ARTIGO: A incompetência política de Rui Costa pode sepultar o PT da Bahia. Por Plácido Faria

Plácido Faria Advogado e comentarista político placidofaria@yahoo.com.br
Plácido Faria
Advogado e comentarista político
placidofaria@yahoo.com.br

É de conhecimento geral da sociedade brasileira que a política vive uma eterna metamorfose. Nas lições de Magalhães Pinto, a “política é como nuvem, você olha e ela está de um jeito, olha de novo e ela já mudou”.

Nos dias de hoje é bastante comum ver alguém criticar o PT abertamente, muitas vezes, inclusive, sem quaisquer fundamentos ou motivações, apenas pelo simples fato de ser o PT. Utilizam-se da sigla partidária, em negrito e caixa alta, em palavras ligadas a corrupção, despreparo, incompetência e etc, como por exemplo: corruPTos, PTralhas, incomPTentes.

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No estado da Bahia, a situação tem outro viés. A política desenvolvida pelo governador tem contribuído e muito para levar a legenda ao abismo, e vem sendo algo tão escancarado que pôde ser observado nas eleições deste ano. Em 2008, quando o governador ainda era Jaques Wagner, o Partido dos Trabalhadores elegeu 6 (seis) vereadores na capital baiana. Em 2012, o PT elegeu 7 (sete) vereadores. Já em 2016, tendo a Bahia como governador o senhor Rui Costa, o PT conseguiu eleger, com muito esforço, tão somente, 3 (três) vereadores, o que demonstra o descontentamento do povo soteropolitano, nos dias de hoje, assim como a diminuição de força política do partido.

É necessário salientar que na eleição para prefeito e vereadores anterior, no ano de 2012, Waldir Pires foi candidato e inexplicavelmente, não lhe deram espaço na televisão. Naquela época o líder poderia conseguir mais duas cadeiras para o PT na câmara municipal. Afinal, como um grande político, agregava bastante valor ao partido. Todavia, embora Waldir Pires gozasse de grande prestígio, inclusive em nível nacional, o mesmo precisou fazer propaganda de última hora para poder ocupar o cargo de vereador de Salvador. Fato totalmente inexplicável para qualquer pessoa que analise a política baiana.

Vale registrar, ainda, que nestas eleições os candidatos eleitos do PT foram Suíca, com 9.797 votos, Moisés Rocha, com 6077 votos e Marta Rodrigues, com 6646 votos, sendo que os dois primeiros são muito mais azuis do que vermelhos. Isso demonstra a falta de congruência do partido na escolha dos seus candidatos.

É público e notório, que o governador teve um candidato a vereador de sua “cozinha”, qual seja, José Trindade. Com muito esforço, foi o último na contagem de votos dos eleitos, com apenas 0,37% dos votos apurados. E olhe que o aludido vereador tem um vasto círculo de amigos, como também, quando desempenhou o mandato foi bastante atuante, chegando a ser processado pelo prefeito atual da capital baiana por crime contra a honra. Assim, não é um qualquer, certo ou errado, marca posição. Seu fraco desempenho sinaliza que o governador está politicamente debilitado.

Enquanto isso, os candidatos a vereador, Lessa, Gilmar Santiago, Vania Galvão, todos eles do PT, não são eleitos por falta de articulação política partidária e falta de apoio do governador.

A inação do governador e dos demais líderes petistas está facilmente notada pelos eleitores soteropolitanos, vez que, no corrente ano, sequer existiu candidato do PT ao cargo de prefeito municipal de Salvador, o que é um absurdo. A ausência de candidato à prefeitura no Partido dos Trabalhadores não é compreensível. Conquanto, em 2008, o prefeito eleito foi João Henrique (PMDB), tendo derrotado Pinheiro (PT).

Em 2012, após a derrota de Pinheiro, o PT escolheu Nelson Pelegrino para disputar as eleições, que, por sua vez, foi derrotado por ACM Neto (DEM). Como se vê, os dois maiores nomes do PT na Bahia não foram capazes de lograr êxito em suas tentativas nos anos anteriores e, certamente, após boa gestão do atual prefeito, aliada com o declínio do partido, certamente não obteriam sucesso. Entretanto a candidatura a prefeito de um membro do partido, até perdendo, teria uma função de grande valia, a saber: defender as injustiças contra o partido e mostrar ao povo o que o PT e o governador fizeram pela cidade de Salvador. A visão de antolhos (acessório que se coloca na cabeça de burro para limitar sua visão e forçá-lo a olhar apenas para frente, e não para os lados), não permitiu que o cacique atual do aludido partido, tivesse esta visão.

