Caetano: “Vou ganhar as eleições com 80% dos votos, espero”

Por Camaçari Fatos e Fotos

Toda turbulência, de momento, do cenário político em todas as esferas da república brasileira – seja em Camaçari, no estado ou no país como um todo -, a efervescência que tem descentralizado a discussão de poder; a economia e a corrupção, serviu como pano de fundo para essa entrevista exclusiva que o deputado federal mais bem votado na Bahia, nas últimas eleições, Luiz Caetano (PT), ex-prefeito de Camaçari e possível pré-candidato à sucessão municipal em 2016, concedeu ao Camaçari Fatos e Fotos.

A conversa franca traçou um ‘raio-x’ na conjuntura política, relação entre governo Dilma e a oposição, governo e base aliada, a situação da presidente Dilma, a operação Lava Jato; o ex-presidente Lula, e o conjunto de intrigas pré-eleitorais entre a oposição camaçariense e os governistas. A Imprensa local, o ‘caso’ Paolo Marconi e a relação com o prefeito Ademar Delgado também fizeram parte da conversa.

Camaçari Fatos e Fotos: Fale desse momento da presidente Dilma, e da oposição a ela, aí incluindo os de fora e dos de dentro…

Luiz Caetano: Na verdade acho que a presidente Dilma demorou pra tomar duas grandes atitudes, uma foi com relação a articulação politica do governo, e a outra foi com relação a crise econômica.

Eu coloco aqui 2008, por exemplo: fui reeleito prefeito em outubro, e em novembro começou uma crise econômica internacional. O que é que eu fiz? Imediatamente fiz um estudo aprofundado, tomei as devidas providências para que a crise econômica não atingisse tão fortemente o município. Durante o ano de 2009, nós perdemos 80 milhões do orçamento, mas nós atravessamos com uma performance muito ótima, do ponto de vista da opinião pública. Ela começou a sentir os sinais da crise durante a campanha dela e depois – porque internacionalmente nós estávamos também com crise, e que se prolonga até agora, e às vezes, que até se aprofunda. Então, ela demorou de tomar providências, mas, tomou a providência do ponto de vista dela. Ela colocou o Mercadante para ser ministro da Casa Civil porque é o mesmo perfil dela. Com a saída do Mercadante, e também com a entrada do Wagner na articulação política do governo e da gestão, o Wagner sendo ministro da Casa Civil, o governo dela começou a melhorar, e não só do ponto de vista da sociedade mas também da articulação política. Hoje nós já temos uma base mais consolidada dentro do Congresso Nacional. Hoje nós estamos ganhando quase todos os projetos dentro do Congresso Nacional.

CFF: Nesse tempo curto? Então foi o que levou Lula a dizer que Wagner é um “fenômeno político”?

Caetano: Também. Porque a gente já sabia! O líder do governo, semana passada, disse “O Wagner é muito bom”.  E falei “Você não viu nada ainda! Ele é um cara bem articulado, dialoga, tem experiência administrativa, tem experiência política… fez uma boa gestão na Bahia, elegeu sucessor – e o sucessor está indo bem aqui na Bahia. Hoje, você pode pegar os principais comentaristas do Brasil, dizendo que ele, Wagner, em duas/três semanas, já mudou a cara da Casa Civil. Então o governo passou a ter um desenho. Obvio que a Dilma teve – e ta tendo – a oposição fora do partido, e tem dentro do partido, quem questiona isso – o que é normal, porque, também, se não houvesse sido questionado, ela não teria mudado. Então, acho que ela, apesar de que demorou, mudou. E vai mudar mais; vai melhorar mais. Porque ela está no inicio do governo dela. Nós temos 10 meses de governo… então, eu acho que agora ela começa a encontrar o caminho do ponto de vista político e precisa encontrar o caminho  do ponto de vista econômico, para retomar a consolidação do governo  e a retomada da economia do Brasil, para o Brasil voltar a crescer e melhorar a vida do povo.

CFF: E a oposição – oposição legítima – à ela, nessa situação, como o senhor avalia?

