O bate-cabeça das oposições em Salvador

As oposições ainda batem cabeça com relação ao que fazer em relação à sucessão municipal em Salvador

por Raul Monteiro

Órfãs do apoio manifesto do governador Rui Costa (PT) às suas articulações, as oposições ainda batem cabeça com relação ao que fazer em relação à sucessão municipal em Salvador: se marcham com candidato único ou se dividem-se em várias candidaturas para tentar impedir que a reeleição do prefeito ACM Neto (DEM) seja um passeio, empurrando a disputa pelo menos para o segundo turno. A segunda opção pode prevalecer principalmente se a senadora Lídice da Mata (PSB) conseguir o apoio do PT para entrar na disputa, o que não tem sido fácil, mas não é impossível.

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Isso porque o PCdoB, primeiro partido oposicionista a se definir, lançando a candidatura da deputada federal Alice Portugal à Prefeitura, não abre mão de tê-la como sua representante na sucessão, executando, inclusive, todos os preparativos para fincar sua candidatura no centro das oposições, de preferência como um nome agregador das demais siglas que atuam no mesmo campo. O terceiro nome colocado – pasmem todos! – é o do deputado estadual Sargento Isidório (PDT), aquele que apareceu num grotesco vídeo de teor homofóbico tocando e cheirando as partes íntimas da sua genitora no Dia dedicado às Mães.

Inicialmente, Lídice rejeitava a ideia de se candidatar tendo Alice como concorrente. Temia que dividissem o mesmo eleitorado e assim acabassem com um resultado pífio nas urnas, o que seria desmoralizante principalmente para ela, que tem mais tempo de estrada, ocupa o cargo de senadora da República e, mais do que tudo, já foi prefeita de Salvador. Não se sabe porque motivo exatamente mudou de opinião e passou a articular pessoalmente o lançamento de sua candidatura, uma vez que o cenário tendo ela e Alice como candidatas pode resultar exatamente no que previra.

Mas enquanto Lídice se articula, Alice já está em campo há pelo menos um mês com a ajuda da militância do PCdoB, que gosta de uma confusão e aposta num confronto contra um prefeito que, segundo as palavras da deputada federal, representa “o golpe (na presidente afastada Dilma Rousseff) em Salvador” e deixou diversas “lacunas sociais” na cidade, também conforme seu próprio discurso. Confirmando sua candidatura, Lídice vai repetir o mesmo discurso de Alice ou fará algo novo, que justifique o voto nela ao invés de na companheira-concorrente da oposição?

Além disso, como observa um parlamentar da base do prefeito ACM Neto, na hipótese de a campanha se federalizar, assumindo contornos mais nacionais do que locais, o que o gestor já disse que não permitirá, se depender da vontade dele, como a senadora justificará suas investidas contra o juiz Sérgio Moro, baluarte das ações contra a corrupção e o conluio entre empresários e políticos nos governos petistas, que resultaram num dos piores casos de desvios de recursos públicos da história do país? São outros desafios a que uma eventual candidatura Lídice terá que responder.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

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