Artigo: O surreal versus o mundo real

Sem medo de caminhar!

Vai começar uma nova fase para a vida de todos, principalmente no seio da política, que é uma das ciências mais importantes que o homem inventou. No Brasil, se houvesse bons representantes políticos, em todos os níveis do Parlamento e do Executivo, seria melhor a vida da população, que teria boas escolas, saúde, segurança e melhores condições para o convívio social em harmonia. Melhorias palpáveis para a vida das pessoas. E isso é que me tem feito caminhar na política, a ação coletiva e a ligação que tenho com o povo, especialmente da periferia. Basta observar a linha entre o meu passado, meu presente e o que tenho a conquistar, é notória a caminhada árdua que enfrentei. Nossa gente sabe o quanto sofreu, quantas necessidades passamos antes de chegar até a vereança.

Esse olhar para o meu passado me serve sempre de referencial, meu norte é trabalhar para ajudar a amenizar o sofrimento daqueles que tiveram a mesma origem que a minha e reconhecem isso. Ultimamente, tenho tido mais apresso por fotos antigas, para lembrar da história. E as imagens, evidentemente, são também uma forma de registrar. Sei que uma foto fala muito, muitas fotos mais ainda, e sei como falam, de que forma isso se dá. Eu sei disso porque tenho muitas fotos, imagens da minha realidade, da realidade dos que me seguem e admiram as bandeiras que o mandato defende na Câmara de Salvador.

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Algumas lideranças políticas não entendem que o que considero surreal é dar um sorriso falso em eventos ou nas comunidades, quando, em grande parte, o trabalho não está sendo bem feito. Querer mostrar algo que você não pode entregar é mesmo surreal.

Seria mais intrigante até debater as teorias de Marx, assistir filmes do Spike Lee, do que fazer política para o próprio umbigo, com seus próprios feudos. Porque quando chegarem a um lugar de poder só vão cuidar daqueles que não representam verdadeiramente o povo. E poucos sequer terão legitimidade para falar de racismo e do embate capital-trabalho nos verdadeiros guetos da cidade.

Lógico que não vivemos num socialismo onde todos estão em igualdade, para o mundo capitalista o socialismo que nós defendemos ainda é distante, portanto, temos que conviver com esse mundo capitalista diminuindo a distância da desigualdade. Ou até mesmo fortalecendo as transferências de renda e mudando o foco do capital, favorecendo os pobres no trabalho e em seus locais de moradia.

Falar a verdade é não ter medo de caminhar no mundo real, hoje em dia. E é isso que nós fazemos, caminhamos falando a verdade, ao lado do povo, sem ter medo de ser feliz ou de ser questionado. Tem uma frase de Santo Agostinho, que eu sempre utilizo para demonstrar o que entendo sobre as pessoas dentro da política. “Prefiro aqueles que me criticam, porque podem me corrigir, do que aqueles que me bajulam, porque podem me trair”.

Sei que a inveja reina em todos os ambientes. Não sou assim, tenho base, criada com atuação autônoma. Não tenho como deixar minha base, tampouco posso deixar minha autonomia para seguir algo que não condiz, que não é real, que não representa minha liderança. Não condiz com o que eu enxergo nas comunidades que eu frequento, não tenho como tomar medidas impopulares.

Existe sim um grupo elitista que quer crescer dentro da política de forma meritocrata e aproveitadora, e existe os outros que lutam diariamente, que tiram o suor de sua testa. Eduardo Suplicy é exemplo disso, que tem uma ligação forte e verdadeira com o povo, mesmo sendo rico. O Brasil deveria ter mais Suplicy e menos Cunha, um Eduardo que entregou sua família para a corrupção, comprometido com os oligarcas, barões e nobres que representam tudo de atrasado no país, e que fazem da política o meio se enriquecer e fazer falsas vitrines.

*Luiz Carlos Suíca é vereador do PT em Salvador

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