Caetano: Não existe oposição legítima não. A oposição que era o PSDB e o DEM, só fez – como faz em Camaçari – criticar e dar porrada. Qualquer mudança que tem na conjuntura, eles se perdem. Eles estão perdidos! Você pode ver na televisão, eles estão batendo a cabeça: “É impeachment! É Tira Dilma! Tira Dilma!”. Mas não apresenta um projeto, não apresenta absolutamente nada, na hora que também levam porrada…!

Eu estava dizendo outro dia, que é tipo aquele artista, Silvester Stalone, experiente: o cara vai, bate, bate, bate, mas quando Stalone dá um pau só, acaba a luta. Entendeu?

Então, na verdade, ela tem enfrentado a oposição, uma oposição política, partidária, mas incompetente e sem projeto. A maior oposição a Dilma não é o PSDB, não é o DEM. Na verdade a mais competente oposição a Dilma é a mídia – parte da mídia, que faz como se fosse um partido político, que trabalha contra ela.

CFF: Com relação à oposição interna, o “fogo amigo”, e aos opositores legítimos – que o senhor acabou de dizer que ‘não são fazem oposição legítima’, pelo cenário, o senhor concorda que no geral a política se transformou num “balcão de negócios”?

Caetano: Não é que a política se transformou num “balcão de negócios”. A política, no mundo inteiro, em todos os lugares, ela tem um perfil… qual é o perfil da política? Todo mundo! Ninguém apoia Franco vereador, Franco prefeito, Franco governador, Franco deputado, Franco senador, Franco presidente da república… se também Franco não sentar e dizer: “Olha, você me apoiando eu posso determinar uma obra pra sua região, eu posso incorporar o teu programa de governo! Tem sempre que ter a participação de “alguma coisa”. Por exemplo, ninguém ganha a eleição sozinho. Se o PT ganhou a eleição sozinho, o PT ganhou a eleição foi com o PMDB, e com tantos outros partidos.

Então, o PT, e o governo federal, tem que incorporar esses partidos na gestão. Não é assim em São Paulo com o PSDB, com Alckmin? Não é assim no Paraná com o governador do PSDB? Não é assim do RJ com o governo do PMDB? Quando é que se governa que não tenha “´participação”? Não é assim aqui na prefeitura de Salvador, com ACM Neto?

ACM Neto governa sem Gedel? Governa sem Lúcio? Governa sem Aleluia? Governa sem a participação do deputado0s federais e estaduais dentro do governo dele? Não!

CFF: Mas dentro das “portas” isso também acontece nas aprovações dos projetos que tem direção ao povo, ao geralzão…

Caetano: O que é, por exemplo, a Emenda Impositiva? [que obriga o governo a pagar as emendas individuais apresentadas] Cada deputado – o deputado novo teve, esse ano, cada um, 4 milhões e 800 mil, de emendas impositivas.  Eu votei isso pra Bahia. Onde é que eu botei? Onde o pessoal votou comigo. Onde eu tive mais votos, eu fui lá e botei! Escalei os municípios e botei. Para cada município eu botei um pouco.

Eu tenho, ano que vem, 16 milhões. Eu tô fazendo a mesma coisa…

Eu peguei agora, fui lá pra bancada – para as emendas de bancada -, fiz uma articulação que ninguém achava que tinha condições de fazer, e passei, na emenda de bancada, 30 milhões para a remodernização da feira de Camaçari – Centro Comercial de Camaçari. 30 milhões, que aprovou na bancada.

O que é que eu preciso agora? Eu preciso do apoio de todos os deputados que tiveram voto em Camaçari, independente de partido, para que aprove isso no orçamento da União.

30 milhões para o Centro Comercial de Camaçari. Por que é que os outros não conseguiram isso antes? Então eu tive força, tive articulação pra montar aquilo ali.

CFF: Seria porque os deputados federais, ausentes, tinham interesses pulverizados e você tinha interesse centralizado em Camaçari?

