Após recuo de Marina, Dilma defende criminalização da homofobia pela 1ª vez

Logo após o fim do debate com os candidatos à Presidência da República realizado nesta segunda-feira (1º) pelo UOL, Folha, SBT e Jovem Pan, a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, defendeu que a homofobia se torne crime.

“Fico muito triste de ver que nós temos hoje grandes índices de violência atingindo essa população, principalmente quando se trata de homossexuais, mas também em todas as outras áreas. Acho que a gente tem de criminalizar a homofobia. O que eu estou dizendo é que se deve criminalizar a homofobia. A homofobia não é algo que a gente possa conviver”, afirmou a candidata petista, questionada por jornalistas sobre o tema.

É a primeira vez que Dilma defende publicamente a criminalização da violência contra homossexuais. A posição coincide com o recuo da ex-senadora Marina Silva (PSB), principal concorrente de Dilma, no tema.

Programa do governo da candidata do PSB divulgado na sexta-feira (29)defendia a criminalização da homofobia, além do casamento de pessoas do mesmo sexo, entre outras propostas, inclusive relativas a direitos aos transexuais. No dia seguinte, entretanto, o programa foi alterado, em meio a críticas de representantes religiosos, como o pastor Silas Malafaia.

A nova edição não traz a defesa da criminalização da homofobia e do casamento igualitário, além de utilizar temos mais vagos para tratar do tema. A mudança foi usada pela campanha petista para atacar Marina. Hoje, Dilma também  criticou a adversária. “Eu acho que não se deve mudar a proposta principalmente quando se referia a direitos”, disse a mandatária.

O programa de governo de Dilma que já foi divulgado, contudo, não cita a criminalização da homofobia, nem outras pautas do movimento LGBT. Segundo o PT, o documento é provisório, e uma nova versão, completa, será divulgada em breve.

Por orientação do Planalto, a base governista não votou o projeto de lei que criminaliza a homofobia (PLC-122). A matéria acabou sendo anexada ao projeto de reforma do Código Penal, que ainda não tem data para ser votado.

Revoltados com a não votação da matéria, militantes e entidades LGBT criticaram o governo pela decisão de não se mobilizar para aprovar o projeto. Na última edição da Parada do Orgulho LGBT, em maio deste ano, houve cobranças ao governo.

Compartilhar