Bilionário, Trump pode ter problema de caixa em campanha contra Hillary

O bilionário que vangloriava-se de não precisar de dinheiro alheio para financiar sua ambição presidencial mudou o discurso.

Diante da estimativa de que a conta chegue a até US$ 1 bilhão (R$ 3,49 bilhões) na eleição, em novembro, Donald Trump chamou um veterano de Wall Street para chefiar seu comitê de arrecadação, mas especialistas preveem uma missão árdua.

Além de ser tarde para montar um esquema eficiente de captação, as divisões internas no Partido Republicano e o discurso de Trump contra as grandes contribuições são os maiores obstáculos para que o magnata faça frente à máquina de arrecadação de Hillary Clinton, sua provável rival democrata.

“Trump disse que os políticos que recebem grandes doações são vendidos. Se fizer o mesmo, ele pagará um preço político. Mas é melhor do que ficar sem dinheiro”, disse à Folha Michael Malbin, diretor-executivo do Instituto de Financiamento de Campanha, em Washington.

A possibilidade de um candidato com uma fortuna declarada de US$ 10 bilhões (R$ 35 bilhões) sofrer com problemas de caixa pode parecer estranha, mas o patrimônio de Trump não significa dinheiro na mão.

Segundo levantamento do “Wall Street Journal”, no início da corrida o virtual candidato republicano tinha no máximo US$ 232 milhões em ativos líquidos. Longe, por exemplo, do que custou a campanha de Barack Obama em 2012 (US$ 721 milhões).

Ex-sócio do banco Goldman Sachs, Steven Mnuchin foi o escolhido por Trump para comandar o esforço.

Ele tem usado seus contatos em Wall Street e o fato de pertencer a uma das famílias mais influentes de Nova York para tentar criar uma rede de financiamento e evitar que campanha fique sem combustível na reta final.

Mnuchin não tem o perfil clássico de gerente financeiro de campanha e carece de experiência no corpo a corpo com os doadores republicanos, o que aumenta as dificuldades, diz Malbin.

Além disso, suas ligações com o partido rival podem afastar os mais conservadores. O histórico de doações de Mnuchin mostra que no passado ele foi igualmente generoso com republicanos e democratas, incluindo Hillary.

A resistência política ameaça travar a logística de arrecadação. Com seus ataques aos chamados “superpacs”, comitês sem limites para contribuir, nenhum grupo quer canalizar as doações maiores, afirma o jornal “Washington Post”. Entre elas, a do magnata dos cassinos Sheldon Adelson, que prometeu US$ 100 milhões.

As contradições de Trump pouco ajudam. Ao mesmo tempo em que tenta recuperar terreno, a campanha mantem o discurso. “O sr. Trump continua a repudiar todos os superpacs”, disse ao “Post” um porta-voz de Trump.

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