Caetano: 36 mil votos em Camaçari. Tenho que mostrar á população de Camaçari, e da Bahia que eu não estou lá para brincar. Enquanto a oposição fica xingando aqui dentro, eu to trabalhando: eu botei recursos para Simões Filho, para Catu, botei recurso pra Pojuca, pra Dias D’Ávila, botei pra Candeias, botei pra Jussara, botei pra Central, pra Irecê, botei pra Santo Estevão, eu botei pra Maragogipe, botei pro Oeste da Bahia…! Sabe, botei pra cada lugar um pouco!? Claro, e óbvio, que naquela escala onde tive mais voto, pra atender a sociedade que apostou em mim. Entendeu?  Mas, quais os outros deputados federal que botou? Quem me ajudou a botar esses 30 milhões no Centro Comercial , foi Valmir Assunção, que me ajudou, aqui; Alice Portugal, me ajudou, me ajudou João Carlos Bacelar – que estava lá na reunião na hora; me ajudou Bebeto… entendeu?

Agora, os outros deputados que não estavam lá na hora e não participaram, eu preciso que eles, que também foram votados aqui, que me ajudem a garantir isso no orçamento da União. Eu já dei o primeiro passo. Em 20 emendas, pra Bahia toda, tem uma de 30 milhões pra Camaçari. E botamos mais 10 milhões com Alice Portugal, pra UFBA em Camaçari. Só ai são 40 milhões, ‘brother’, que nós botamos, entendeu?

CFF: Muito bem, com tudo isso Lula disse que o Brasil vive hoje um “estado de exceção”.

Caetano: Lula é um sábio da política. Lula é um gênio da política do Brasil, da America do Sul, da America Latina e do mundo. Todo mundo achava que Lula como presidente da república não iria dar certo porque era um operário, que vinha do movimento sindical, e foi o presidente que conseguiu – grave isso, na sua cabeça, no seu site, no seu jornal, pela primeira vez na história do Brasil, incluir o povo mais pobre no orçamento da União.

Quando ele bota lá que tem 28 bilhões pra Bolsa Família, quando ele garante que 54 milhões de brasileiros são beneficiados com um programa de inclusão social, quando vem uma manchete dos jornais que diz o seguinte: “Pela primeira vez no mundo, pela primeira vez no Brasil, o Brasil sai do “mapa da fome”; o que é confirmado pelas Organizações das Nações Unidas mundial, como se viu no Relatório da ONU ano passado, é graças a quem? A Lula!
Então, Lula, é o grande líder da população brasileira.

CFF: O senhor não respondeu minha pergunta…

Caetano: O Brasil não vive um estado de exceção. Na minha opinião, o Brasil vive um “estado complicado” porque a “elite” não aceita os avanços que teve. Lula disse o seguinte: o Brasil foi descoberto oficialmente em 1500. A primeira Universidade que tivemos no Brasil foi em 1922 – 400 anos depois. E, a Bahia permaneceu com uma só Universidade Federal até recentemente. E Lula colocou seis universidades federais na Bahia. Então, é a elite brasileira que colocou sempre o brasil numa “exceção”, para que o Brasil fosse sempre um “país dos pobres”, dos incautos, dos analfabetos… e Lula transformou isso.

CFF: A operação Lava Jato é genuinamente jurídica ou genuinamente política, como há quem diga?

Caetano: São as duas coisas. Tem o jurídico e o político. Mas porquê está sendo mais política do que jurídica? Porque só bate no PT. Porquê não bate nos outros? Agora que começou a bater no Eduardo Cunha (PMDB), porque ele enfrentou…

CFF: Por que ele enfrentou quem? Porque enfrentou o governo?

Caetano: Ele enfrentou o Ministério Público Federal, enfrentou a justiça federal..!
O governo deixou que o ministério da justiça, deixou que a polícia federal fizesse todas as apurações. O governo não se meteu.

CFF: Então o senhor está dizendo que se o sujeito, o opositor, não enfrentar o Ministério Público, não enfrentar a justiça, a justiça passa a mão pela cabeça…?

