Condenado no mensalão, Henrique Pizzolato diz que encontrou Jesus em prisão na Itália

O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, condenado no escândalo do mensalão, afirmou ter “encontrado pequenos sinais da existência de Deus” durante o período em que esteve na prisão.

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As afirmações foram feitas durante um culto de uma igreja neopentecostal na Itália, país para o qual fugiu às vésperas de sua condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) por integrar o escândalo de corrupção do mensalão.

No testemunho dado na igreja pentecostal Fonte de Vida, em Modena, Pizzolato disse que pediu a Deus sinais de Sua vontade, e nesse momento, enxergou “várias pequenas coisas”, citando como exemplo o falecido fundador da Apple, Steve Jobs, que em sua biografia conta como dificuldades pelas quais passou o inspiraram posteriormente na criação de produtos.

O ex-diretor do Banco do Brasil contou que na véspera do julgamento da extradição para o Brasil recebeu um livreto do pastor Romolo, líder da Fonte de Vida, onde havia uma mensagem de esperança: “Um dia antes do julgamento, o pastor me mandou uma carta e me deu um livrinho, e ele tinha sublinhado um trecho que dizia que o senhor Jesus era meu advogado”.

“Quando os juízes começaram a ler a decisão, senti qualquer coisa, e o meu advogado começou a tremer. E eu o abracei. Ele me disse: ‘Você será liberto’”, narrou Pizzolato, que foi aplaudido pelos fiéis.

Pizzolato citou Saulo, que se tornaria o apóstolo Paulo, para ilustrar como se sentia durante os nove meses em que esteve preso na Itália, por falsidade ideológica: “Eu me vi no escuro, na dificuldade e na derrota, não tinha mais forças, e era como se me apertassem e asfixiassem. Procurava um meio de poder sobreviver e pedi a Jesus que me mandasse um sinal de qual era a sua vontade”, resumiu.

Antes da condenação no Brasil, Pizzolato – que era filiado ao PT – usou documentos de um irmão falecido para fugir para a Itália. Lá, apesar de ter cidadania italiana, viveu com a identidade do irmão para não chamar a atenção da Polícia. Quando foi descoberto, passou a viver com sua identidade verdadeira, mas foi preso a pedido da Justiça brasileira, que solicitou a extradição. No entanto, a Justiça italiana negou a extradição por ele ser um cidadão do país.

Em sua conclusão, Pizzolato disse que pretende dedicar sua vida de agora em diante para fazer o bem: “Se tivesse a oportunidade de viver de novo, não mudaria nada na minha vida. Nem a passagem pelo presídio, pela alegria e os amigos que conheci lá. Espero dedicar o que me resta de vida a poder ajudar os outros”, afirmou, acrescentando que, com sua aposentadoria do Banco do Brasil, poderá se dedicar a alguma atividade voluntária na igreja.

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