Líder em ataque de tubarão, PE está há mais de 1 ano sem monitorar animais

Pernambuco, Estado que lidera o ranking brasileiro de ataques de tubarões, com 62 incidentes e 23 mortes desde 1992, está há mais de um ano sem ações de monitoramento desses animais.

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O convênio entre a UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) e a Secretaria de Defesa Social do Estado para manutenção do projeto Protuba, que mantinha cinco pesquisadores para realizar captura, marcação e soltura dos peixes, foi encerrado em dezembro de 2014.

Em dez anos, o projeto capturou mais de 450 tubarões e realizou um trabalho de educação ambiental e preventivo, segundo o presidente do Cemit (Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões), coronel Clóvis Ramalho.

“Mantivemos essas duas ideias do Protuba, principalmente a prevenção. Tanto que no ano passado não registramos nenhum caso de afogamento, o que contribuiu para diminuir as chances de ataque de tubarão”, afirma.
Desde que o Protuba foi encerrado, Pernambuco registrou dois ataques, um em Olinda, onde os pesquisadores atuavam, e outro em Fernando do Noronha. Ambos ocorreram em 2015.

A doutora em oceanografia da UFRPE Rosângela Lessa vê com preocupação a falta de monitoramento. “É arriscado para o banhista, é ruim para os tubarões também. O projeto, reconhecido mundialmente, gerava conhecimento sobre as espécies”, afirma.

A oceanógrafa lamenta o fim do Protuba e a falta de perspectiva no desenvolvimento de um estudo semelhante. “A gente não tem notícia de como isso vai progredir. Vínhamos de uma cultura de pesquisa e de repente houve a descontinuidade, o que é ruim para todo mundo”, diz.

Segundo o coronel Clóvis Ramalho, o TCE não concordou em manter um contrato direto entre o governo e a UFRPE devido ao alto custo para o Estado. Por isso, o convênio não foi renovado.

“No último ano o Protuba consumiu cerca de R$ 800 mil [de recursos públicos]. Em respeito às leis, é preciso passar por uma licitação. Realizamos uma no ano passado, e já estamos com uma pesquisa selecionada”, afirma Ramalho.

Ele se refere ao “Monitoramento Automático de Banhistas na Faixa Segura da Praia”, do professor Valmir Macário Filho, da UFRPE, que consiste na instalação de um protótipo com câmeras capazes de identificar os banhistas.

“Se ele atravessar a faixa de segurança, que terá o limite estabelecido pelos arrecifes, o equipamento emite um aviso para um dispositivo móvel ou computador que deverá ser instalado em postos de guarda-vidas. O bombeiro, então, é acionado para retirar a pessoa da área de risco”, diz Macário Filho.

Devido à crise econômica, o projeto, que foi selecionado em setembro do ano passado, ainda não saiu do papel. Para o desenvolvimento do protótipo será preciso investir R$ 31 mil.

O coronel Ramalho afirma reconhecer que são importantes as ações de prevenção com foco no banhista, mas diz que é preciso retomar o modelo de monitoramento de tubarões. Para isso, o Cemit solicitou à Secretaria de Defesa Social R$ 700 mil para a contratação de um barco.

“Com o Protuba foi possível reduzir em 90% o número de ataques de tubarão em nosso litoral. É um modelo exitoso, que foi enviado ao Ibama. Estamos esperando a autorização deles para abrir essa nova licitação”, afirmou.

O militar também espera que o governo de Pernambuco garanta recursos para a instalação de 150 placas educativas entre Olinda e Cabo de Santo Agostinho, e mais 20 em Fernando de Noronha.

“A crise econômica tem afetado todos os Estados, mas o governo de Pernambuco se mostrou comprometido em liberar os recursos, porque entende que é estratégico para a segurança em nossas praias”, afirmou o militar.

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