Caetano: Não, não estou dizendo isso! To dizendo o seguinte: que o foco central da operação Lava Jato foi em cima do PT. Por quê que, realmente, o mesmo recurso, a mesma quantidade de recursos que o PT recebeu na campanha presidencial das empresas que estão na Lava Jato foi também o que o PSDB recebeu, o DEM recebeu uma parte também, os outros partidos quase todos receberam, por quê que só tá preso o tesoureiro do PT? Por que tem dinheiro podre e tem dinheiro limpo? O dinheiro não é o mesmo? Por que? Então é uma pergunta que a gente tem que fazer.

Então, eu acho que nesse sentido, o que é que ta acontecendo? Ela foi direcionada principalmente contra o PT, pra criminalizar o PT, pra desgastar o PT! Porque que existe hoje o jogo da elite do país, com o Tira Dilma, tira Lula, tira o PT?.

Então, a gente tem que ver isso aqui: do PT, quem deve tem que pagar, mas dos outros também (partidos), quem deve tem que pagar.

Por que não foi apurado que se pegou um helicóptero com 500kg de cocaína na fazenda de Aécio Neves? Por que não foi pra frente essa apuração? Porquê que o ‘Mensalão’ do PSDB não foi pra frente? Por que todas as denúncias que se tem contra os governos do PSDB em São Paulo e no Paraná ficam sempre em segundo plano e a mídia não dá destaque? E assim por diante, Franco…

CFF: O sr. Acha que há inocentes no “olho do furacão” da investigação e dos indiciamentos da operação Lava Jato?

Caetano: Sempre há inocentes! Sempre aparece inocente.

CFF: Inocentes indiciados?

Caetano: Eu não tenho esses dados. Mas sempre há inocentes. Por isso que a gente tem que esperar a apuração total. E eu apoio, eu acho que foi importante a Lava Jato, é importante a Polícia Federal, mas lhe respondendo, eEu sou uma vítima da polícia federal. Eu fui uma vítima da polícia federal. Eles pegaram e me perseguiram, fui preso, entendeu? Três anos depois eu mostrei pra sociedade toda que eu não devia nada. Eu paguei por uma coisa que eu não fiz.

Sempre procuram me investigar… jogar pesado em cima de mim, e sempre eu comprovo que eu sou um político diferente, que eu vivo para o povo, que o meu patrimônio é o povo, é a transformação… é a política que eu faço. Eu não sou uma pessoa de patrimônio, meu patrimônio é o patrimônio político, é a minha moral, a minha fé, minha esperança que eu tenho de transformar as coisas em nosso país, em nosso município. Por isso que eles bolem, bolem, bolem, denunciam, denunciam, denunciam e não dá nada, depois vou comprovando.

Então, se eu fui vítima, pode ser que tenham algumas vitimas mais. Mas aí, cada um tem que ter o direito a resposta, tem que ter direito ao contraditório, tem que se defender e mostrar suas provas.

CFF: Lula seria o foco, a meta – do ponto de vista político, nessas investigações?

Caetano: Claro, claro, a elite não engole Lula. A elite em 500 anos botou o país no obscurantismo. Por exemplo, de 500 anos, 400 anos não tivemos uma universidade, como eu lhe disse, esse é um dado concreto. Quando foi que preto, pobre, teve acesso á universidade?

Depois do PROUNI, depois do Bolsa Familia; depois do Minha Casa, Minha Vida… e quem fez isso, cara, nesse país? Depois do ENEM, depois que Lula realmente abriu as portas, depois que Lula melhorou o salário mínimo nesse país, baixou a taxa de desemprego pra 4.3% – como nunca na história do Brasil, Sabe, ele abriu financiamento para pequeno empresário, abriu o espaço para micro e pequena empresa, trabalhou o saneamento básico nesse país…! Pobre passou a andar de avião, pobre passou a frequentar universidade, pobre passou a ter vez e voz nesse país, pobre passou a comer três vezes ao dia…! Então, é por isso, a elite não engole isso, a elite quer acabar com esse cara, e isso não pode, quer dizer, acabar com esse cara é acabar com o povo, independente de você gostar de Lula ou do PT, sabe, é um patrimônio que nós temos, é um patrimônio que nós temos!