No ano de 2014, a chance do PT ganhar as eleições eram quase 100%, mesmo sem ser o governador Rui Costa conhecido dos eleitores. Bastava-se dizer que era o candidato de Lula, o candidato de Dilma, o candidato de Wagner e assim foi sua campanha por todo o Estado, reconhecido na Bahia, tão somente, por ser CANDIDATO DO PT, tanto que seu jingle basicamente falava: é o treze, é o treze, é o treze, é o treze! Noutras palavras, houve uma grande transferência de votos dos eleitores do PT, de Lula, de Dilma e de Jaques Wagner para o então candidato a governador Rui Costa. Na verdade os eleitores não votaram nele, elegeram o candidato do 13.

Porém, como falamos anteriormente, a política é como nuvem. Nas eleições passadas, o Partido dos Trabalhadores chegou a ter 93 (noventa e três) prefeituras no Estado da Bahia. Hoje, com muita sorte, possui 39 (trinta e nove). Perdeu o maior terceiro colégio eleitoral da Bahia, Vitória da Conquista, no qual Zé Raimundo, do PT, perdeu feio para o candidato do PMDB, Herzem Gusmão.

Na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, o nosso ilustre governador não tem prestigiado os antigos deputados para fazer a interlocução com a sociedade e, tampouco, dentro da própria assembleia. O que vemos é a utilização de deputados inexperientes e de primeiro mandato, muitas vezes parlamentares sem nenhum tipo de equilíbrio e sem trânsito, até mesmo entre seus pares, quem dirá com a sociedade. Este é exatamente o tipo de política que não se deve fazer. Como pode o Cardeal do PTN, o deputado Bacelar, ter presença inexpressiva no Governo, enquanto sua cria se cria, quando é ele quem possui voto e liderança política? Como pode o nosso Ilustre governador colocar o senador Walter Pinheiro na Secretaria de Educação, quando este já virou as costas para o Partido dos Trabalhadores por diversas vezes, tal como em plena campanha no episódio montado como “o Caso Dalva”? Estas são algumas atitudes políticas inexplicáveis, que demonstram a incongruência do atual governador do Estado.

Em agosto deste ano, o governador foi recebido por vaias, no evento de inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Vitória da Conquista. Recentemente, nas eleições de outubro de 2016, Rui Costa foi vaiado na Cidade de Esplanada, mesmo tendo ido à mesma a fim de autorizar a recuperação da BA 400, importante via de escoamento agrícola local. Pôde-se observar que o mesmo, nestes momentos, estava arrodeado de políticos inexpressíveis, o que mancha a sua popularidade.
No caso específico do Litoral Norte da Bahia, o povo não aceita mais este tipo de política, onde só se faz ou se promete algo quando se necessita de voto, ou seja, próximos às eleições. Se a Bahia estiver como naquela região, a reeleição de Rui, ou de alguém do PT é praticamente impossível. Cabe ao governador analisar a quem apoiar, a quem tem como apoio. Deveria, antes de visitar um município, olhar a situação da liderança atual e não da eleição passada, afinal, o que é a política se não uma nuvem?

O grande erro do atual governo é a ausência de inovação, que vem vivendo a sombra do passado, quando o PT era considerado a mudança que precisava o país. Nos dias atuais, o povo não mais acredita que o PT pode ser diferente, ao revés, vemos diariamente a rejeição da população perante tal partido.

É necessário olhar para o futuro, colocar gente nova e capaz. Não é mais aceitável a política de preenchimento de cargos afim de satisfazer partidos políticos. Não pode o governador da Bahia acreditar que partidos adesistas são fundamentais para a sua reeleição, tampouco para que tenha tanto prestígio, quando ao revés, a cada dia, podemos observar que não se pode confiar nos pseudos aliados, que agem tão somente em prol do seu interesse próprio. Foi assim com Dilma, será assim com Rui.

Adesista sempre foi tratado como adesista, “um olho no padre e outro na missa”.

Recentemente o senador Otto Alencar, admitiu que há críticas tanto de seu partido, quanto de outras siglas sobre a articulação política do governo do Estado, chegando a afirmar que até o PT reclama.
O governador vive em seu próprio mundo, ao invés de promover plenárias e discussão políticas partidárias, enfim, fazer e viver política. Acha que sua função é apenas administrar o estado. Da maneira que a coisa está sendo conduzida, ele está cavando a sua cova e do seu próprio partido.
De outro lado, vemos a sede do seu futuro concorrente ao governo, mostrando como se faz e vive a política. Ensinando ao PT, que é necessário ter ao seu lado pessoas leais e de confiança, e não partidos. Que quando se precisa de um ou outro partido, deve-se inserir alguém de sua confiança lá dentro. Estratégia inteligente, porque neutraliza futuro adversário, sendo uma forma de rendição do partido coligado em casos de cisão. Assim, distribui seus soldados de confiança em diversos partidos.

Como temos dois anos para as próximas eleições e a parte administrativa do governo está razoável, apesar dos três itens que o povo mais necessita, o déficit continua gigantesco (saúde, segurança e educação), se faz necessário que o governo atual se reinvente, procurando melhores companhias para prestigiar e delegar tarefas, pois, do jeito que as coisas andam, o fim é certo.

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