EUA: Trump e Hillary consolidam vantagens, e Rubio sai da disputa

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WASHINGTON — O republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton tiveram sucesso em um dia fundamental para suas aspirações presidenciais nos EUA. Em mais uma Superterça de 2016 — dia de maratona eleitoral para a disputa à Casa Branca — são determinados cerca de 15% dos delegados necessários para obter a nomeação nos partidos Republicano e Democrata. As votações ocorreram em cinco estados: Flórida (onde ambos venceram), Ohio (Hillary vitoriosa, Trump derrotado), Illinois (Trump e Hiilary levaram), Carolina do Norte (Trump e Hillary saíram vencedores) e Missouri, onde o resultado segue indefinido. Enfraquecido, o senador Marco Rubio saiu da disputa republicana.

Na Flórida, Trump e Hillary tiveram vitórias com margens consideráveis sobre os rivais Marco Rubio e Bernie Sanders, segundo projeções. Com 99 delegados em jogo para os republicanos no estado, Trump angariou todos para sua contagem — parte do sistema “vencedor leva tudo” no estado. Do lado democrata, uma alocação proporcional distribui 246 delegados de acordo com o desempenho de cada pré-candidato.

O governador de Ohio, John Kasich, freou Trump e levou a primária de seu estado natal, de acordo com projeções. No sistema “vencedor leva tudo” republicano, os 66 delegados vão para ele. Hillary teve projeções indicando vitória fácil sobre Sanders — seus 160 delegados democratas são distribuídos proporcionalmente.

Na Carolina do Norte, Trump acabou projetado como vencedor sobre o senador Ted Cruz, atualmente o único pré-candidato próximo em número de delegados na disputa total. O estado tem 72 delegados republicanos em jogo, mas com distribuição proporcional. Do lado democrata, Hillary foi projetada vitoriosa sobre Sanders, levando uma fatia maior dos 121 delegados.

Em Illinois, com 69 delegados distribuídos em sistema misto, Trump foi declarado vencedor, e Hiilary foi a vitoriosa entre os democratas.

FIM DA LINHA PARA RUBIO

Com a derrota na Flórida, Rubio ficou sem saída política após fracos desempenhos na briga republicana. Perdendo seu estado natal, o senador acabou ainda mais longe de Trump e de Cruz. Ele elogiou a vitória de Trump em seu discurso, mas atacou a postura do magnata dentro do sistema político antes de abandonar a corrida.

— O país foi atingido por uma tsunami política. Deveríamos ter previsto isso. O povo está muito preocupado com o futuro de nosso país — disse Rubio em seu discurso, antes de criticar a retórica de Trump por “gerar um sentimento de frustração mais grave” na população, enquanto disse que manterá uma postura otimista. — As políticas do ressentimento não fraturarão apenas o partido, mas o país. Os Estados Unidos precisam de um forte e vibrante movimento conservador. Apesar de estarmos no lado certo, não estivemos no lado vitorioso esse ano.

Kasich escreveu um tweet parabenizando Rubio, chamando-o de “uma voz poderosa para o futuro do partido”. Cruz disse que o colega senador “inspira milhões”, e, em discurso, disse que seus apoiadores “são bem-vindos”.

Após as três vitórias, Hillary parabenizou Sanders pela “campanha vigorosa”.

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— Estamos nos aproximando de garantir a festa indicação democrata e vencer esta eleição em novembro. Hoje, fica claro que essa é um das campanhas de maiores consequências para nossas vidas — ela disse, antes de criticar Trump. — Nosso comandante-em-chefe tem de ser capaz defender o nosso país, não constrangê-lo. O líder dos americanos não deve alienar os aliados e não encorajar os inimigos.

DESAFIO-CHAVE

Trump conquistou a vitória nas prévias do partido realizadas nas Ilhas Marianas. Com 73% dos votos, o magnata obteve mais nove delegados. Em segundo lugar, ficou o senador Ted Cruz com 24% dos votos. Já o governador de Ohio, John Kasich, e o senador Marco Rubio levaram a terceira e a quarta posições, respectivamente.

Antes da votação, Trump liderava a corrida do seu partido com 469 delegados — contra 370 de Cruz, 163 de Rubio e 63 de Kasich. Para conseguir a nomeação republicana, são necessários 1.237 delegados. Para os democratas, são 2.383.

Do lado democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton pode abrir distância do adversário Bernie Sanders, senador de Vermont, nas votações desta terça-feira. Sondagens dão a ela grande vantagem na Flórida e na Carolina do Norte, mas mostram Sanders ganhando terreno em Ohio, Illinois e Missouri.

Uma semana atrás, o senador declarado socialista venceu em Michigan, após ficar muito atrás em todas as pesquisas.

‘COBRAS VENENOSAS’

Na véspera da “segunda” Superterça, Trump ofereceu mais uma declaração polêmica durante sua campanha presidencial. Em discurso a apoiadores, ele comparou imigrantes a “cobras venenosas”. E, para isso, fez uma leitura dramática da música “The Snake” (“A Cobra”, em português), de Al Wilson.

A composição de 1968 conta a história de uma mulher que toma conta de uma cobra ferida — mas, no final, apenas ganha em troca uma ferida fatal.

— Você bem sabia que eu era uma cobra quando você me acolheu — recitou Trump em um aeroporto de Ohio.

Ao final da performance, o bilionário foi veementemente aplaudido pelo público. Em seguida, ele prometeu mais uma vez construir um muro ao redor da fronteira do México com os EUA.

O senador Mitch McConnell, líder da maioria e que já foi chamado de mentiroso por Cruz, decidiu apoiá-lo. Lindsey Graham, também ex-postulante presidencial, endossará o colega, considerado um político da extrema-direita, ligado ao movimento ultraconservador Tea Party, a contragosto. O apoio dos dois senadores mostra o desespero do partido, pois Cruz sempre foi impopular em sua bancada (brincava dizendo que precisava de “um provador de comida” para evitar que fosse envenenado nos jantares dos republicanos no Senado) e sempre disse que sua campanha era “contra Washington”.

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— Neste momento, a única alternativa a Donald Trump é Ted Cruz, apesar de ser profundamente repugnante para a maioria das figuras republicanas tradicionais. Eles o estão abraçando com grande relutância, colocando pregadores de roupa no nariz ao dar o apoio — afirmou Allan Lichtman, professor da American University, de Nova York.

Cruz, que segue no encalço de Trump, disse que não aceitaria ser seu vice, caso perca.

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