CFF: O PT se recupera, Caetano, frente a classe trabalhadora?

Caetano: O PT tem uma base social muito forte. Eu acho que vai ter muita surpresa com o PT. Por exemplo, tivemos aí várias eleições municipais, e o PT ganhou a maioria dessas prefeituras. Agora nesse auge dessa crise, o PT ganhou várias, seis, sete, oito prefeituras. Entendeu? Então o PT tem uma base social muito forte, tem uma militância muito forte… E o PT tem apoiado a questão das apurações do combate à corrupção. Mas o PT tem aí pela frente uma grande batalha, e tem que enfrentar essa batalha, pra continuar a esclarecer à população cada vez mais.

CFF: Rui Costa até aqui…

Caetano: Ótimo! Ta bem, ta aprovado, é um bom governador, plantado. Eu não esperava, lhe confesso que eu não esperava que o Rui fizesse o que ele ta fazendo – eu to apoiando, acho que ele ta indo bem. É um momento em que estamos vivendo a crise, e mesmo na crise Rui Costa está ultrapassando, está com 60% de aprovação, nessa crise toda que ta aí, e é do PT.
Eu fiz a transformação de Camaçari sob o PT. Então, tem gente boa no PT, tem gente que até o momento fez mal feito mas tá sendo punido. Mesmo que haja também em partidos da oposição e tratamento não esteja sendo o mesmo…

CFF: Um resumo breve de Caetano em Brasília até aqui.

Caetano: Peguei um período ruim em Brasília, um período de crise… no parlamento, tudo que o pessoal fala lá, que nos últimos 50 anos nunca aconteceu, ta acontecendo agora. Mas tenho marcado posição, tenho tido uma boa articulação na bancada, sou um dos coordenadores do nosso campo na bancada do PT, tenho pautado as questões nacionais e internacionais na defesa do povo, as questões municipais; tenho defendido o municipalismo, o desenvolvimento local como ponto central do desenvolvimento geral do nosso país, tenho questionado a política econômica; acho que os juros altos não ajudam a desenvolver a economia, acho que a política que Levi [Ministro Fazenda] está colocando num está correta: de manter juros altos, o câmbio alto, ou seja, o dólar a 4 reais como ta custando hoje, isso é ruim pra nossa economia. Tem que modificar isso. Acho que o arroxo, que o ajuste que ta sendo feito pelo governo federal, na minha opinião, não vai ajudar na retomada da economia. Questiono isso. To defendendo para que realmente Haja abertura de crédito para as micro e pequenas empresas, que consequentemente haja a reforma tributária para ajudar os municípios… To tendo uma linha de atuação, sabe, em defesa do Brasil, em defesa do governo, mas, também, discordando de algumas questões do ponto de vista econômico que o governo vêm apresentando, entendeu? Tô defendendo Camaçari, tô defendendo a Região Metropolitana, e tô defendendo a Bahia no Congresso Nacional.

CFF: Caetano em Camaçari nesse momento da rejeição das contas.

Caetano: Preparando Camaçari, a nossa militância, a sociedade, com a agenda Camaçari pra fazer uma proposta nova inovadora, de nova governança pro município de Camaçari; eu acho que a grande contribuição que to dando pra Camaçari agora é essa. Bora preparar a nossa população para participar do futuro governo. E construindo com a sociedade é uma vitória do povo de Camaçari, pra ter uma gestão inovadora, para retomar o desenvolvimento de Camaçari que parou nesses três anos; deu um passo atrás por diversas razões, por questões de gestão pública em função da crise internacional, da crise nacional, por falta de um comando mais consolidado na prefeitura, por falta de discutir perspectivas para o nosso município, por falta de visão maior dos governantes atuais do ponto de vista do desenvolvimento de Camaçari; e eu acho que tudo isso a gente tem que discutir transparentemente.

