo através de um referendo, como Hugo Chávez fez em 1999, quando convocou a Assembleia que redigiu a atual Constituição do país.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) considera a convocação e as regras para a escolha dos candidatos uma “fraude” e não apresentou candidatos à Assembleia. Desde o anúncio de Maduro, ela intensificou os protestos no país e, em 16 de julho, realizou um plebiscito não oficial, não reconhecido pelo Poder Eleitoral da Venezuela.

A eleição para a Assembleia Constituinte foi rejeitada pelos Estados Unidos e vários países da América Latina e Europa. Colômbia e Panamá já anunciaram que não vão reconhecer os resultados, enquanto os EUA advertiram que poderão haver novas sanções econômicas.

A Assembleia Constituinte é rejeitada por 72% dos venezuelanos e a gestão de Maduro tem 80% de rejeição, segundo pesquisas de opinião.

Tudo isso se desenrola em meio à grave crise que atinge o país, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo, mas sofre com a escassez de alimentos e de medicamentos e a maior inflação do mundo, projetada pelo FMI em 720% este ano.

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