Onde é que nós erramos? Onde é que a política voltou que deu marcha ré? Pra que a gente possa não errar de novo? Para que a sociedade contribua no sentido de a gente avançar. Então eu acho que a gente tem muita perspectiva. Porque o que eu fiz nessa cidade, eu trouxe essa cidade de um patamar lá de baixo pra um patamar cá em cima…? A cidade cresceu, se desenvolveu. Nós temos que dar um pulo de qualidade na cidade, e eu quero, junto com o povo, dar esse pulo de qualidade, para que a gente possa, no ano que vem, ganhar as eleições e governar bem. E meu nome está sendo colocado, está sendo discutido, o povo tendo discutido e se for isso, eu vou topar essa batalha, pra estar junto com o povo. Eu acho que é o momento. Nós temos que preparar isso pra ganhar as eleições, e fazer um novo governo de 4 anos, sabe, de progresso, de desenvolvimento pra Camaçari.

CFF: Quem viveu em Camaçari na década de 80 viu você derrubar o poderoso governador, na época, Antonio Carlos Magalhães, e viu como ele reagiu a isso, e muitos que ainda vivem na cidade, como eu, devem se recordar da situação, quando você disse ao seu então secretário da fazenda, Ademar Delgado, qual era o dinheiro que tinha em caixa, o FPM, onde o senhor, sengundo consta, não sabia onde investir ou pra onde ia aquele dinheiro, e pagou os funcionários, que estavam com os salários atrasados, e dali desencadeou-se uma perseguição política muito grande. Mas Antonio Carlos Magalhães morreu. Mas há quem diga que o conselheiro Marconi “incorpora” hoje o ‘espírito’ do falecido ACM com relação a Caetano. O senhor concorda com isso?

Caetano: Não sei se ta incorporando o espírito, mas, ele não é um espírito bom. O que ele fez, na minha opinião, eu já disse, no rádio, ontem ou antes de ontem, como juiz jogou pra plateia, num é? Ele fez um teatro. É como eu disse antes: todo mundo sabe e a prefeitura toda sabe que eu digitalizei a prefeitura, todos os processos da prefeitura são digitalizados. Toda prestação de contas é digitalizada. Eu tive minhas contas aprovadas durante sete anos. A ultima conta, que passou três anos nas mãos deles, eles desaprovaram dizendo que houve falta de documentação. Eu mandei tudo digitalizado pra eles. Pediram pra eu imprimir, eu imprimi e mandei todos os processos pra eles. Além da prestação normal, um relatório de final de ano, do  próprio TCM, relatório de final de ano, não diz que estava faltando aquela documentação; então eu tenho isso como comprovação. Pegaram até um processo da Câmara de Camaçari, daquela vez que aquele cara roubou lá a Câmara, que depois Luiza Maia botou ele na justiça, mandou prender e tudo mais, botaram nas contas da prefeitura, pra justificar que eu não comprovei os gastos com publicidade. Foi o ano que eu menos gastei com publicidade, porque o ano era eleitoral. Eu comprovei todos! A Cidade do Saber ele fez auditoria, a auditoria que ele fez disse que tinha lá umas irregularidades – que eram sanáveis, mas ele me deu uma multa de dez mil reais; ele incorporou isso dentro do processo de desaprovação das contas. Então, ele tentou criar um fato político que, na minha opinião, ele armou uma arapuca mas que ele próprio caiu dentro da arapuca.

CFF: Até aonde isso é – ou não – uma barreira para os seus projetos ou a virtual candidatura a prefeitura de Camaçari?

Caetano: Não é barreira, não existe essa barreira. O que aconteceu foi trabalhar um desgaste, foi criar um clima pra gerar um desgaste político… e que, Deus é Pai, Deus é forte, Deus é amor, Deus é esperança. Deus operou, Deus é justo, Deus operou. E na verdade é o seguinte: nesse momento, eles mostraram quem são eles, quando foram pra rua daquela forma tão feia, tão de baixo nível, criando aquela confusão na cidade.

CFF: Eles quem?

Caetano: O DEM, o pessoal do DEM, articulado pelo ex-prefeito Helder Almeida e pelo vereador do DEM aqui em Camaçari. Fora pra rua me xingar, dizendo que eu estava preso, e que eu tinha assaltado a prefeitura… mas o povo ficou contra a atitude deles, eles mostraram ali quem são eles. Não tem capacidade, Franco, eles mostraram ali que eles não tem preparo pra governar Camaçari. Com aquela baderna, com aquela confusão o povo se manifestou, o povo viu…! Eu, naquela época da “Navalha” que eu fui preso e depois eu mostrei realmente que eu não tinha nada a ver com aquilo, eu tive 74% dos votos. Se eu for candidato a prefeito, eu acho que vou chegar aos 80% dos votos em Camaçari, eu espero.

CFF: A oposição tem telhado de vidro, quanto à rejeições de contas pelo TCM, como disse o vereador Téo Ribeiro?

Caetano: Não é só isso não. Você não viu Eduardo Cunha? O cara com telhado de vidro jogando pedra no telhado dos outros. É a mesma coisa aqui em Camaçari. Os caras tem uma mercadoria, tipo mercadoria do Paraguai, contrabandeada – daquela falsificadas, porque no Paraguai tem mercadoria boa, aí querem empurrar essa mercadoria em cima do povo, e ainda querem convencer de que ela é boa, aí fazem um barulho danado pra ver se passa o carro com a mercadoria contrabandeada pra sociedade de Camaçari. Que é o DEM? O DEM é um contrabando. Quem é o DEM? Foi o PFL do passado, foi Arena do passado…! Sabe, é um contrabando na sociedade brasileira, cara. Governou aqui esse município até 2004, derrotei eles em 2004. Deixaram a cidade arrasada. Quem era o prefeito em 2004? Helder almeida. Quem é o presidente do DEM hoje, e que faz tudo isso? É o próprio Helder Almeida. Mudaram a roupagem, mas é a mesma coisa. Quer vim com uma maquiagem nova, mas é a mesma coisa. Qual é o projeto que esses caras apresentaram durante 12 anos, durante 10 anos? Me mostre um. Um só, um projeto pra cidade de Camaçari, pro desenvolvimento de Camaçari. Tiveram a oportunidade, e o governo foi um fracasso. Eu derrotei e transformei a cidade. Eles agora quem voltar pra de novo pegar a cidade, e botar ACM Neto pra ser candidato a governador. Eles querem eleger ACM Neto. Não vão conseguir.

CFF: O vereador Elinaldo, então, é inocente com essa orientação de Helder ou ele sabe muito bem onde ele está?

Caetano: Ele faz o jogo, eles estão dentro do jogo. É a mesma coisa. não é o vereador em si, é o que está em torno do vereador; não é a pessoa em si, não é o candidato, o pré candidato, ou o político em si. Quem é que tá no comando? Quem é que tá organizando? É a cabeça. A mesma coisa do governo que tá ai. Montou uma cabeça ruim. As pessoa nos lugares certos, lima equipe que não era boa com o povo; o que é que o povo fez? Deu as costas. Porque o governo deu as costas para o povo.  Então, eles tem um grupo, um comando, sabe? Que não é o o cara que ta ali dentro, pelo contrário, ele ta ali dentro daquele processo todo, com aquele comando ali dentro, com um conjunto fazendo uma política atrasada, ultrapassado, no nosso município… num defende o povo – por exemplo, eu defendo hoje que as igrejas entrem nas escolas pra ajudar a combater o narcotráfico, o tráfico de drogas. Eu defendo que monitore todas as escolas; eu defendo que a gente construa paz em Camaçari; que a gente tenha um programa avançado de desenvolvimento da cidade, de combate à violência, transformando a nossa cidade numa paz para as famílias, para as pessoas. Eu defendo que a gente tenha uma educação de turno integral nas escolas. Que a gente modifique a saúde pública de Camaçari. Eu trabalho por isso. Eu estou trabalhando para ter uma nova governança para a cidade, para a população ter uma participação mais efetiva no comando da prefeitura.

E o que é que eles defendem? Xingamentos, baixaria, sabe? Baderna na cidade. Não tem um projeto. Esse menino ai que você falou, que é vereador, há quantos anos que ele é vereador? Qual é o projeto que ele apresentou na Câmara de Camaçari? Me mostre um.

Camaçari teve vários deputados federais, veja ai qual é o que apresentou lá dentro de Brasília, o que eu tô apresentando para Camaçari. Nenhum!

CFF: Caetano e Ademar.

Caetano: Ademar tem que, na minha opinião, terminar o governo dele.
Eu acho que Ademar teve a oportunidade, que nós demos a ele, que o povo deu, e ele não soube aproveitar a oportunidade. Ele não soube aproveitar. Porque, na minha opinião, algumas pessoas interviram o orientando de forma equivocada, entendeu? Subiu pra cabeça o poder na prefeitura e, de certa forma, não está indo bem o governo dele.

Eu acho que, na minha opinião, ele devia, nesse resto de mandato, cuidar do governo, tentar agradar a cidade – por exemplo, eu acho que ele deveria abrir as escolas para colocar as igrejas dentro das escolas pra ajudar no combate as drogas; devia fazer um levantamento nas escolas, devia melhorar o transporte público da cidade, a mobilidade da cidade. Enfim, concluir as obras ai que nós deixamos, que estão com o recurso do Governo Federal, e cuidar pra, pelo menos, tentar melhorar o governo dele até o final da gestão.

CFF: Com esse projeto, das igrejas nas escolas, consciência divina seria a saída para a violência, é isso?

Caetano: Como?

CFF: Consciência divina.

Caetano: Quem sabe!?

CFF: Maravilha!

Caetano: Quem sabe…?!

CFF: Caetano, os partidos aliados e as lideranças políticas…

Caetano: Estamos dialogando, estamos conversando. Eu não to apressado. Franco, cada eleição é uma eleição. Então, nós temos que nessa eleição trabalhar em partes. Segundo, que nós temos que pensar como é que vai ser trabalhada essa eleição em Camaçari. A eleição é ano que vem, acho que não ta na hora de… cada um faz o que quer. Pra botar trio elétrico na rua pra ficar nessa coisa, nessa confusão… isso só cria espuma. Entao, eu acho que não se tem que fazer eleição com espuma, tem que se fazer eleição com propostas, com projetos. Eu tô um pouco lincado nisso. Eu penso que nós temos que ter pra Camaçari um novo formato para as eleições e pro futuro governo. O formato que tá ai, o formato que vem até agora, do que não deu certo, e do que deu certo, nós precisamos avançar e inovar em cima disso. To trabalhando num projeto inovador pra Camaçari, do desenvolvimento científico, do desenvolvimento das pessoas. Mas com um projeto inovador, sabe? Inclui a sociedade junto comigo, todo nós juntos para construirmos esse novo desenho para a cidade. Eu acho que é esse o momento e é esse o maior desafio. Se você disser: Caetano, isso ta pronto? Eu digo: Não, não tá pronto! Porque eu tenho que conversar isso com você, com a sociedade, para nós encontramos o melhor desenho pra nossa cidade.

Não to preocupado agora em ver quem é candidato A, candidato B, candidato C. Isso eu só vou me preocupar ano que vem, como é que vai ser a candidatura. Agora, é o desenho, é o projeto, é o modelo, é o rumo do nosso município. É esse o desafio agora, para nós encontrarmos.

CFF: A imprensa local lhe acompanha. O senhor acompanha a imprensa?

Caetano: Claro… eu acompanho a imprensa! Eu leio você todos os dias. Eu leio todos os sites de Camaçari todos os dias. Eu corro, mas acompanho de perto. Quando eu acordo, eu acordo logo cedo, 6h da manhã, 5h30 da manhã, eu já estou lincado com vocês. Voces que não me veem, mas eu estou vendo vocês. Vocês que nem sempre me veem.

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